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Pacote de dinheiro

Revista Época não tem de indenizar Henrique Pizzolato

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Jefferson disse a verdade no Congresso ao informar que Valério era o intermediário para resolver as dívidas do PT com o PTB. Foi para provar que a propina não era para ele, mas sim para os partidos, que Valério levou como acompanhante em uma das viagens o tesoureiro de Jefferson, Émerson Palmieri. É especulação imaginar que o presidente da Portugal Telecom teria estimulado uma operação de caixa dois. Mas é fato que Miguel Horta e Costa recebeu Valério e o indicou para uma audiência com o então ministro de Obras e Comunicações de Portugal, António Mexia. Três semanas atrás, em entrevista ao semanário Expresso, Mexia disse que recebeu Valério 'na qualidade de consultor do presidente do Brasil'. A afirmação foi recebida como escândalo, pois seria o primeiro elo real entre Valério e Lula. Na quinta-feira, Mexia recuou e disse que Valério foi recebido apenas como empresário.

A direção da CPI dos Correios trabalha com a hipótese de que as operações de Valério em Portugal eram a fase dois de suas relações com o PT. O primeiro esquema, já comprovado, era o uso das agências de publicidade SMP&B, DNA e Graffitti para pagar contas e dívidas de campanha do PT e de seus aliados PL, PP e PTB — operações consideradas um 'crime menor' nas atuais circunstâncias.

Já a conexão portuguesa faria parte do tráfico de influência para bancos, seguradoras e companhias telefônicas obterem contratos e vantagens no governo Lula. Nesses contatos, Valério, o avalista dos empréstimos ao PT nos bancos Rural e BMG, invertia os papéis com Delúbio Soares. Era o tesoureiro do PT quem aparecia como fiador de que Valério tinha poderes para falar como representante do PT em negociatas no governo federal.

Roberto Jefferson afirmou que Valério e Palmieri foram a Lisboa por ordem do ex-ministro José Dirceu. Teria sido a fórmula encontrada para o PT quitar as dívidas com o PTB — a origem de toda a crise política. Dirceu nega.

Treze dias antes da viagem de Valério a Lisboa, em 11 de janeiro, o ex-ministro recebeu o principal acionista da Portugal Telecom, Ricardo Espírito Santo, acompanhado de Marcos Valério. Dirceu e o banco Espírito Santo afirmam que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Jefferson acusou o banco Espírito Santo de participar de outro esquema - a proposta de transferência para o banco português de US$ 100 milhões de investimentos externos do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). A proposta era defendida por Lídio Duarte, o indicado por Jefferson no IRB, mas não prosperou. O banco Espírito Santo admitiu que tentou captar dinheiro do IRB, mas negou ter recorrido ao tráfico de influência para azeitar a negociação com a seguradora estatal.

Concorrentes dizem que Valério já havia trabalhado antes para a Portugal Telecom. Ele teria influído na decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de manter a divisão das tarifas das ligações entre telefone fixo e celular. Pelas regras de 1998, de cada real gasto nas ligações entre aparelhos celulares e fixos, os primeiros ficavam com a maior parte. Como é a única grande companhia que só opera celulares, a Portugal Telecom é, por meio da Vivo, a maior beneficiária dessa divisão.

As companhias fixas tentaram várias vezes mudar a relação, mas não conseguiram convencer a Anatel. Segundo os concorrentes, Valério teria sido fundamental para a manutenção da regra. Ele também teria prometido aos portugueses que convenceria a Anatel a antecipar a entrada no país dos ä celulares de terceira geração. Procurada por Época, a direção da Portugal Telecom em Lisboa desmentiu 'categoricamente' que Marcos Valério tenha feito lobby para a empresa. 'Neste escândalo todo, a Portugal Telecom vai aparecer ou como culpada, ou como pateta por ter recebido o Valério em Lisboa. É ruim, mas prefiro que a empresa saia como pateta', diz um executivo ligado às operações da Portugal Telecom. Os executivos da Portugal Telecom ficaram em pânico com a possibilidade de aparecer como a ligação que faltava para incriminar o presidente Lula e foram apanhados de calças curtas. Aproveitando as férias escolares na Europa, muitos estavam viajando com a família quando o escândalo estourou.

