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Preso e acorrentado

Em Maceió, preso passa 15 dias acorrentado a corrimão

Um detento de 19 anos suspeito de furtar uma lixadeira e que, segundo a Polícia, é deficiente mental, passou cerca de 15 dias fora da cela, acorrentado ao corrimão de uma delegacia em Maceió (AL). A delegada do 3º Distrito Policial de Maceió, Maria Aparecida Araújo, diz que, se não acorrentasse fora da cela Edvaldo Ferreira, apelidado de “Zoado”, ele seria linchado. “O menino não era bom da cabeça e não gostava de tomar banho. Os outros provocavam. Aí ele começava a gritar”, diz.

Ferreira foi transferido para outra delegacia na quinta-feira (27/12) à noite. Segundo a delegada, a demora ocorreu porque foi difícil encontrar Distrito Policial onde houvesse uma cela só para ele. A reportagem é de Matheus Pichonelli, da Folha de S. Paulo.

Desde agosto, os policiais civis do Estado estão em greve. A crise se agrava com superlotações e constantes rebeliões, o que levou a Justiça a proibir a transferência de presos. No 3º DP, onde estava Ferreira, 15 dividem uma cela. Na falta de espaço, um dos banheiros abriga ao menos quatro à noite.

Segundo a Polícia, o rapaz colecionava brigas com os 15 companheiros de cela porque, para os presos, ele era muito “cagüeta” (delator) e não tomava banho. Dessa forma, quando havia briga, era retirado da cela e acorrentado no corrimão em frente à sala da delegada.

Para a delegada, a transferência do detento para outra delegacia seria mais rápida do que tentar provar a insanidade mental de Ferreira e, assim, conseguir, com autorização da Justiça, vaga no manicômio. A Folha procurou o diretor da Polícia Civil no estado, Carlos Reis, mas não foi atendida. O presidente da secional da OAB no estado, Omar Mello, diz que pediu à Comissão de direitos Humanos da entidade a apuração do caso.

Em dezembro, com a cela da cadeia superlotada, uma mulher e um adolescente de 17 anos foram acorrentados a pilares do lado de fora da delegacia de Palhoça (Grande Florianópolis) e mantidos com outros quatro detentos, também acorrentados, por quase um dia. Manter presos acorrentados era uma situação recorrente na delegacia, segundo a própria responsável pela unidade, a delegada Andréa Pacheco.

Revista Consultor Jurídico, 29 de dezembro de 2007, 8h27

Comentários de leitores

2 comentários

O caso não é de cadeia, e sim de tratamento...

Dijalma Lacerda (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

O caso não é de cadeia, e sim de tratamento psiquiátrico. É U M A B S U R D O, ALIÁS MAIS UM APENAS DENTRE OS MUITOS NA ÁREA DA POLÍTICA (ALIÁS FALTA DE POLÍTICA) PENITENCIÁRIA NESTA TERRA DAS AFONSINAS, MANUELINAS E FILIPINAS.... Bem longe vai o tempo (???) em que Filanghieri bradou aos legisladores de Europa para que deixassem por alguns minutos as estofadas cadeiras de seus gabinetes e fossem olhar as abjetas prisões onde seres humanos mais assemelhados a animais, jaziam sob o jugo de uma política penitenciária mefítica, insana, desumana, cruel, teratológica, enquanto as senhoras da corte vestiam ricos panos tecidos por débeis e tíbias mãos escravas, os cortesãos comiam do fruto do labor de sangrentas e calejadas mãos que lavravam o campo em troca de malcheirosa comida apenas, disputada com os cães. Será que esse desequilíbrio acabou mesmo? Parece que os últimos acontecimentos estão demonstrando que não. Enquanto políticos riem à solta de uma Lei Penal e Processual Penal fracas, e assistidos por bons Advogados se safam facilmente das sérias acusações que contra eles pesam, pobres diabos são mantidos no cárcere, sob acusações as mais absurdas, não raro equiparáveis ao furto de uma galinha !!! Pelo amor de Deus POVO BRASILEIRO, CRIE VERGONHA NESSA CARA. No seu país tem muito mais coisa do que apenas futebol, carnaval e fogos na passagem o Ano Novo. Abra a janela, veja que há um mundo lá fora, que se pinta como horrível face o descaso de nossos representantes, ALIÁS DETENTORES DE POLPUDOS SALÁRIOS !!!

É o fim do sistema penitenciário no Brasil. Eu...

MMello (Promotor de Justiça de 1ª. Instância)

É o fim do sistema penitenciário no Brasil. Eu mesmo trabalho em uma Comarca onde exitem vagas para oito homens e estamos com mais de 50 homens na cela. Já solicitei via Ofício que os presos definitivamente condenados em regime semi-aberto e fechado fossem respectivamente enviados para as Colonias Penais Agrícolas e Industrais e para as Penitenciárias e até hoje nenhuma resposta do Departamento Penitenciário. No mesmo ofício, falei da possibilidade de uma rebelião, inclusive tivemos que transformar a solitária em uma cela para as mulheres(presas em sua maioria por tráfico), pois não havia cela para tanto. Sem contar que os menores apreendidos têm que ficar na sala do escrivão até conseguirmos transferência para a capital, pois só existe, pasmem, um local para internação e este fica na capital, e que abrange a região metropolitana e todas as comarcas do litoral daquele Estado. E vejo Ministros do STF e STJ reclamando do trabalho deles, gostaria de ver como eles sairiam se tivessem que trabalhar no interior sem recurso humanos e materiais e em uma Comarca que tramitam aproximadamente 20 mil processos para apenas um juiz e um promotor, tendo ainda essa panela de pressão do sistema prisional prestes a explodir?

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