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Dossiê sanguessuga

PSDB pede investigação contra Lula e Thomaz Bastos

Por  e 

PF investiga ligação do PT paulista com montagem do dossiê contra Serra

Segundo os dois intermediários, dinjeiro para comprar o material veio de representante da Executiva Estadual

CUIABÁ - O dinheiro destinado a comprar material para tentar acusar candidatos tucanos de ligação com a máfia dos sanguessugas veio de um representante da Executiva Estadual do PT em São Paulo. A informação foi passada à Polícia Federal nos depoimentos dos dois intermediários da venda presos anteontem - o empresário petista Valdebran Padilha e o advogado Gedimar Passos.

Segundo a PF, eles não revelaram o nome do representante, mas deram uma descrição física detalhada do emissário petista, das circunstâncias do encontro e até a roupa que ele usava na ocasião. O Presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, não quis comentar a informação até o início da tarde de ontem.

Os dois intermediários foram presos num hotel de São Paulo, na manhã de anteontem, com R$ 1,75 milhão, em notas de dólar e real. Eles tinham agendado encontro com Luiz Antônio Vedoin e o tio dele, Paulo Roberto Trevisan, que trariam dossiê supostamente capaz de relacionar o candidato tucano ao governo, José Serra, e o candidato à Presidência, Geraldo Alckmin, com o esquema de venda superfaturada de ambulâncias a prefeituras, a partir de emendas de parlamentares ao orçamento federal. Vedoin é um dos donos da Planam, empresa que funcionava como pivô do esquema, e foi detido em Cuiabá após a prisão dos intermediários.

Gedimar Passos deu uma descrição detalhada do dirigente petista que teria lhe entregue o dinheiro para pagar pelo material. Ele e Valdebran Padilha informaram à PF que cabia a eles avaliar a qualidade do material oferecido por Vedoin. Também seriam os dois intermediários os responsáveis pela divulgação, visando a prejudicar as candidaturas tucanas. No depoimento, eles contaram que houve dificuldade em levantar o dinheiro e que, inicialmente, Vedoin pediu R$ 20 milhões. Com o primo de Vedoin também preso, na noite de quinta-feira, quando embarcava para São Paulo, foram encontrados uma fita de vídeo, um DVD, uma agenda e seis fotos. As imagens mostram a filmagem da entrega de 40 ambulâncias adquiridas da Planam para prefeituras do Mato Grosso, quando Serra era ministro da Saúde. Algumas imagens também mostram Alckmin, então governador paulista. Depois de muita negociação, o negócio teria sido fechado em R$ 2 milhões – quantia que o Diretório Estadual do PT não possuía na totalidade, segundo Gedimar Passos.

O primo de Vedoin, Paulo Trevisan, havia sido posto em liberdade anteontem, após depor à PF. Ontem, ele voltou a ser preso por determinação da Justiça Federal em Mato Grosso. Padilha e Pereira devem ficar presos por cinco dias e ser transferidos para Cuiabá.

Exploração eleitoral

As ramificações eleitorais do caso têm ficado mais claras desde a quinta-feira à noite, quando surgiram as primeiras informações de que a revista IstoÉ publicaria entrevista com os donos da Planam acusando Serra e seu sucessor no Ministério da Saúde, Barjas Negri, de facilitar a ação da máfia entre 2000 e 2004. "Na época deles o negócio era bem mais fácil", disse à revista Darci, pai de Luiz Antônio Vedoin.

Investigações e escutas da Polícia Federal apuraram que Vedoin acertara a venda do material para os dois receptadores em São Paulo. Detalhe: Valdebran, é filiado ao PT há anos, foi tesoureiro da campanha petista à prefeitura de Cuiabá e chegou a ser indicado para diretoria da estatal Eletronorte durante o governo Lula.

Procurada, a direção da revista indicou repórter Mário Simas Filho falar sobre o caso anteontem. Ele afirmou não ter "a menor idéia" se haveria um esquema entre Vedoin e o PT e que, jornalisticamente, fez seu trabalho, ao reproduzir o que foi dito pelos Vedoin em entrevista. "Eu sei que não participei de nenhum esquema", disse ao repórter.

Já o jornal a Folha de S. Paulo destaca em sua manchete de domingo, dia 17 de setembro (doc. anexo):

PT-SP pagou por dossiê contra Serra, diz preso

Presidente nacional do partido nega ligação com dinheiro apreendido

O advogado Gedimar Pereira Passos disse, em depoimento à Polícia Federal, que recebeu de um representante da Executiva do PT em São Paulo, cujo nome ele disse não saber, dinheiro para comprar um dossiê contra o candidato a governador de SP pelo PSDB, José Serra.

