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Balanço geral

Operação Lince já condenou quatro delegados e seis agentes

Três anos e meio depois de deflagrada a Operação Lince, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região confirmou mais três condenações contra o delegado federal Wilson Alfredo Perpétuo, ex-delegado adjunto da Polícia Federal em Ribeirão Preto. As penas aplicadas a Perpétuo somam quase 74 anos de prisão.

Além de Perpétuo, mais quatro delegados federais foram investigados e três deles: José Bocamino (ex-chefe da Polícia Federal em Ribeirão), César Valdemar dos Santos Dias e Abmaílson dos Santos Oliveira receberam penas superiores a 10 anos de prisão e perderam os cargos públicos.

Seis agentes federais também já foram condenados a prisão e cinco deles também perderam o cargo: Antonio Francisco Pedro Rolo, Carlos Alberto Guimarães Júnior, Antonio Sergio Cravo, Emerson Yukio Ide e Edison Damião. O Balanço da Operação Lince foi divulgado, nesta terça-feira (11/12) pelo Ministério Público Federal, pela Procuradoria da República no estado de São Paulo e pela Procuradoria da República no Município de Ribeirão Preto.

Todos os 21 processos que competiam à Justiça Federal de Ribeirão Preto já foram julgados em primeira instância e a maior parte das condenações já foi confirmada pelo TRF-3. Dois processos tramitam fora de Ribeirão Preto: o ex-delegado, Bocamino, é réu num processo de garimpo ilegal na área da reserva Roosevelt, em Rondônia, e responde por crime financeiro na 2ª Vara Federal (especializada) de São Paulo. Ainda não houve condenações nestes dois casos.

A operação

A Operação Lince foi deflagrada no dia 23 de junho de 2004, mas as investigações começaram em 2002, quando delegados da PF procuraram o Ministério Público Federal para fazer denúncias envolvendo a própria polícia.

Segundo a denúncia, os delegados relataram achaques, doações ilícitas e a atribuída propriedade de empresas de segurança por Bocamino e outros delegados e agentes federais, o que é proibido.

O MPF requisitou informações formalmente Bocamino, que pediu mais prazo para enviar as informações e, segundo o MPF, ameaçou, veladamente, dois procuradores, citando o caso do delegado correicional da PF, Alcioni Serafim de Santana, que foi morto a mando do delegado Carlos Leonel da Silva Cruz, justamente por investigar o colega.

Após a ameaça, o procurador-geral da República da época, Geraldo Brindeiro, pediu a abertura de uma investigação e proteção policial aos procuradores. Ambos os casos foram arquivados, mas, no ano seguinte, o setor de inteligência da Polícia Federal foi até Ribeirão e requisitou à Justiça Federal a abertura de uma investigação sigilosa, que resultou na operação, deflagrada um ano e meio depois.

O Setor de Coordenação de Ações de Inteligência da Polícia Federal demonstrou indícios de que os delegados Perpétuo, Bocamino e Dias, mais os agentes Chico Rolo e Santana estariam usando os seus cargos para a prática de diversos crimes, tendo como principal intermediário o advogado Fauzi José Saab Júnior.

A Operação, além de confirmar as suspeitas sobre a quadrilha que operava na delegacia, trouxe novas provas de que os policiais, se aproveitando do cargo, praticariam crimes como formação de quadrilha armada, concussão, corrupção ativa e passiva, operação de instituição financeira clandestina, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, violação do sigilo funcional, extração ilegal de minérios e porte ilegal de arma de fogo, que geraram 23 processos.

Para o procurador da República Uendel Domingues Ugatti, um dos que atuou no caso, o controle externo da PF pelo MPF é fundamental no combate ao crime.

Revista Consultor Jurídico, 11 de dezembro de 2007, 18h38

Comentários de leitores

4 comentários

Continua correto a análise do senhor depol sobr...

futuka (Consultor)

Continua correto a análise do senhor depol sobre a matéria no meu entender. -"Até porque existe além do serviço de inteligencia, e correição na pf também há um quadro que poucos conhecem qual seja o da Contra-Inteligencia - são policiais já pre-escolhidos e treinados na academia nacional de policia federal (eu ouvi dizer).Eles não resolvem tudo é preciso iniciar um procedimento normativo - provavelmente através da diretoria-geral." Mas isso não impede que o mpf sempre esteja presente a assuntos pertinentes. A vida é bela para aqueles que sabem viver,, Feliz Natal!!!

Sr. Delpol, minha "leitura" da notícia decorre ...

MUDABRASIL (Outros)

Sr. Delpol, minha "leitura" da notícia decorre do que se vê no link "balanço da operação lince", bastando clicar no mesmo para se ter ciência do inteiro teor do relatório apresentado.

Carlos, Discordo da sua leitura sobre a notí...

Mauricio_ (Outros)

Carlos, Discordo da sua leitura sobre a notícia. Com efeito, diz a reportagem: "Após a ameaça, o procurador-geral da República da época, Geraldo Brindeiro, pediu a abertura de uma investigação e proteção policial aos procuradores. Ambos os casos foram arquivados, mas, no ano seguinte, o setor de inteligência da Polícia Federal foi até Ribeirão e requisitou à Justiça Federal a abertura de uma investigação sigilosa, que resultou na operação, deflagrada um ano e meio depois. O Setor de Coordenação de Ações de Inteligência da Polícia Federal demonstrou indícios de que os delegados Perpétuo, Bocamino e Dias, mais os agentes Chico Rolo e Santana estariam usando os seus cargos para a prática de diversos crimes, tendo como principal intermediário o advogado Fauzi José Saab Júnior." Então, pelo que se depreende da matéria jornalística, a investigação que deu resultados não foi a realizada pelo MP (que acabou arquivada, conforme a notícia), mas aquela encetada uma ano e meio depois pela própria POLÍCIA FEDERAL. Não podemos usar casos isolados para justificar a "transferência" de atribuições de uma instituição para outra. Eu seria plenamente favorável ao fim do monopólio da investigação policial, desde que acabassem TODOS OS MONOPÓLIOS existentes no país, inclusive o monopólio dos membros do Ministério Público de serem investigados apenas por seus pares. Se é para acabar com monopólios, vamos acabar com todos realmente: monopólio da ação penal pública, do inquérito civil e tantos outros. Aí sim eu queria ver.

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