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Pane aérea

Há uma grande movimentação para dizimar a Varig

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Temos assistido desde o trágico acidente com o vôo 1907 da Gol, em setembro, uma série de problemas que afetam o espaço aéreo brasileiro. Aos poucos vamos descobrindo falhas, como o “ponto cego” denunciado pelos controladores de vôo e veementemente descartado pelo governo, e agora a pane nas comunicações do principal centro de controle de tráfego aéreo do país, o Cindacta-1, que coordena os vôos no Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.

Faço coro com o vice-presidente do Sindicato Nacional de Empresas Aéreas, Élcias Anchieta, em suas declarações de que há um descaso federal com os equipamentos. Diria mais, o descaso é com todo o setor aéreo. A situação da Varig demonstra bem essa afirmação. Uma empresa que foi a imagem do Brasil no exterior durante mais de 70 anos agoniza a espera de uma ação do governo, que sempre se manteve alheio ao sofrimento de milhares de trabalhadores e aos prejuízos do setor turístico.

Tudo bem que a Varig vem sofrendo já há algum tempo. Perdeu força com a decisão do então presidente Fernando Collor, em 1990, de abrir o mercado de aviação nas rotas internacionais. Com isso a Varig deixava de ser a empresa de bandeira do país, passando a disputar o mercado não apenas com as concorrentes estrangeiras, mas também com as companhias nacionais. Para uma empresa que havia participado de rotas de integração nacional que nem sempre davam lucro, atendendo aos diversos governos, foi uma punhalada nas costas.

Nesse meio tempo, a empresa resistiu a administrações mal sucedidas e o agravamento da crise econômica mundial, que foram levando a Varig a uma situação como se encontra hoje. Em 2004, o governo estadual do Rio de Janeiro, na tentativa de garantir os milhares de empregos e a manutenção do fluxo turístico, foi o único a adiantar mais de R$ 100 milhões de créditos de ICMS à Varig, em troca do compromisso da empresa em ampliar seus setores no estado, garantir os empregos e criar novas linhas, transformando o Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim – Galeão em hub nacional e internacional.

O agravamento da crise da Varig, e seu conseqüente leilão, não levou em consideração esse compromisso, nem a preocupação com os milhares de funcionários, que foram postos à rua e estão sem receber seus salários há mais de cinco meses. O governo federal insensível não acena com qualquer ajuda e, mesmo após a carta da governadora Rosinha Garotinho ao presidente da República, pedindo agilidade na concessão do Certificado de Homologação de Empresa de Transporte Aéreo (Cheta) para a nova empresa, nada foi feito.

A direção da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aponta os novos donos da nova empresa como os responsáveis pela demora na entrega da autorização para voar a quem já voou por quase 80 anos. A informação contraria tudo o que foi dito até então pelos empresários, que aguardam exatamente a concessão do documento para contratar, a princípio, cerca de 1.600 profissionais, abrindo perspectivas para novos postos de trabalho no início do próximo ano. Os constantes atrasos têm levado a investidores da VRG Linhas Aéreas em repensarem sua participação, o que pode inviabilizar a situação da nova empresa e levar a maior companhia aérea brasileira à falência.

Diante de tudo isso não sobra outra alternativa senão acreditar que há uma grande movimentação surda para dizimar a Varig, desprezando de forma irresponsável o nosso turismo. Mais uma vez, entre os estados federados, o Rio de Janeiro perde por ser o principal destino turístico nacional. Mas o prejuízo é de todo o país, que destrói uma imagem de eficiência construída ao longo de quase 80 anos.

Infelizmente, a origem do colapso aéreo é bem diferente de ser apenas operacional e conjuntural, como alguns querem fazer crer. A ele se soma o desmantelamento da Varig, um patrimônio estratégico do país, que também está muito longe de se resumir na concessão de certificados, basta ver o quanto suas concorrentes nacionais e estrangeiras estão ganhando com a sua ausência do mercado.

Lamentavelmente, no ar, nem mais os aviões de carreira.

 é chefe de Gabinete da Governadora do Rio de Janeiro

Revista Consultor Jurídico, 1 de janeiro de 2007, 7h00

Comentários de leitores

4 comentários

É lamentável que ainda existam pessoas que defe...

Kikko (Engenheiro)

É lamentável que ainda existam pessoas que defendam os grandes elefantes brancos que vivem sugando dinheiro público para se manter em pé. A Varig era uma empresa privada com cara de estatal e nunca foi uma referência ou representante brasileira no setor aéreo internacional. Lá fora poucos conhecem ou lembram da Varig e para os brasileiros a abertura do mercado representou maior liberdade na hora de voar. A Varig era uma empresa importante para o Brasil, mas não insubstituível. Houve sim um enorme buraco quando a Varig deixou de operar por um determinado período e continua tendo agora, mas o mercado aos poucos e mesmo sobre trancos está conseguindo reagir. A nova Varig tem total condições de reagir e tornar uma Varig sem vícios e com sucesso no mercado como suas concorrentes.

Sinceramente o Governo do estado aplicou muito ...

veritas (Outros)

Sinceramente o Governo do estado aplicou muito mal os 100.000.000,00. 1) Primeiro a empresa mudou a base operacional para são Paulo, centenas de trabalhadores foram obrigados a mudar para são Paulo, sem nada receber pela transferência apesar dos artigos 51 e 52 da lei 7183/1984, 2) Milhares foram demitidos sem nada receber. 3)Milhares tiveram seus salarios reduzidos à base de vara, redução de até 50% onde um comissário tem o salário base de R$745,00 reais, e um comandante de R$3500, 00 reais, O artigo 7 da Constituição federal foi revogado pela recuperação judicial, péssimo exemplo para quem paga os tributos e salarios em dia, demnstrando qe sonegar e nao pagar trabalhador e um excelente negocio. Sinceramente somente no Brasil para considerar essa recuperação judicial um sucesso, vai ser mais um esqueleto a assombrar os mandarins dessa operação e recuperação judical.

Francamente! Quando o Brasil optou por ser uma...

Observador (Outros)

Francamente! Quando o Brasil optou por ser uma economia de mercado o empresáriado deveria saber estava aberta a competição, para o bem do consumidor. Não há mais espaço no mercado para empresas mal administradas. Um ponto, porém, que me assusta é que alguns gestores públicos ainda defendam empresários que usufruem privadamente seus lucros e buscam socializar seus prejuízos. Curiosamente, isso só vale para grandes empresas, como a VARIG e a TV Globo (que recebeu um empréstimo bilionário do BNDES). Ninguém defendeu a utilização de dinheiro público para salvar o padeiro do meu bairro, quando ele quebrou. Assim, não há contribuinte que aguente!

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