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Passo a passo

Vídeo do CJF vai ensinar juízes a lidar com a imprensa

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Em prol de uma melhor comunicação entre jornalistas e juízes e, por conseqüência, do Judiciário com a sociedade, o Conselho da Justiça Federal está organizando um vídeo de media training que deve chegar às mãos de todos os juízes da Justiça Federal no país.

O trabalho, em parceria com Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e com a Companhia de Notícias, e financiado pela Caixa Econômica Federal, pretende aproximar e ampliar as relações dos juízes com a imprensa para dar, acima de tudo, mais transparência e publicidade ao trabalho do Judiciário.

A função do media training é ensinar profissionais a lidar com a imprensa. “A idéia é que os juízes aprendam como falar com a imprensa e saibam da importância de atendê-la”, afirma Roberta Bastos, da comunicação social do CJF. De acordo com Roberta, a idéia surgiu a partir da queixa recorrente da imprensa sobre a dificuldade de falar com os juízes. “Essa comunicação é muito importante até para a imagem da Justiça.”

O CFJ promoveu, na manhã desta segunda-feira (26/2), o II Encontro Nacional dos Assessores de Comunicação da Justiça Federal, em Brasília, para tratar da relação entre o Poder Judiciário e a imprensa e o papel da comunicação social das instituições na aproximação desses atores e deles com a sociedade.

Na abertura do evento, que reuniu assessores de comunicação da Justiça Federal de todo país, o presidente do CJF e do Superior Tribunal de Justiça, ministro Raphael de Barros Monteiro, ressaltou a importância da área de comunicação social e do papel do setor na aproximação das instituições públicas com a imprensa e o cidadão.

“Em meio aos desencontros entre as linguagens e ao descompasso entre ritmos, o papel do assessor de comunicação emerge como um precioso fator de harmonização, de promoção de diálogo e do entendimento entre a imprensa e o Judiciário.”

Para o ministro, o relacionamento com a imprensa deve ser objeto de cuidadosa atenção por parte das instituições públicas. “Sem a imprensa, como poderia a sociedade entender as prolixas decisões do Poder Judiciário? A verdadeira publicidade dos atos do Poder Judiciário tem portanto o seu efetivo cumprimento com o trabalho da imprensa, que sabe como ninguém falar a língua do cidadão, que detém o conhecimento técnico das ferramentas de uma eficaz comunicação”, disse.

Barros Monteiro lembrou que o Conselho da Justiça Federal estabeleceu como prioridade o investimento direto e sólido na área de comunicação, como poderoso instrumento para garantir melhor trânsito entre as informações do Judiciário para a imprensa.

Palavra da imprensa

Para a mesa de debates do encontro, o CJF convocou experientes jornalistas na cobertura do Poder Judiciário, como o jornalista Luiz Orlando Carneiro. Ele criticou a imprensa anunciando decisões em jurisprudência consolidada como novidade e atribuiu o fenômeno à aflição da corrida contra o tempo tanto dos jornais quanto dos assessores de imprensa, além do imediatismo do jornal online.

Também participaram do debate os jornalista Fernando Teixeira, do jornal Valor Econômico, e Giselle Souza, do Jornal do Commercio do Rio de Janeiro. Incisiva, Giselle ressaltou que as assessorias precisam conscientizar os juízes sobre a importância de divulgar seu trabalho junto à imprensa.

Fernando Teixeira chamou atenção para a falta de comunicação em algumas instituições lembrando da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo, antes da gestão do presidente Celso Limongi. “A gente simplesmente não sabia o que acontecia lá dentro.” Teixeira defendeu uma disciplina na comunicação do Judiciário com a imprensa e a sociedade. “Não podemos ficar a mercê da boa vontade de alguns juízes ou assessores.”

Representando o Judiciário, o ministro João Otávio de Noronha mostrou preocupação com a deturpação das decisões do Judiciário pela imprensa e defendeu o papel do assessor de comunicação e a aproximação do juiz com a imprensa. Noronha criticou comentários antecipados de futuras decisões à imprensa. “O juiz deve se preservar para julgar com isenção.”

Os juízes Alexandre Miguel, de Vitória, e Walter Nunes, presidente da Ajufe, também fizeram seus comentários. Para Nunes, ainda não há um ambiente adequado entre o juiz e o assessor que, na sua opinião, deve ter uma ação pró-ativa. “O assessor deve coletar informações junto aos juízes e tribunais, e servir de elo de ligação entre juízes e jornalistas.”

 é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 26 de fevereiro de 2007, 17h42

Comentários de leitores

2 comentários

Tem lugar que já doutrina os juízes substitutos...

Michael Crichton (Médico)

Tem lugar que já doutrina os juízes substitutos a evitarem a imprensa. É duro. Tem lugar que falta essa postura pró-ativa ao assessor de imprensa. Finalmente, registro que: a) quase vinte anos atrás o Dr. Nalini já escrevia artigos no Estadão falando a respeito do relacionamento entre o juiz e a imprensa; b) cerca de dez anos atrás o Márcio Novaes, assessor de imprensa do TRF3, preparou excelente livro destinado a jornalistas, destrinchando diversas questões e o jargão da área.

Assessor de imprensa é função de Relações Públi...

Del (Jornalista)

Assessor de imprensa é função de Relações Públicas. Não é função jornalística. Infelizmente, no Brasil milhares de jornalistas invadiram o mercado de trabalho dos RPs e atuam como assessores, embora não estejam habilitados para tanto. A maioria dos assessores pretende que seus releases sejam publicados na íntegra pela imprensa, remetendo-os para as redações como se fossem matérias com texto final, o que é uma afronta à ética e à moral dos profissionais das redações. Uma irregularidade promovida durante a ditadura militar e que ainda persiste. Esses releases com textos finais permitem a redução dos quadros nas redações, onde ocorreram demissões em massa nos últimos anos. Um conflito que o Judiciário alimenta ao contratar jornalistas como assessores de imprensa.

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