A venda da Telemig era apenas o pontapé inicial da mais ambiciosa tacada dos interesses que Marcos Valério defendia na telefonia. O foco era realmente a venda da Brasil Telecom, a terceira maior telefônica do país. Os quatro sócios da empresa (banco Opportunity, Citibank, Telecom Italia e fundos de pensão liderados pela Previ) vivem há anos em uma disputa sanguinária. Valério apareceu em duas etapas da barafunda. No início do governo Lula, ele aproximou Delúbio Soares do Opportunity de Daniel Dantas, o banqueiro odiado por um dos principais assessores de Lula, o secretário Luiz Gushiken. Em meados de 2004, quando negociava a venda da Telemig para a Vivo, Dantas já tinha a seu lado o então ministro José Dirceu. Com o dinheiro que ganharia da venda da Telemig, Dantas pretendia comprar a parte do Citibank e se tornar o controlador inconteste da Brasil Telecom.

Gushiken, apoiado por concorrentes de Dantas, trabalhou para que a Previ se aproximasse do Citibank e vetasse o negócio. Meses depois, Citi e Previ assinaram um polêmico contrato de venda conjunta de ações na Brasil Telecom. O acordo prevê que, se a venda não sair até o final de 2007, a Previ se obrigará a comprar a parte do Citi, 'mesmo que isso contrarie as regras da Anatel'. Se efetivamente ocorrer, o valor dessa venda futura será 30% maior do que aquele que outra companhia, a Telecom Italia, já tinha oferecido antes pelas ações que o Opportunity tem na mesma companhia. De acordo com a Previ, o acordo com o Citibank foi correto porque, entre outras vantagens, evita uma venda separada que traria prejuízos aos investimentos. Um cenário possível sem o acordo era que a Telecom Italia comprasse apenas a parte do Citi e do Opportunity, deixando os fundos sem condições de uma venda rentável. Hoje, além da Telecom Italia, são candidatos a comprar a Brasil Telecom a Portugal Telecom e a Telemar.

Em sua segunda aparição no caso Brasil Telecom, Valério integrava a corrente que trabalhou pesadamente para derrubar o presidente da Previ, Sérgio Rosa, e substituí-lo pelo diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato — o mesmo que pediu aposentadoria depois da descoberta de que recebeu R$ 326 mil em dinheiro vivo da agência de publicidade DNA. O ex-tesoureiro Delúbio Soares atuou em dobradinha com Valério contra a direção da Previ. Uma troca de Rosa por Pizzolato no comando do fundo de pensão provavelmente teria como resultado um acordo entre o fundo de pensão e o Opportunity.

As agências publicitárias de Marcos Valério trabalham para várias empresas ligadas ao Opportunity, mas o banco nega que os serviços prestados incluam lobby. 'No governo Lula, a Previ atuou até contra os interesses de seus pensionistas para prejudicar o Opportunity. A Polícia Federal invadiu a casa de Daniel Dantas e fez cinco pedidos de prisão contra ele', afirma um executivo do Opportunity. 'Que diabos de lobby é esse que o Valério fazia para a gente que só nos prejudicava?' Pode ser. Mas, nessa briga, ninguém tem certeza de nada.




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 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 21 de outubro de 2006, 6h01

Comentários de leitores

5 comentários

A Noticia Abaixo saiu agora 22/10/2006 17:57:00...

Luiz P. Carlos (((ô''ô))) (Comerciante)

A Noticia Abaixo saiu agora 22/10/2006 17:57:00. http://odia.terra.com.br/politica/htm/geral_63396.asp Confirma que a turma do Alckimim fez passeata com o DONO de Duque de Caxias ZITO e Família (Os dólares do Dossiê saíram de D.Caxias, diz a Imprensa) na passeata estava Eduardo Paes que é cria da família Maia (ñ falei cria política falei cria familiar) e afilhado político preferido do Factoide (César Maia). Esta ai se consumando que a estória do Dossiê PT foi uma farsa articulada entre as quadrilhas PT & PSDB. Tipo assim: O PSDB arrecadou no Pedágio Municipal a quantia 1,7 que teoricamente jamais seria descoberto, inventaram um suposto interesse do PT em comprar um suposto Dossiê que incriminaria o PSDB. E soltaram a bomba no ar. Sabiam de ante mão que a grana estava perdida, queimada, jogada fora. O objetivo obviamente era criar uma noticia para derrubar o seu adversário e mafioso Lula. Dai eu estar convicto desde o começo que: DOSSIÊ PT - DINHEIRO PODE TER ORIGEM NO PEDAGIO. Só o pedágio urbano Municipal tem um BANCO PARTICULAR com caixa forte abaixo das cabines de arrecadação (sem a devida autorização do Banco Central), só um pedágio poderia dispor de tanta grana miúda de uma só vez. Depois dessa descoberta eles não vão mais querer saber a origem do dinheiro. VAMOS EXIGIR A ORIGEM DO DINHEIRO DESTE DOSSIÊ.

