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Cansei do Cansei

OAB-SP aliou-se a empresários, ao invés de unir-se a advogados

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A advocacia está comemorando os 180 anos de implantação dos cursos jurídicos no país. Ao longo destes anos, muito se fez pela Justiça, pelo Estado de Direito pleno, pela cidadania, enfim, tudo que represente legitimidade e Democracia para o povo brasileiro.

Vivemos momentos contraditórios, notadamente no século passado. Alternamos momentos de liberdade com ditaduras tupiniquins. Nós, os paulistas, lutamos em 1932 pela implantação de uma constituição democrática. Muitas vidas se foram e outros heróis foram reconhecidos como os valorosos Martim, Miragaia, Dráusio e Camargo.

Nós, os paulistas, somos criticados e até mal vistos por alguns irmãos pouco informados. Sempre batalhamos pelo melhor para o país, muitas vezes com sacrifícios, mas sempre pelo Brasil. São Paulo tem a alma brejeira e singela, aqui temos a síntese de todas as etnias, credos e religiões, mas principalmente, temos uma só voz em defesa dos direitos e garantias de todo o nosso povo brasileiro.

Os maiores juristas pátrios forjaram-se aqui. Rui, Bevilácqua, Gofredo, Reali, Troncoso, Saulo, enfim, uma plêiade de notáveis cada qual em sua área e ao seu tempo. Outros notáveis também se destacaram pelo Brasil afora, o capixaba Ramalhete, o piauiense Evandro, sem esquecer do ícone das liberdades democráticas, Sobral Pinto.

Graças aos nossos cursos jurídicos outras personalidades continuam a surgir, dentro do conceito da boa e melhor cepa. De outra sorte temos acompanhado de tempos a esta data, a tentativa de surgimento e reconhecimento de alpinistas em nosso meio, de forma a apequenar a nossa valorosa advocacia e as nossas instituições, notadamente a OAB paulista.

Participei recentemente do processo sucessório de nossa entidade nas eleições do ano passado encabeçando o movimento OAB-SP — Livre sem Cabresto.

A votação alcançada foi numericamente modesta, mas representativa da indignação dos colegas que pude atingir com a divulgação de propostas impessoais, concorrendo contra o poder econômico que acabou por prevalecer, infelizmente. De qualquer forma valeu e muito agradeço aos que me privilegiaram com a confiança depositada.

Assim, após a calorosa disputa, determinei-me ao silencio, ainda que provisório, de forma a não interferir pelas críticas ao continuísmo implantado por vontade da maioria dos nossos colegas.

Agora, decorridos 8 meses da re-posse da “antiga e nova” gestão, sou obrigado e compelido a manifestar-me pela vontade daqueles que represento, mesmo porque as minorias devem ser respeitadas também.

Lamento verificar a insistência nas práticas proselitistas do nosso presidente continuista, o mesmo que há 3 anos atrás pregava a renovação, diga-se claramente.

Em sua administração, além de nada fazer pelos nossos interesses profissionais, D’Urso especializou-se em apenas tentar projetar-se pessoalmente no mundo político em geral e é o que tem demonstrado insistentemente.

Aliou-se a um grupo de empresários ao invés de unir-se aos seus colegas advogados, e apenas por deleite particular, trombeteia aos quatro cantos seu inconformismo: CANSEI, diz ele. O mesmo podemos dizer ao locador de nossa OAB-SP e aos locatários do nosso subserviente representante: CANSAMOS !!!

Desconhecemos qualquer iniciativa do gestor continuista no sentido de levar ao plenário da entidade o tema para debate e deliberação entre os colegas, para coibirmos o despotismo.

Definitivamente, ainda que admitida como justa a irresignação daqueles empresários aos quais agora prestamos vassalagem, não poderia a OAB-SP, dedicar-se ao proselitismo político com clara conotação partidária.

Ainda que cada um de nós tenha uma predileção política, e é salutar que a tenhamos, não podemos admitir o uso indiscriminado e despudorado da entidade de todos nós advogados, para a suposta defesa de interesses da comunidade, notadamente a empresarial aliada.

Divulgam contrariedades em cima de uma tragédia ocorrida com o avião da TAM, em 17 de julho de 2007, na qual 199 famílias ficaram enlutadas e a nação, perplexa.

Em nenhum momento verificamos a disposição da nossa OAB-SP, em não apenas solidarizar-se aos familiares vitimados, mas, sim, em apresentar-se aos entes angustiados, no sentido de oferecer-lhes os préstimos e suportes jurídicos para o RESPEITO de seus direitos e amparo no alívio de suas dores.

Não, D’Urso, aproveitou-se do mote criado pelo empresariado engalanado e colocou nossa entidade a prestar-lhes serviço de suporte partidário, cabente sim, aos tais líderes políticos de plantão na surda e indolente Brasília, que tanto o encanta.

Tenha lá as pretensões políticas que tiver ou quiser, o que não podemos pactuar é com esta desfaçatez, deslavada e CANSADA. Enfim, restam-nos ainda vários meses de administração continuista e repito, CANSADA.

