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Sob nova direção

Veja discurso de posse de Cezar Britto na presidência da OAB

Uma gestão que ousou combater o bom combate, destemidamente, como se espera de um advogado.

Uma gestão que tornou real a regra de que “nenhum receio de desagradar a magistrado ou qualquer autoridade, nem de incorrer em impopularidade, deve deter o advogado no exercício da profissão”.

Uma gestão tão azeitada, compartilhada e respeitada que dois de seus dirigentes ousaram continuar seguindo em frente, participando ativamente da corrida de revezamento sempre citada pelo presidente Busato ao longo do mandato.

Caso o bastão estivesse nas mãos do meu incansável amigo Aristóteles Atheniense eu também me sentiria orgulhoso e representado, pois fui testemunha de sua generosidade, honradez e compromisso com o ideário da Ordem dos Advogados do Brasil.

Também assim me sentiria se o encargo de conduzir a OAB recaísse sobre o meu filósofo-irmão Ercílio Bezerra, admirado por todos por sua lealdade, destemor e rebeldia cívica (Paciência, lucrou a OAB/TO com a sua opção).

Não ficaria descontente se o escolhido fosse o vigilante Vladimir Rossi, com a sua repetida e econômica frase “de que o dinheiro da advocacia não pode pagar este investimento”. Ainda bem que ele deixou o controle financeiro da OAB para assumir a vice-presidência, embora, perigosamente, esteja conversando demais com o novo diretor-tesoureiro.

Tenho a certeza de que a diretoria que agora assume, integrada pelos não menos combativos e amigos Vladimir Rossi, Cléa Carpi, Alberto Toron e Ophir Cavalcanti Figueiras terá na gestão que agora finda, uma estrela a nos guiar. É que não tenho qualquer dúvida da capacidade de cada um de Vossas Excelências, pois todos, sem exceção, são velhos conhecidos desta Casa. Todos integrantes da categoria dos que já fizeram a História da OAB e, portanto, pós-graduados nas funções que agora assumem.

A Ordem foi sábia quando conseguiu reunir a diversidade regional em um único querer, o querer coletivo que agora toma corpo nos nomes de Vossas Excelências.

Não posso deixar de destacar o querer da advocacia trabalhista, desde o meu mestre Ailton Daltro Martins, passando pelos colegas da ABRAT, AJUTRA, ALAL e ASSAT, que peço vênia para saudar na pessoa de Nilton Correia, que, fazendo jus ao nome, correu este Brasil continental na emocionada defesa de meu nome para assumir a presidência nacional da OAB. Estou honrado com a presença dos bravos colegas que labutam na Justiça do Trabalho, espalhados, massivamente, nas diversas salas deste Conselho, e que também empresta o advogado Ofhir Cavalcanti Figueiras, atual vice-presidente da ABRAT para a Região Norte, para a diretoria da OAB.

Também ressalto o querer dos meus colegas de escritório, da Sociedade Semear, do Jornal Cinform, dos servidores da OAB, dos dirigentes sindicais, dos trabalhadores e de todos que lutam por um mundo mais justo, igual e solidário, enfim, de todos os amigos espalhados pelo Brasil, advogados ou não, vários aqui presentes, que torceram, rezaram e sonharam comigo o sonho que agora se torna realidade.

Por fim, alguns quereres mais restritos ao Tribunal do Coração. Inicialmente o querer da minha pequena e fértil Propriá, que me orgulha com a presença do seu prefeito Paulo Britto.

Quis o destino deferir, nesta cidade banhada pelo Velho Chico, o pedido de conciliação de duas famílias, unindo-as através da benção dos meus avós (Miguel, Mariana, Britinho e Dalva). Uma sentença definitiva, a que não cabe ação rescisória ou qualquer destas questionáveis teses que revogam a coisa julgada e abalam a segurança jurídica. As teorias criadas pelo homem não poderiam anular a bela história construída pelos autores Aragão e Helena (meus pais), hoje consolidada, como bons nordestinos, em oito filhos, sete agregados e vinte e dois netos (salvo pelos netos, todos reunidos nesta solenidade).

Mas não se pode falar em jurisdição amorosa sem mencionar o querer da comarca de Aracaju, a cidade que me acolheu como filho e que me faz orgulhoso com a presença do seu prefeito Edvaldo Nogueira e tantos outros amigos aqui reunidos.

Aracaju é, também, a cidade que fez nascer em mim outro amor definitivo, irrevogável e inimigo de qualquer medida anulatória. Nada (Marluce) abalará, mesmo a momentânea transferência para a jurisdição de Brasília, os quereres e sonhares que construímos nestes vinte e sete anos de vida absolutamente comum, corporificada nos nossos fantásticos filhos Diego, Manuela, Gabriella e Ruan.

Como se vê, não estou presidente sozinho. A presidência que está sendo empossada não passa de um somatório de quereres, com muitos pais assumidos, cada um trazendo para a OAB suas próprias características, fazendo nascer uma espécie de DNA diferente e em mutação permanente. Cada um tão importante quanto o outro, como se fossem veias e artérias que se interligam e dão vida a um único e pulsante corpo.

Revista Consultor Jurídico, 1 de fevereiro de 2007, 21h31

Comentários de leitores

1 comentário

Só pela lembrança da vítima da ditadura, Lyda M...

Armando do Prado (Professor)

Só pela lembrança da vítima da ditadura, Lyda Monteiro, valeu a posse e a mudança, para não falarmos da qualidade de todo o discurso do novo presidente. Novos tempos, novos ventos.

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