Outra parte do dinheiro, afirma Passos, que foi preso anteontem, veio de uma revista, cujo nome ele também disse desconhecer. O dossiê, segundo a PF, foi enviado por Luiz Antonio Trevisan Vedoin, também preso e apontado como chefe da máfia dos sanguessugas.

Ontem a PF prendeu Paulo Roberto Trevisan, tio de Vedoin. Ele foi encarregado de levar o dossiê que envolve José Serra, quando ministro da Saúde, com o esquema de venda das ambulâncias. Será disse que a acusação é uma “calúnia deslavada, uma armação”.

O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, disse por meio de sua assessoria, que não existe no depoimento prestado por Passos à Polícia Federal nenhuma vinculação do dinheiro apreendido e o PT, mas não confirmou se ele teve acesso às declarações.

Malgrado as negativas do terceiro representado, as declarações prestadas à Polícia Federal, segundo retratam os órgãos de imprensa, indicam que os recursos apreendidos provieram do Partido dos Trabalhadores.

E não há como negar o interesse da referida agremiação, conquanto reprovável, de fazer chegar ao conhecimento público possíveis denúncias contra os candidatos adversários, especialmente o da Coligação requerente, que tem condições reais de disputar a Presidência da República.

É velha a conhecida tática de, na reta final da campanha eleitoral, fabricar algum fato escandaloso com a finalidade de fazer com que o eleitor coloque em dúvida a confiança que deposita em determinado candidato.

Fato mais grave ainda, divulgou-se no site do jornal O Estado de S. Paulo de hoje a seguinte matéria:

Preso diz à PF nome de petista que mandou comprar dossiê de Vedoin

Advogado revela que 'Froude' ou 'Freud' o escalou para pagar R$ 1,75 mi por papéis contra candidatos tucanos

Sônia Filgueiras, , Vannildo Mendes, , Ana Paula Scinocca

O advogado Gedimar Passos deu, em depoimento à Polícia Federal (PF) de São Paulo, o nome da pessoa do PT que teria sido a responsável pela operação de compra do dossiê contra os candidatos do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, e à Presidência, Geraldo Alckmin, e o ex-ministro da Saúde, Barjas Negri, também tucano. Gedimar declarou que foi a mando de um homem chamado 'Froude' ou 'Freud' que recebeu a missão de pagar R$ 1,75 milhão por documentos e informações sobre o suposto envolvimento dos políticos no esquema de venda de ambulâncias superfaturadas.

Segundo ele, consta que o mandante da operação seria dono de uma empresa de segurança 'no (eixo) Rio de Janeiro/SP'. Ele também afirmou que não sabe dizer se 'Froude' ou 'Freud' tem influência no PT, mas a polícia já trabalha na identificação do responsável. Há pistas que apontam para Freud Godoy, atual assessor do Gabinete da Presidência e ex-coordenador de segurança das quatro campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. É uma espécie de fiel escudeiro do presidente desde a década de 80. Segundo informações de funcionários do Diretório Nacional do PT de São Paulo, Freud é sócio de uma empresa de segurança que presta serviços ao partido. Ele foi procurado, mas não foi localizado ontem pelo Estado (leia ao lado).

Gedimar e o empresário petista Valdebran Padilha foram presos na sexta em São Paulo com R$ 1,75 milhão, em notas de real e dólar. Eles estavam em um hotel da zona sul e tinham agendado encontro com Luiz Antônio Vedoin e o tio dele, Paulo Roberto Trevisan, que teriam dossiê supostamente capaz de relacionar Serra e Alckmin com a venda superfaturada de ambulâncias para prefeituras. Vedoin é dono da Planam, empresa que vendia os veículos e era o pivô do chamado esquema dos sanguessugas.

Os dois deveriam verificar a autenticidade do material. Num depoimento prestado anteontem, eles contaram que o dinheiro para adquirir o dossiê veio de um representante do PT de São Paulo. Gedimar também descreve os dois emissários do PT que teriam entregado o dinheiro destinado ao pagamento pelo dossiê. Segundo o advogado, o primeiro R$ 1 milhão ele recebeu de um desconhecido no estacionamento do hotel onde estava hospedado na véspera de ser preso. O restante, de uma pessoa que se identificou como 'André'.

Ainda conforme o depoimento do advogado, o PT teria tido dificuldades de levantar o dinheiro. Assim, teria trazido para a operação um órgão de imprensa que teria exclusividade na divulgação do material. O mesmo dossiê também seria entregue por Vedoin à Justiça Federal de Mato Grosso. No dia 14, o advogado do empresário protocolou na Justiça do Estado todos os documentos relacionados ao suposto envolvimento de um empresário ligado a Barjas, hoje prefeito de Piracicaba (SP), no esquema.

Gedimar disse não saber exatamente qual o órgão que participaria da operação de compra, se uma revista ou um grande jornal paulista. A reportagem com o dossiê envolvendo Serra e Negri foi publicada pela IstoÉ desta semana. A revista nega envolvimento.

