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Sigilo do caseiro

Defesa de Palocci usa carta de Mattoso para inocentar ex-ministro

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Ou será que o princípio da verdade real, quando mostra inocência não é mais imprescindível em determinados setores?

Por que abandonar agora o que foi tão insistentemente pretendido?

Em razão do exposto requer-se juntada da inclusa documentação e, ainda, que seja efetivamente cumprida a decisão desse douto juízo que determinou a vinda aos autos dos dados telefônicos da residência oficial do Ministro da Fazenda.

Nestes termos, pede deferimento

José Roberto Batochio, advogado

OAB/SP n. 20.685

Ricardo Toledo Santos Filho, advogado

Leia a carta de Mattoso

Estimados amigos e amigas

Muitos de vocês telefonaram, enviaram mensagens eletrônicas ou através de amigos comuns, de apoio e solidariedade frente ao episódio que me levou a colocar o cargo de Presidente da Caixa Econômica Federal à disposição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva há mais de dois meses.

Não pude responder a muitas dessas manifestações. Tampouco respondi às notícias, especulações ou simples ilações produzidas e/ou divulgadas pela mídia sobre essas questões. Certo ou errado, desde que me afastei da CAIXA decidi manter-me junto a minha família, sem contatos públicos ou com a imprensa.

Quem me conhece sabe que minha biografia pessoal e profissional sempre esteve marcada pela defesa de idéias, do interesse público e de valores éticos. Meu patrimônio é minha biografia.

Durante os anos de chumbo, na militância, na clandestinidade, prisão, tortura ou exílio combati a ditadura em defesa de valores e idéias coletivas.

No retorno do exílio, minhas atividades como pesquisador, professor universitário ou gestor do centro de pesquisa foram consolidadas através do reconhecimento de minha capacitação profissional e da realização de concursos públicos e de bancas examinadoras. Assim completei meu mestrado, doutorado e pós-doutorado; assim ingressei e desenvolvi minha carreira universitária na UNICAMP.

Em cargos públicos — como secretário de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo ou como Presidente da CAIXA — meu objetivo sempre foi o de desenvolver e valorizar as instituições em que trabalhei.

Os resultados históricos alcançados pela CAIXA nos mais de três anos que tive a honra de dirigi-la mostram que valeu a pena e que a equipe que congregamos apresentou resultados incontestes. Se os números econômico-financeiros têm sido os melhores da história dessa longeva instituição, não foram menos importantes os resultados operacionais: crescimento do crédito comercial acima dos correntes do sistema financeiro nacional, melhor desempenho dos últimos doze anos do crédito habitacional, contribuindo ao deslanche do setor da construção, significativa ampliação do número de agências e correspondentes bancários, realização do maior processo de inclusão bancária no país, participação ativa como operador do programa Bolsa-Família, melhoria do atendimento aos nossos clientes — sendo que a Caixa está há mais de dois anos ausente da lista de reclamações do Banco Central — e internalização do novo modelo lotérico, tarefa gigantesca e complexa, realizada em prazos extraordinariamente exíguos.

Nestas linhas, não objetiva analisar o período recente, nem definir perspectivas pessoais. Não analisarei a conjuntura política pré-eleitoral vivida pelo país e as motivações que têm impulsionado parte das denúncias e muitos dos processos difamatórios em curso. Também não farei considerações sobre especulações veiculadas pela imprensa.

Neste momento, desejo apenas disponibilizar aos meus amigos, amigas, colegas e companheiros alguns elementos e informações sobre o assunto que me levou a sair da Presidência da CAIXA:

1. A CAIXA, como toda e qualquer instituição do sistema financeiro nacional, tem acesso aos dados bancários de seus clientes. Dessa forma, fazer pesquisas cadastrais na sua base de clientes e emitir extratos são atividades rotineiras de qualquer instituição financeira. Tais instituições também devem evitar a divulgação indevida dessas informações e — ao mesmo tempo — transmitir às autoridades competentes (Banco Central e Conselho de Controle das Atividades Financeiras) quaisquer informações que indiquem movimentações financeiras atípicas, definidas normativamente.