DOSSIÊ PT - DINHEIRO PODE TER ORIGEM NO PEDAGIO...

Luiz P. Carlos (((ô''ô))) (Comerciante)

DOSSIÊ PT - DINHEIRO PODE TER ORIGEM NO PEDAGIO. Só o pedágio urbano Municipal tem um BANCO PARTICULAR com caixa forte abaixo das cabines de arrecadação (sem a devida autorização do Banco Central), só um pedágio poderia dispor de tanta grana miúda de uma só vez. Depois dessa descoberta eles não vão mais querer saber a origem do dinheiro. VAMOS EXIGIR A ORIGEM DO DINHEIRO DESTE DOSSIÊ.

A oposição apela num vale tudo em que vale mord...

Armando do Prado (Professor)

A oposição apela num vale tudo em que vale mordida, denuncismo vazio, revista desmoralizada requentando notícias, tudo para tentar levar a decisão para o 3º turno. Mas, a maioria do povo brasileiro é democrata e saberá fazer valer sua vontade contra a plutocracia paulista. Lula ironiza oposição Reuters "Eles (os candidatos do PSDB) deveriam ter vergonha de falar em choque de gestão porque foram o governo do apagão. Não dava para ter choque, porque faltou energia", disse Lula, ironizando a crise energética de 2001, durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. Em um discurso recheado de provocações, os governos e candidatos do PSDB foram o alvo principal do candidato à reeleição. Além de voltar a comparar os adversários a empresas de demolição, Lula criticou as participações do presidenciável tucano, Geraldo Alckmin, nos debates e recuperou a expressão "exterminadores do futuro" para se referir ao adversário. "O cidadão vai ao debate e fala: eu acho, eu penso, eu acredito. Quando a gente pergunta o que fizeram, eles não sabem o que fizeram", disse Lula. O petista aproveitou o discurso para pedir o empenho dos militantes na reta final da campanha. Mas lembrando o que aconteceu com uma simpatizante de sua candidatura no Rio de Janeiro, nesta semana, ironizou novamente a oposição. "Estou dizendo isso para não fazerem campanha com o dedo esticado porque eles podem morder", disse Lula. Na madrugada da última segunda-feira, uma publicitária que vestia uma camiseta com os dizeres "Lula Sim", no Rio de Janeiro, envolveu-se numa briga e teve um pedaço de um dedo de uma das mãos arrancado por uma mordida de uma jornalista. GENTE COMO NÓS Na praça principal de Alvorada, município da região metropolitana de Porto Alegre, Lula foi recebido por centenas de pessoas que manifestavam com entusiasmo sua identificação com o candidato. "Tenho uma paixão por ele. É gente como a gente. Já foi pobre e sabe o que passamos", disse Iara de Paiva à Reuters. A dona de casa de 41 anos levou os quatro filhos e tentava de forma insistente uma aproximação com o presidente. Sobre denúncias de corrupção: "É tudo politicagem, os outros faziam pior. Concordo com o Lula, a diferença é que agora está tudo exposto. Antes ia para baixo do tapete", argumentou o aposentado Humberto Wagner, 60 anos. Alvorada é uma líder nos índices de violência da região metropolitana e foi administrada por um governo do PT. A agenda de campanha de Lula, neste sábado, ainda prevê uma visita a um conjunto habitacional em Canoas, também na região metropolitana de Porto Alegre, e um comício em Caxias do Sul. Além de tentar recuperar a desvantagem do primeiro turno --quando teve 33,1 por cento dos votos válidos, enquanto Alckmin atingiu 55,8 por cento--, a visita do presidente serve como estímulo ao ex-ministro petista Olívio Dutra na disputa pelo governo estadual com a tucana Yeda Crusius, líder nas pesquisas de intenção de votos. Na disputa estadual, Yeda Crusius também continua na frente com 55 por cento das intenções de voto contra 35 por cento de Olívio Dutra, mas a vantagem caiu de 34 para 20 pontos. Na primeira sondagem, a tucana aparecia com 63 por cento dos votos contra 29 de Olívio. As duas pesquisas têm margem de erro de 2 pontos percentuais.

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