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Encontro marcado

Acusados de morte de torcedor vão a júri popular na segunda

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Está marcado para as 9h desta segunda-feira (29/1) o julgamento de Carlos André Amorosino Júnior — o Sukita (ex-presidente da torcida organizada Independente) — e Valdívio Marcelo Dantas de Souza. Eles são acusados de matar a pauladas o palmeirense Mauro Roberto Costa e de não prestarem socorro a Diógenes Fernandes Ventura. A data foi estipulada pelo juiz Cassiano Ricardo Zorzi Rocha, do 5º Tribunal do Júri da Capital paulista.

Os acusados respondem pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e omissão de socorro. Eles podem pegar pena de 12 a 30 anos de reclusão. A defesa deverá sustentar a tese de insuficiência de provas de que Carlos André e Valdívio Marcelo tiveram participação nos crimes. Para os advogados, os depoimentos das testemunhas na fase de instrução do processo foram contraditórios.

A defesa já tentou evitar que os acusados enfrentassem o júri popular. Eles ingressaram com recurso contra a sentença de pronúncia, mas a 6ª Câmara Criminal do TJ, por votação unânime, recusou os argumentos apresentados pelos advogados André Guilherme Lemos Jorge e Rodrigo Sensi Ribeiro de Mendonça.

Os fatos

Os crimes ocorreram em 22 de fevereiro de 2003. A confusão começou no Sambódromo do Anhembi quando, antes de desfilar, integrantes do bloco Independentes, composto por torcedores são-paulinos, atacaram corinthianos do bloco Pavilhão 9. Testemunhas disseram que cerca de 10 são-paulinos, armados com revólveres e pedaços de pau, cercaram corinthianos.

Ruy Luciano Nogueira, 25, que preparava um carro alegórico do Pavilhão 9, morreu com um tiro na cabeça. Os corinthianos Cláudio Cassiano Freguglia, 31, T.P.O., 16, Cássio Terayama, 23, e o são-paulino Itamar Fagundes dos Santos, 20, foram baleados na perna. Olavo José Teodoro, 27, teve braços quebrados.

Após os desfiles, cerca de 10 ônibus com integrantes do bloco Independentes foram escoltados pela PM. No entanto, na avenida Marquês de São Vicente, quando a polícia não mais acompanhava o grupo, os torcedores obrigaram motoristas a passarem na frente da escola Mancha Verde, formada por palmeirenses.

Houve briga no local e duas pessoas morreram, o palmeirense Mauro Roberto Costa, 24, e Diógenes Ventura, 20, que seria da Independentes. Cerca de 60 são-paulinos foram detidos.

O ex-presidente do conselho deliberativo da torcida Tricolor Independente Carlos André Amorosino Júnior – o Sukita, foi preso acusado da morte do palmeirense. A polícia acredita que ele tenha sido também o autor dos disparos no Anhembi. Sukita negou o crime.

Cenas de terror

Testemunhas do confronto entre torcedores são-paulinos e palmeirenses, ocorrido perto da sede da torcida Mancha Verde, relataram cenas de terror à polícia. Segundo uma testemunha, um dos líderes do grupo são-paulino teria dito "vamos matar, vamos matar" no momento do ataque.

Momentos antes, de acordo com testemunhas, um são-paulino distribuiu paus e porretes a torcedores que desceram dos ônibus vindos do Anhembi. Parte do material, apreendida pela polícia, sugere que foram utilizados cabos de enxada comprados em lojas de material de construção.

Carlos Amorosino Júnior, ex-presidente da torcida organizada Tricolor Independente, foi preso em flagrante e indiciado por homicídio. Ele negou o crime. Em depoimento, disse que, se tivesse participado do ataque, teria manchas de sangue na roupa branca que usava. Uma testemunha, no entanto, o apontou entre cerca de 60 torcedores. A mesma testemunha esteve no Hospital das Clínicas, onde identificou o corpo de Costa como a vítima que ele viu ser atacada.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 28 de janeiro de 2007, 17h44

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