2. Eram intensos os rumores em Brasília de que o Senhor Francenildo Costa estaria fazendo declarações e denúncias (como as realizadas em entrevista ao jornal Estado de São Paulo no dia 14 de março e em depoimento à CPI no dia seguinte) supostamente motivadas por recebimentos de valores. Em função desses rumores, tomei a iniciativa de solicitar, no dia 16 de março, à noite, as suas informações bancárias disponíveis na CAIXA e, caso confirmadas, movimentações financeiras atípicas, enviá-las às autoridades competentes, de acordo com as normas correntes.

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 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 13 de setembro de 2006, 19h00

Comentários de leitores

18 comentários

Meu caro Josimar: Embora eu seja um pentelho...

Richard Smith (Consultor)

Meu caro Josimar: Embora eu seja um pentelho, não creio mesmo, que estejamos saindo do foco. Veja bem: segundo as "rigorosas" pesquisas que se leêm por aí, o Nefasto estaria reeleito no primeiro turnoainda, com 53% dos votos. Você acredita mesmo nisso? Você acredita que mais da metade do povo brasileiro, da noite para o dia tenha virado uma cambada de safados? Que se lixam para a honradez, para a ética básica, para as lições de moral aprendidas em casa? Eu não acredito! Daí o porque discutir e esmiuçar certas opiniões, acredito ser da maior importância neste triste período no qual estamos vivendo. Mas calma, que eu sou da maior boa paz. Não mordo ninguém (muito, pelo menos!). Um grande abraço.

VOCÊS DOIS QUEREM PARAR DE BRIGAR????????? Amb...

Josimar (Consultor)

VOCÊS DOIS QUEREM PARAR DE BRIGAR????????? Ambos tem suas razões, porém estão perdendo o Foco do assunto em questao. Jáficouclaro pela maioria dos comentários, que o Palocci está absolvido. No mais, vamos nos concentrar no proximo tema e depois voltamos ao novo debate.

Meu caro Sr. Dinarte Bonetti, empresarial: O...

Richard Smith (Consultor)

Meu caro Sr. Dinarte Bonetti, empresarial: O senhor menciona que o citei. E está correto. Este é um espaço público de opinião e não só as matérias podem ser comentadas, mas também os comentários. Na sua resposta aos meus singelos, o senhor imputa a mim uma certa "deformação intelectual", alternativa a um simples "oportunismo politiqueiro". Que seria, aquele último, típico de quem "já tem candidato desde que nasceu". Declara ainda não ter escolhido candidato. Hum. Não é o que parece. O seu cínico comentário desdenhoso acerca da "histórinha" do caseiro e mais, a sua surpreendente (para quem não tem deformações intelectuais, é claro)declaração de que o sr. palocci estaria sendo crucificado, o apontam como cultor extremado da "quase-lógica", "quase-verdade", "quase-moral" e "quase-ética" do nosso (seu) "Amado Líder". Permita-me desacreditar então, desta sua declaração. Quanto aos erros e crimes do governo Fernando Henrique Cardoso, a história e a justiça (senão esta a Divina) haverão de julgar. Nem porisso, eles se traduzem em salvo-condutos para os outros, ENORMES, "deste governo que aí está" Quanto a mim e ao meu nome, já que o senhor se permitiu, novamente, diversas opinões acerca (mr.Smith, que engraçado! O senhor não resistiu a essa, não?)permita-me esclarecer algumas coisas: Sou descendente de irlandeses, porém brasileiro, paulista, paulistano. Sou casado, tenho 46 anos de idade e forneço, modesta, porém considerada consultoria a empresas e escritórios de advocacia. Sou filho de um humilde funcionário público estadual, hoje aposentado e de uma dona-de-casa. Estudei sempre em escolas estaduais e vivo, como diz o vulgo, "da mão para a boca". Trabalho sozinho, não tenho férias + 1/3, FGTS, 13º. salário e, muito menos, 14º. licença prêmio, estabilidade e outras benesses comuns a uma certa faixa do eleitorado do Indigno. Também ao contrário de muitos e muitos PeTelhos (não o estou incluindo nesta categoria, desta vez), sei ler e escrever e costumo comer no prato, com garfo e faca. E tenho, como riqueza, a vergonha na cara que meu pai me deu. Atenciosamente. Richard Smith.

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