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Novo dirigente

Ercílio Bezerra assume presidência da OAB de Tocantins

Ercílio Bezerra, secretário-geral da OAB nacional, tomou posse na sexta-feira (5/1) como presidente da seccional da Ordem de Tocantins. Durante o seu discurso, declarou que irá lutar com todas as suas forças nos próximos três anos para combater à deformação do ensino jurídico nacional.

“A proliferação de cursos jurídicos de fins meramente mercantilistas tem contribuindo de forma decisiva fomentando a crise do ensino jurídico no Brasil, somado, de outra sorte, à reprodução de equívocos políticos e epistemológicos, a exemplo da identificação do Direito com a Lei, transformando os cursos jurídicos em escolas de legalidade”.

Leia o discurso de posse

“A história do Tocantins construída por quase dois séculos, foi edificada por cada sonho, cada movimento daqueles homens e mulheres tidos, naquela época como quixotescos, traz no seu DNA paternidade múltiplas, todos são a seu modo e forma responsáveis por cada tijolo desse edifício cívico.

Durante muito tempo, porém o povo do norte goiano alimentou um sonho, vislumbrou na independência nossa redenção. Éramos diferentes, tínhamos identidades culturais diferentes, posições

políticas que se dissociavam da província.

Na fase final da quimera tocantinense, quando a realidade já nos batia à porta, esta história de luta nos foi apresentada, revelando aos estudantes do norte, pois assim eram conhecidos os goianos que viviam acima do paralelo treze, a possibilidade real de nos libertarmos, de apresentarmos ao restante desse Brasil, nossa eventual possibilidade de caminharmos com as nossas pernas, mesmo que para isso os primeiros passos fossem auxiliados por andadores ou muletas.

Para muitos colegas secundaristas e universitários goianos, mesmo aqueles que se apresentavam revolucionários e pregavam a revolução armada, que se diziam a vanguarda do pensamento estudantil e político, no final da década de setenta, a idéia alimentada pelos estudantes do norte, ainda era tida como um sonho impossível.

Por raras das vezes, tratavam-nos como brasileiros menores, vindos de uma região pobre em busca de um título de terceiro grau ou mesmo de um emprego, preferencialmente apadrinhado por uma figura política goiana, com ascensão no eleitorado nortense.

Não é novidade para aqueles que vivenciaram aquela realidade. Até mesmo nosso sotaque arrastado, típico de nossa região era por vezes motivo de diferença. Saltava aos olhos nestes pequenos, mas dolorosos detalhes, a necessidade da ruptura administrativa.

Éramos, portanto, diferentes, simplesmente diferentes. Mas estas diferenças não nos impediam de sonhar, de termos nossa identidade própria, de podermos ter nossas manifestações culturais e políticas, de enfim, dizermos nós gostamos é de piqui e de forró, e não de empadão e folia.

Hoje, todos nós, aqueles estudantes do norte goiano, já com os cabelos ficando quase grisalhos, que vivenciamos aquela realidade, sabemos como poucos que a libertação da província era uma necessidade.

O sonho enfim tornou-se realidade. Efetivamente se concretizou com esforços maiores de uns, contribuições menores ou variadas de outros, mas todos num ideal único tiveram suas participações.

A história reclama que esse conceito quase oficial, porém equivocado de paternidade exclusiva, seja imediatamente revisto. No passado recentíssimo, discorrer sobre tal tema causaria arrepios. Era

tema de alcova ou dos bastidores. Poucos tiveram a coragem de levantar a voz. Guardadas as devidas proporções, a paternidade tocantinense era política de estado, sendo motivos de arroubos e reiterados discursos do reinado e do principado, reivindicando para uma única figura uma causa que perdurou quase dois séculos. Felizmente, a história começa a ser re-escrita.

Passadas as euforias da criação, a tão sonhada autonomia administrativa, e somente agora a efetiva independência política, rompidas enfim as amarras, é preciso mais do que o discurso de consolidação do Estado.

Não há falar em consolidação, quando se vive um estado de grandes desigualdades sociais. Não há falar em libertação quando se tem uns dos piores Índice de Desenvolvimento Humano do País. Igualmente, não há, ainda tanto a se comemorar quando ainda vivemos dificuldades na saúde pública.

Não podemos esquecer que no campo educacional, apesar das valiosas conquistas, ainda vivemos uma realidade muito distante da sonhada. Fizemos esse brevíssimo comentário histórico, para, enfim, podermos falar da história da nossa entidade classista, iniciada quando os primeiros rojões estouram comemorando a autonomia administrativa e política do Estado do Tocantins.

Naquele momento alguns advogados, deram início a construção de nossa Ordem dos Advogados do Tocantins. Com satisfação, tenho a imensa honra de ter sido um daqueles que reunimos em Miracema, fundamos nossa ordem. Igualmente, como o sonho tocantinense, a paternidade da Seccional da OAB do Tocantins, traz no seu DNA a participação e luta de muitos advogados, que alimentaram a quimera da autonomia administrativa e política dos estudantes do norte goiano e a transferiram com toda a força para o novo sonho que era

Revista Consultor Jurídico, 6 de janeiro de 2007, 11h15

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