Não conseguiram nestes meses de “indigestão”, inovar em nenhum segmento ou atividade, apenas aprimoraram-se em seus deleites pessoais.

É, saudades daqueles verdadeiros juristas e brasileiros citados nestas modestas linhas. Hoje, resta-nos o convívio com a mediocridade disseminada nos mais variados segmentos da sociedade.

Conforme consagrado filósofo e Cardeal francês, GAUDI, “quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem, perdem o respeito”. Atentai bem, D’Urso, de sua administração e de seus métodos pessoais, me CANSEI faz tempo, na verdade todos nos CANSAMOS.

Nossa entidade já teve gente que de tão grande, nem precisava ficar em pé, hoje , tão miúda, alia-se a pessoas ditas graúdas e por mais que cresçam e apareçam, permanecem na obscuridade. Novamente RUY, o BARBOSA, “restaure-se a moralidade.....”. Já!

 advogado, especializado em Imprensa e dano moral.

Revista Consultor Jurídico, 17 de agosto de 2007, 14h44

Comentários de leitores

11 comentários

Caro Raul, Ainda que desnecessário aceite meus...

clodoaldo (Advogado Sócio de Escritório)

Caro Raul, Ainda que desnecessário aceite meus respeitos sinceros quanto as palavras no mínimo deseducadas de certo colega que nos antecedeu. Voce será sempre MAIOR. De outra sorte, acato sua recomendação e farei o melhor que puder, sempre,para manter a nossa OAB.SP, VIVA !!! Clodoaldo Pacce Filho LIVRE SEM CABRESTO

Parece-me inadequada a expressão utilizada pelo...

Raul Haidar (Advogado Autônomo)

Parece-me inadequada a expressão utilizada pelo dr. Clodoaldo, que termina seu recente comentário mencionando: "Pelo renascer da OAB.SP." Só se invoca "renascer" para quem morreu ou para algo que morreu. Não é o caso da OAB-SP. Estivesse ela "morta", o ilustre colega não teria se dado ao trabalho de publicar seu artigo. Não é razoável supor que um advogado tão competente, sério, respeitado, que aspirou ser Presidente da OABSP e,por certo, pode ser considerado expressiva liderança da classe, empregue seus esforços na direção de uma "morta". A OABSP não está morta e jamais morrerá, mesmo que venha a ser presidida pelo mais incompetente ou omisso dos colegas. Já tivemos presidente pouco afeito ao trabalho, que se ausentava da direção da entidade, que não comparecia com muita frequência à sede, que se dedicava mais a suas outras atividades, que permitiu que as finanças da entidade ficassem combalidas, etc., mas nem por isso a OABSP "morreu". Qualquer colega que, como o caríssimo Clodoaldo, tenha acompanhado a história da OAB nos últimos 30 anos, sabe a quem me refiro. Não cito o nome, pois esforço-me para esquecer esse tempo triste que a nossa Casa viveu. Portanto,com todo o respeito que dedico ao ilustre Colega da PUC, peço-lhe que se abstenha de tentar fazer "renascer" uma entidade que está bem viva. E que a nossa OABSP, ainda que volte a ter presidente omisso, VIVA PARA SEMPRE !!!

Agradeço a todos os que aqui se manifestaram, i...

clodoaldo (Advogado Sócio de Escritório)

Agradeço a todos os que aqui se manifestaram, inclusive pelos mais cáusticos. O importante era trazer ao debate a legitimidade da atuação da nossa OAB e seus limites. Enquanto entidade representativa deve prevalecer sua atuação, primeiro na defesa da advocacia como um todo, principalmente de nossas “pétreas” prerrogativas, sem jamais afastar-se da defesa do estado democrático de direito. Nestes dias recentes nossa OAB.SP, houve por bem em aliar-se a grupo de empresários, aos quais inclusive, nutro profunda consideração e sincera amizade, para legitimar o dito CANSEI. Movimento de clara conotação partidária e de crítica ao atual governo, o que não deixa de ser legítimo, só que a OAB, seja na esfera que se possa admitir, não deve envolver-se neste contexto. O mote seria a solidarização às famílias enlutadas no acidente aéreo recente, o que na prática do ato realizado na Sé, não se confirmou conforme repercussão da mídia em geral. Ao contrário, os familiares foram relegados ao segundo plano e muitos sentiram-se usados. Inclusive pele nossa OAB. Uma pena. Todas as considerações dos colegas que aqui se juntaram me sensibilizaram e muito, desconsiderando-se apenas a do colega que promove o bairrismo associativo. Ao amigo Alberto Toron, de nomeada, o mesmo traz de volta considerações sobre a “direita e a esquerda” que julgava sepultada. De nossos saudáveis tempos acadêmicos da PUC, lutamos todos pelo fim da ditadura, só que para alguns, quem não era da esquerda era obrigatoriamente, da direita. Estudante TINHA que ser da esquerda. Eu, reservei-me ao centro, onde procuro me manter até hoje. Defendi Flávia Schilling, estive ao lado de Teotônio e Brossard, apenas alicerçado em minhas convicções, sempre democráticas. Pelo renascer da OAB.SP.

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