Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Em busca do diferencial

Especialistas dão dicas para escritórios se destacarem no mercado

Por 

Como se destacar num mercado que conta com mais de 500 mil concorrentes. Este é o desafio de cada advogado que resolve sentar banca na praça ou de cada novo escritório de advocacia que se estabelece. Este foi o temário do seminário Gerenciamento e Marketing — Rentabilidade na Advocacia, promovido pela Consultor Jurídico que reuniu mais de 200 profissionais do Direito e da Administração nesta sexta-feira (22/9), em São Paulo.

O evento reuniu uma seleção de craques no assunto. Compareceram para compartilhar seus conhecimentos a consultora de marketing Anna Luiza Boranga, da ALB Consultoria; os administradores de escritórios: Rogério de Góes, do Leite, Tosto e Barros, e Mário Leandro Campos Esequiel, do Mattos Filho; o diretor jurídico Cláudio Vicente Vianna, da Robert Bosch. As novas técnicas de comunicação do escritório com o mercado foram objeto da apresentação do jornalista Maurício Khalil, da Original-123 Comunicações, especialista em assessoria de imprensa para escritórios de advocacia.

O que faz a diferença entre um escritório e outro quase sempre não é apenas o serviço jurídico prestado, explica a consultora Anna Luiza Boranga, “O que vai fazer a cabeça do cliente na hora da decisão é a apresentação do escritório, a forma como ele é administrado e a maneira como ele mostra sua capacitação”, diz ela.

Para isso, o escritório precisa fazer diagnóstico e prognóstico do papel que vai desempenhar. Analisar o perfil do cliente que espera atender e esmerar-se na habilitação para o serviço que vai prestar para adequar a oferta à demanda, explicou a especialista.

Delimitado o papel do escritório e o perfil do cliente, está na hora de investir na promoção, segundo a consultora. Entre as dicas dadas por ela: o escritório precisa desenvolver seus meios de comunicação para informar suas aptidões, como um folder eficiente, website com a apresentação do trabalho, publicar artigos além de oferecer palestras e seminários em que demonstre sua qualificação. Pioneira na área da consultoria de gerenciamento de escritórios, Anna Luiza ofereceu uma panorâmica dos modelos existentes no país, descrevendo as vantagens e desvantagens de cada um.

O diferencial é o requisito mais importante na opinião do diretor jurídico da Bosch, Cláudio Vianna. Ele informou que as empresas recebem os escritórios de advocacia interessados em apresentar-se e mostrar seu portfólio e modelo de prestação de serviços jurídicos.

Nessa apresentação o que conta, além de o escritório demonstrar conhecimento das atividades da empresa, é o que ele pode oferecer a mais. “Nem sempre contrato o escritório pelo menor preço. Se a qualidade do trabalho é superior é justo que os honorários sejam mais altos.” No decorrer de sua palestra, Vianna expôs uma lista de aspectos que as empresas levam em conta para escolher seus prestadores de serviços.

Tratamento de empresa

Para garantir o sucesso dos negócios é necessário que o escritório seja gerenciado como uma empresa, segundo o administrador do escritório Leite, Tosto e Barros, Rogério de Góes. Como toda empresa, o escritório tem como objetivos firmar uma marca própria e perpetuar o empreendimento. Para isso, é necessário que se faça um planejamento estratégico. Definir objetivos e avaliar o cenário para descobrir mercados em potenciais são algumas das dicas. “O desafio é crescer para sobreviver nesse mercado alttamente competitivo.”

O administrador do escritório Mattos Filho, Mário Leandro Campos Esequiel, também diz que os advogados devem pensar com a cabeça de empresário. E, como o empresário, deve fazer um planejamento de crescimento, na busca de novos mercados, com um projeto de orçamento. “De preferência compartilhados por muitas pessoas do escritório, para ter diferentes visões e para que se tenha um comprometimento maior, o que ajuda a atingir os objetivos.”