O advogado contou que, originalmente, os Vedoin pediram R$ 20 milhões pelo material, mas, com o avanço das negociações, a soma caiu para R$ 10 milhões, depois para R$ 2 milhões e acabou sendo fechada por R$ 1,75 milhão. O processo de entrega dos documentos teve percalços. Segundo ele, os Vedoin entregaram informações velhas e um CD vazio aos jornalistas que foram para Cuiabá para a entrevista.

Gedimar contou que o pagamento de parte do dinheiro estaria condicionado ao recebimento da documentação pelos jornalistas. Já Luiz Antônio Vedoin só queria liberar a papelada após receber o dinheiro.

Os Vedoin teriam procurado o PT para vender os dados porque estariam com os bens indisponíveis. A documentação a ser oferecida seria volumosa: milhares de páginas e documentos que comprometeriam gravemente políticos de outros partidos e do próprio PT. O conteúdo envolveria não só sanguessugas, mas outros esquemas de corrupção. No entanto, Paulo Trevisan, tio de Vedoin, preso na operação , tinha em seu poder só uma pasta com fotos e registros em vídeo da cerimônia de entrega de ambulâncias da Planam com a participação de Serra.

No caso, em face da situação extremamente desconfortável em que se encontra o primeiro representado, que tem vários de seus auxiliares e colaboradores envolvidos em inquéritos policiais e denúncias, é óbvio o interesse em criar artificial envolvimento de seu oponente com episódio negativo e, com isso, sustentar que ninguém está isento de acusações.

 é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.

 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 18 de setembro de 2006, 19h03

Comentários de leitores

31 comentários

LULLA PARA PRESIDENTE! Presidente Bernardes ...

Richard Smith (Consultor)

LULLA PARA PRESIDENTE! Presidente Bernardes ou Presidente Venceslau...!

Mas, meu querido amigo Marco, o que este (des)g...

Richard Smith (Consultor)

Mas, meu querido amigo Marco, o que este (des)governo "que aí está" vem fazendo, senão propaganda mesmo? E desonesta, porque mentirosa! Um abraço.

Com todo o respeito: De tudo o que se viu até a...

Marco Aurelio M (Outros - Administrativa)

Com todo o respeito: De tudo o que se viu até agora, e que não é pouco, o que mais me choca é que nosso atual presidente (com MINÚSCULA, mesmo!), ainda ontem, recebeu de uma ONG americana o "título" de "Estadista do Ano"!! É o CÚMULO DO ESCÁRNIO!! Confunde-se carisma com competência, discurso com resultado e justa indignação com preconceito social e ideológico! A verdade é que o mito "Lula" tem pai e mãe: 1- Seu pai é o projeto de poder de uma esquerda romântica intelectualizada (e altamente elitizada), de base eclesiástica-reformista, que sonhou o sonho dourado do socialismo marxista (que, embora válido como crítica social e filosófica, não construiu verdadeiras alternativas estruturais de sociedade); o melhor exemplo desse segmento é, sem dúvida, a Profa. Marilena Chauí, que resiste bravamente a retirar a venda que lhe cobre os -argutos- olhos. 2- A mãe do mito é a ambição, que ao chegar ao Poder degenerou-se em corrupção (do velho ditado: "quem nunca comeu melado..."). Essa degeneração é sobretudo conceitual, pois a ascensão desse personagem nada mais apenas fez substituir os antigos donos do poder em seu papel histórico; ao invés de se esforçar para desmontar os esquemas arcaicos que travam o desenvolvimento do país desde a sua inauguração, essa nova corja com eles deslumbrou-se, lambuzando-se com suas regalias. Disso são exemplos os inúmeros ex-guerrilheiros (salvo a honrosa exceção do Dep. Fernando Gabeira), ex-contestadores sociais, ex-líderes populares, ex-juristas independentes e ex-artistas de vanguarda, vendilhões de suas biografias e de suas consciências. Assim, a única resposta sincera e verdadeira a todas as denúncias veio do próprio Lula: "Só fizemos o que se faz há séculos no Brasil". Esse mesmo mito & CIA outrora simbolizou a luta contra a corrupção, representada pelo então presidente Collor. Como tive a oportunidade de participar (modesta, mas ativamente) daquele momento, posso afirmar que os juristas dequele tempo (os mesmos que ou silenciam, ou apóiam ou se refastelam nessa lama), na peça oficial que resultou na abertura do processo de Impeachment, destacavam apenas "fatos notórios", "notícias na imprensa", "fortes indícios" e "inabilitação moral para o exercício do cargo" como elementos suficientes para a abertura do julgamento político daquele Chefe de Estado. E agora???? Fico com o Jurista Prof. Miguel Reale, no artigo da Folha de hoje: "CRIE VERGONHA, BRASIL!"

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