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Caso Richarlyson

Richarlyson quer R$ 300 mil por ser chamado de gay

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O jogador são-paulino Richarlyson Felisbino quer receber R$ 300 mil do diretor administrativo do Palmeiras, José Cyrillo Júnior. O palmeirense insinuou que Richarlyson é gay em um programa de televisão. O pedido de indenização por danos morais foi ajuizado na 25ª Vara Cível da Capital de São Paulo.

A polêmica “Richarlyson é gay ou não” começou quando o jornal Agora São Paulo noticiou que um jogador de futebol estava negociando com o Fantástico, programa da TV Globo, para revelar no ar a sua homossexualidade. Em junho, durante o programa Debate Bola, da TV Record, José Cyrillo Júnior foi questionado se o tal jogador homossexual era do Palmeiras. Cyrillo se saiu com essa: “O Richarlyson quase foi do Palmeiras”.

Segundo o advogado do jogador, Renato Salge, o episódio prejudicou a imagem de Richarlyson. “Ele sofreu transtornos com a declaração de Cyrillo, teve de se recolher no CT do São Paulo por causa do assédio, seus vizinhos e familiares foram procurados para dar entrevistas”, conta Salge.

Para o advogado, a intenção de Cyrillo de ofender Richarlyson e prejudicar a sua carreira ficou clara. “Richarlyson tem um contrato até 2008 com o São Paulo. E se o time não quiser renovar depois? E se não for chamado para a seleção brasileira? O técnico Felipe Scolari já disse que não convocaria um homossexual para a seleção.”

Renato Salge afirma que a perseguição do Palmeiras a Richarlyson começou logo que ele saiu do Santo André e, por questões contratuais, não foi para o Palmeiras. Já contratado pelo São Paulo, seu primeiro gol com a camisa do Tricolor foi contra o Palmeiras, conta Salge, ocasião em que Richarlyson fez a polêmica dança de funk. “O boato sobre a sexualidade dele começou aí.”

Perguntado se ser chamado de homossexual ofende a honra, Renato Salge responde: “Ele é um atleta famoso, diferenciado e até um juiz disse que futebol é coisa de homem. Ninguém tem o direito de falar de outro. A discussão não é se ele é gay ou não”. A propósito, em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, Richarlyson afirmou: “não, não sou gay”.

Futebol de macho

O juiz que afirmou que futebol é para macho é Manoel Maximiano Junqueira Filho, da 9ª Vara Criminal de São Paulo. Ele analisava queixa-crime de Richarlyson contra Cyrillo. A brincadeira agora pode render uma punição administrativa para Junqueira. Ele já foi afastado do processo e ainda terá de responder a procedimento administrativo no Tribunal de Justiça de São Paulo e no Conselho Nacional de Justiça.

Processo: 583.00.2007.212366-7

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 16 de agosto de 2007, 21h46

Comentários de leitores

13 comentários

A lealdade tribal, não princípio filosófico, qu...

Sandra Paulino (Advogado Autônomo)

A lealdade tribal, não princípio filosófico, que se vê expressa em compromissos políticos aos quais nem todos aderiram, paradoxalmente se faz exigida de todos: mesmo os contrários àqueles compromissos. Isso é o que gera preconceito e oprime os que não aceitam a choramingação de "direitos desrespeitados", advinda da maioria dos grupos autodenominados GLBT. Ora, a verdadeira neutralidade, que espanca qquer preconceito é aquela que gera inação. Apenas o "não fazer", por isso não deve haver penas/recompensas. Nosso país habituou-se a superproteger as minorias. E quanto mais o faz, piora a situação de cada uma. Direitos da criança, da mulher, do negro, do idoso, do consumidor, do índio, mas acima de tudo, dos trabalhadores: quanto mais se particulariza, pior fica. O que deve haver, em uma sociedade que se diz "livre", são direitos individuais. De que adianta, por exemplo, haver prerrogativas profissionais dos advogados, se estas além de não serem respeitadas, não são -- na maioria das ofensas (salvo raríssimas exceções) -- defendidas pelo segmento por elas responsável? De que adianta um belíssimo ECA se a polícia agride crianças e nada acontece? Os direitos das mulheres se elas continuam sendo espancadas e mortas? O respeito pelo outro, ainda que ele seja "diferente", começa no berço e, pior, sem políticas públicas de aceitação das diferenças, jamais sairemos desse npivel onde estamos. No caso do jogador/juiz, creio que já expressei opinião aqui e volto a reiterar: o juiz tem o direito/dever de livre convencimento, o que passa NECESSARIAMENTE por sua opinião, desde que não haja direito escrito em contrário. Ninguém é imparcial. O fato de o juiz ter "antecedentes" (oh!!!) não altera nada já que "reverteu os castigos". PARABÉNS DR. MANOEL JUNQUEIRA.

Dr. Roland Freisler, Pelo visto o Juiz tem...

Carlos (Advogado Sócio de Escritório)

Dr. Roland Freisler, Pelo visto o Juiz tem vários advogados. O Juiz errou. Ele, indiretamente, quis dizer que o jogador é homossexual e que não é cabível ter no esporte futebol, um jogador que não seja hétero. O Juiz vai perder no TJ/SP. Data vênia, mas a defesa está na contramão. É como se na inscrição para o concurso de magistrado, um Desembargador dissesse que não acietava a inscrição do candidato pq a opção sexual dele não foi especificada. E se eu fosse o jogador, entrava com uma ação diretamente contra o juiz. Nesta caso houve DOLO. Portanto, o juiz responde pessoalmente pelos danos. Volto a dizer. Cade o CNJ que não pede as dezenas de processos que há contra este juiz para reanalizar. PARABÉNS pelo Conselho Superior da Magistratura que atuou de forma a coibir certos abusos por parte daqueles que acham que são imunes a tudo. Não, não são. Carlos Rodrigues

EU SÓ QUERIA ENTENDER? Pelo que foi dito e esc...

Augustinho (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

EU SÓ QUERIA ENTENDER? Pelo que foi dito e escrito se alguém chama outro de gay, isto é ofensa (com direito a indenização, etc.)Então chamar outra pessoa de gay é xingamento passivel de indenização, porque o futebol é coisa de homem? Se a resposta for positiva, o Juiz está certo! E chamar de macho, dá direito a indenização? Mas o que é homofobia? Estou cada vez mais confuso com a querela.

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