Para ampliar a possibilidade de conquista de clientes, Esequiel sugere que o escritório amplie as formas de cobrança de honorários. No caso de crise, o administrador diz que deve ser feito o corte de despesas relevantes. Ele também recomenda que seja feito contrato com os clientes sobre como os honorários serão cobrados. O especialista relatou múltiplas alternativas de como se deve fazer para situações para resolver problemas de inadimplência.

Ajuda da mídia

A mídia também pode ser uma grande aliada para tornar o escritório e seus advogados mais conhecidos. Segundo o jornalista Maurício Khalil a cautela exagerada em relação prejudica sociedades e profissionais mais qualificados. "Essa situação abre espaço para que advogados menos qualificados passem a ter mais projeção e, às vezes, mais reputação do que aquele profissional que não se expõe", explicou. É preciso analisar a concorência, recomendou o assessor: “Os escritórios concorrentes estão se comunicando. Às vezes um advogado deixa de atender a imprensa e depois fica indignado ao ver que outro advogado sem o mesmo conhecimento que ele aparece na mídia.”

Ao dar uma entrevista, Khalil alerta que é preciso falar claramente, de forma objetiva, evitando o uso do juridiquês, para que o jornalista possa entender o que está sendo explicado. Depois de publicada, Khalil sugere que a notícia seja enviada para os clientes e amigos do escritório. “O cliente passa a ter mais confiança no trabalho do advogado, já que ele é solicitado pela imprensa para tratar de assuntos, o que demonstra que ele tem conhecimentos.”

 é repórter do jornal DCI.

Revista Consultor Jurídico, 23 de setembro de 2006, 7h00

Comentários de leitores

5 comentários

Olá Dr. Baudelaire Muito oportuno seu coment...

Roseli (Advogado Autônomo)

Olá Dr. Baudelaire Muito oportuno seu comentário no tocante aos grandes escritórios de advocacia. Tenho notado os mesmos procedimentos inoportunos destes. Manifestações imensas e repetitivas. Em contestação de um escritório, recentemente, este praticamente confessou o quanto pedido na inicial juntando documento que comprovou o quanto arguído pelo meu cliente. Outro erro imperdoável que vem ocorrendo nestes escritório é a PERDA DE PRAZO. Em processos que atuei já perderam prazo para contestação, agravo de instrumento e apelação. È UM ABSURDO, e nós próprios mortais, autônomos, por não termos toda a pompa que aqueles têm, somos por eles qualificados como incompetentes. Incompetentes talves, por agirmos juridicamente com objetividade e no interesse de nossos clientes, não na aparência daquilo que eles entendam necessário à defesa de seus direitos, quem deve saber o que é importante somos nós, não os clientes. Abraços colega.

Não é por nada, não... Mas tenho notado uma g...

Baudelaire (Advogado Autônomo)

Não é por nada, não... Mas tenho notado uma grande piora na qualidade dos serviços prestados pelos grandes escritórios: petições com laudas e laudas repetitivas, papéis timbrados com todo o "chic" possível, ar-condicionado perfeito - tudo para encher os olhos do cliente. Entretanto, reparem os colegas mais sóbrios: vejam a qualidade das petições, dos arrazoados e congêneres. No final - e digo sem receio - nota-se que existem peças jurídicas nos computadores, das quais apenas trocam-se os nomes das partes e outras "jogadas" mais. E o vernáculo? Melhor nem falar nisso... Há tempos atrás, preparei um recurso administrativo a pedido de um grande escritório de SP. Mandei a minuta para examinarem. Uma colega telefonou-me, elogiando o trabalho, mas pedindo, quase que envergonhada, que aumentasse o número de laudas, mesmo repetindo os argumentos, porque o cliente achava que, quanto maior o trabalho, melhor o advogado. Terrível, não?

Trabalho, trabalho e trabalho, já dizia o Dr. B...

ALEXANDRE HERNANDES (Advogado Autônomo - Criminal)

Trabalho, trabalho e trabalho, já dizia o Dr. Batuíra, não tem erro !!!

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 01/10/2006.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.