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Interesse público

Juiz defende direito de imprensa divulgar grampo ilegal

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O jornalista não deve ser responsabilizado por divulgar conteúdo de interceptação telefônica, mesmo sem autorização judicial, que tenha caráter de interesse público. Desvios de dinheiro e corrupção administrativa têm de ser divulgados pela imprensa já que não fazem parte da vida privada ou da intimidade do ocupante do cargo e é direito da sociedade ter acesso às informações. A opinião é do juiz Guilherme de Souza Nucci, que dividiu a mesa sobre Interceptação Telefônica e Liberdade de Imprensa com o jornalista da Folha de S.Paulo, Mario César Carvalho, no 12° Seminário Internacional promovido pelo IBCCrim — Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, que acontece até sexta-feira (1/9), em São Paulo.

O juiz disse que o artigo 220, parágrafo 1° da Constituição Federal, é claro ao afirmar que nenhuma lei pode vedar a plena liberdade do jornalista de divulgar informação com exceção nos casos de violação da intimidade da pessoa no qual o interesse social não prevalece. Por isso, ele ressaltou que existem dispositivos claramente inconstitucionais na Lei 9.296/96 sobre interceptações telefônicas que limitam o direito de informar do jornalista.

Para Nucci, a imprensa, ao divulgar trechos de gravações telefônicas, tem até se comportado bem. “Não vejo abusos da imprensa brasileira. Os jornalistas têm agido com essa ética de cortar os trechos que envolvem a vida privada e a intimidade das pessoas.”

Mas ele ressalvou que em casos em que o jornalista participou do ato do grampo ilegal ou induziu alguém a praticá-lo este deve ser processado criminalmente. Também pode responder judicialmente, na opinião de Nucci, o jornalista que divulga informações de um processo que corre, por decisão do juiz, em segredo de Justiça.

O repórter Mario César de Carvalho foi mais além e disse que a imprensa não é punida por divulgar interceptações telefônicas, mesmo que ilegais, porque há um consentimento da sociedade. “O grampo tornou-se uma espécie de vingança social. É uma recompensa simbólica para a impunidade”, afirmou. Para ele, cabe à Justiça zelar pelo segredo. “A imprensa tem a função de divulgar o que é socialmente relevante e a sociedade aprova.”

 é repórter do jornal DCI.

Revista Consultor Jurídico, 1 de setembro de 2006, 7h00

Comentários de leitores

16 comentários

Não fosse a liberdade garantida pela Constituiç...

Silvio (Jornalista)

Não fosse a liberdade garantida pela Constituição, não teríamos aquela reportagem sobre os deputados que foram filmados "ilegalmente" pedindo propina ao governador do Estado. Quantos golpistas foram tirados de circulação graças à reportagens fundamentadas em grampos e filmagens ocultas que os desmascararam.!

Brilhante a posição do juiz. Atualmente, não só...

Silvio (Jornalista)

Brilhante a posição do juiz. Atualmente, não só os grampos "ilegais" contribuem para desmascarar corruptos como também as filmagens "ilegais". O interesse coletivo não pode ser vedado.

Meu já fui alumo do MM na escola do Marcato.......

pefesa (Advogado Autônomo - Civil)

Meu já fui alumo do MM na escola do Marcato....se realmente foi essa a intenção e a idéia a se passar, só posso lamentar

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