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Não li, não gostei

Roberto Carlos decide processar autor de sua biografia

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O cantor Roberto Carlos decidiu que vai processar o jornalista Paulo César de Araújo e a Editora Planeta, pela publicação da biografia não-autorizada Roberto Carlos em Detalhes. Antes de apresentar uma queixa-crime contra o autor do livro e uma ação de indenização por danos morais, o advogado do rei da Jovem Guarda, Marco Antônio Campos pediu a notificação extrajudicial da editora. O advogado pede que editora deixe de comercializar a obra. A Planeta deve receber a notificação até sexta-feira (12/1).

Roberto Carlos disse que leu apenas trechos do livro, o que foi suficiente para que ele condenasse toda a obra. Ele declarou que se sentiu ofendido e concluiu que houve invasão de privacidade com a divulgação de histórias sobre a sua vida. Roberto Carlos em Detalhes conta a trajetória do cantor, sem omitir fatos dolorosos como a amputação de parte de uma perna, sua relação com a atriz Myriam Rios e a morte de Maria Rita, sua última mulher.

Em entrevista coletiva, Roberto Carlos disse assim: “O livro tem coisas não-verdadeiras, que ofendem a mim e a pessoas queridas, expostas ao ridículo. É um absurdo, uma falta de respeito lançar mão da minha história, que é um patrimônio meu. Me sinto agredido na minha privacidade. Isso me irrita, me incomoda, me entristece”.

Segundo o advogado do rei, Marco Antônio Campos, as peças processuais estão sendo preparadas. Se a editora não deixar de comercializar o livro, as ações serão apresentadas à Justiça paulista na próxima semana. Os principais argumentos que serão usados é invasão de privacidade, ofensa à honra e uso indevido de imagem. Além de danos patrimoniais, pelos ganhos com a venda do livro.

Segundo o advogado, a Editora Planeta também está sendo processada pelo fotógrafo Antônio Garrido, porque ele diz que não recebeu pelas fotos publicadas no livro, que seriam de sua autoria.

Crítica

À parte o descontentamento do biografado, o livro de Paulo César Araújo contém méritos inegáveis, reconhecidos pela maioria dos críticos. Trata-se de um levantamento muito bem documentado de toda a trajetória do cantor e compositor desde seu nascimento em 1941.

Além de reconhecer e colocar em destaque a importância de Roberto Carlos na história da música popular brasileira, faz ainda uma muito bem elaborada contextualização da obra de Roberto Carlos na história e na música do país.

O autor relata com acuidade tabus da vida do ídolo, como o acidente ferroviário que resultou na amputação de uma de suas pernas quando tinha 6 anos de idade. Mas em nenhum momento faz explorações indevidas ou sensacionalistas dos fatos.

Inverdades, como Roberto Carlos afirma existir, não são facilmente detectáveis. Se há, estão muito bem fundamentadas e explicadas.

Araújo escreve com responsabilidade e com a desenvoltura só possível porque não se trata de uma biografia autorizada. Quem ganha é o leitor e a história. Mesmo que o ídolo não goste.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 10 de janeiro de 2007, 18h30

Comentários de leitores

11 comentários

Concordo com o leitor Lúcio Flávio. A...

tyba (Advogado Autônomo - Empresarial)

Concordo com o leitor Lúcio Flávio. A jornalista Lilian Matsuura misturou a profissão de repórter com a de crítica literária. Quando fechava a notícia, resolveu abrir o entretítulo “Crítica”. Nele abandonou a impessoalidade e fez algo como a resenha do livro. Faltou a canetada do editor. Que pena...

Isso é uma notícia ou é uma defesa prévia do au...

Lúcio Flávio (Advogado Autônomo - Civil)

Isso é uma notícia ou é uma defesa prévia do autor do livro? Parece-me que faltou isenção à autora da matéria, Lilian Matsuura, que mais parece ser a advogada de defesa do autor do livro, dando a entender que a ação a ser proposta por Roberto Carlos (que ela não leu e também não gostou) seria temerária por lhe faltar cusa petendi. Li e não gostei do artigo.

Roberto Carlos é um sujeito íntegro. Generoso. ...

tyba (Advogado Autônomo - Empresarial)

Roberto Carlos é um sujeito íntegro. Generoso. Diferentemente de outro “rei”, registrou como legítimo o filho bastardo de quem é amigo e mecenas. Adotou a filha de sua primeira mulher, Nice. O filho deficiente visual é bacana. É possível que o livro contenha ofensas. Talvez o incomode a revelação com detalhes do acidente em que perdeu a perna na infância. Concordo com seu desconforto ao imaginar que as fãs, depois da leitura do livro, vão vê-lo nos shows e na televisão com a lembrança de que dentro da calça no lugar da perna existe uma haste de ferro. Ainda que semelhante à real. Algo broxante. A imagem de herói apaixonado, construída por ele artisticamente no decorrer desses anos todos, deve ser preservada. Vou ler o livro. Mas só para pesquisar informações maldosas e inverdades.

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