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Briga da notícia

Justiça recebe queixa-crime de jornalista contra Veja

XX -

Algumas de suas matérias jornalísticas apontaram contradições e equívocos na apuração que vinha sendo levada a efeito pelo DEPARTAMENTO DE POLÍCIA FEDERAL sobre o caso[1], fato, aliás, que já havia chamado a atenção do Deputado Federal Paulo Delgado (PT-MG) que, sobre a questão, assim se pronunciara, “in verbis”:

A Polícia Federal não está agindo na defesa do Estado; ela interroga, indicia e atormenta a vida do Opportunity, visivelmente favorecendo um dos lados. (destaques adicionados)

XXI -

Essa prática do bom jornalismo, que não atende interesses outros que não o de bem informar, bastara para que o querelante se visse como alvo de uma dessas arbitrárias “ações secretas” da Polícia Federal (tão em moda nos últimos e sombrios tempos), consubstanciada no “monitoramento” de suas atividades jornalísticas, mais especificamente no que se refere às matérias ligadas à concessão da telefonia no Brasil e sobre atos supostamente irregulares, praticados por integrantes do mais alto escalão do Governo Federal.

XXII -

É o ESTADO POLICIAL tentando controlar e intimidar a imprensa livre.

XXIII -

Essas subterrâneas indagações policiais, teriam levado o significativo e bizarro nome de “Operação Gutemberg” (porque visaria à prisão de jornalistas críticos de ações de membros do Governo), o que, aliás, já mostra, por si só, do que se está a falar ... Sinal dos tempos !

XXIV -

Órgãos de imprensa mais dóceis e vinculados ao escalão oficial publicaram muitas notas dando conta da existência dessa tal e esdrúxula operação (que vulneraria a constitucionalmente assegurada liberdade de imprensa), chegando, inclusive a apontar o nome do querelante como um dos investigados-monitorados-devassados pela ação policial secreta, que buscava a chancela formalmente legitimadora do Poder Judiciário Federal em primeiro grau.

XXV -

Como a tais notas soem suceder invasões domésticas ao alvorecer, realizando buscas e apreensões espalhafatosas, com cerimonial degradante de prisões temporárias (tão estrepitosas quão desnecessárias) com algemas etc., tudo autorizado por setores arbitrários e burocráticos da Justiça Federal de primeiro grau, que fizeram o querelante precaver-se procurando conhecer, por seus advogados, o que se tramava à sorrelfa pelos beleguins dessa “Stasi” tapuia como, aliás, é direito seu, assegurado na CHARTA MAGNA e até instrumentalmente tutelado por “habeas data”.

XXVI -

Lograra o querelante localizar perante a 5a Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de São Paulo, representação subscrita pelo Delegado de Polícia Federal Élzio Vicente da Silva, na qual se pleiteava fosse excepcionado seu sigilo telefônico para que fosse possível vigiar o jornalismo que praticava e que desagradava ao Governo .

XXVII -

Lê-se daquela peça o seguinte,[2]in verbis”:

Durante análise dos meios de prova obtidos nesta investigação, identificou-se uma nova vertente da atuação da criminalidade organizada contempo-rânea: a utilização dos meios de comunicação em proveito da quadrilha. Percebe-se o interesse, por parte das organizações criminosas detentoras de poder econômico, de ter a mídia ao seu lado. Notícias veiculadas pelos meios de comunicação são formadoras da opinião pública, não sendo por outro motivo que a mídia, hoje, é tida como o “quarto poder”. A organização criminosa tratada no IPL no 12-004/04-PCD no 2004.61.81001452, com o objetivo de informar e contra-informar, lançou mão de contatos que possuía com profissionais dos meios de comunicação, usando a difusão de notícias no interesse – e em proveito – de seus integrantes. Da mesma forma que se dá a ingerência no poder do Estado, também a ORCRIM agia em sua relação com os meios de comunicação, mais especificamente a imprensa. De um lado, a imprensa é utilizada para divulgar matérias contendo dados investigados pela ORCRIM, realizando o que se acordou chamar de “lavar a fonte”, ou seja, os “investigadores” repassam os dados ao profissional da imprensa, que utiliza o material para elaborar uma matéria. Em seguida, essa matéria jornalística é usada como um fato pelos próprios fornecedores dos dados, os quais não precisam divulgar as fontes. A outra forma de atuação se dá com a publicação tendenciosa de matérias sobre pessoas, instituições ou fatos que tenham algum interesse para a organização criminosa. Os integrantes da ORCRIM passam, então, a deter o poder da informação e logicamente da desinformação assumida sempre trabalhando a favor dos interesses da quadrilha. Durante diálogo entre TIAGO VERDIAL[3] e ANGELO JANNONE[4], gravado pelo último, VERDIAL atesta estar alimentando suas fontes na imprensa: “VERDIAL – Eu era responsável por toda investigação desde o início quando apareceu pela primeira vez na imprensa. E depois disso ... AJ – Você alguma vez contatou com algum jornalista nesse caso ? V – Hum hum. NHI – Certo, mas era amigo de bar ou tinha um bom relacionamento ? V – Um bom relacionamento. Só dando a história para eles”. A Editora três, responsável pela revista ISTOÉ Dinheiro, supostamente vinculada ao grupo DANIEL DANTAS[5], teria sido utilizada para lançar matérias convergentes com o interesse do grupo criminoso. No diálogo travado entre ANNE MARIE e seu filho, TIAGO VERDIAL, uma matéria publicada na revista ISTOÉ Dinheiro teria sido elaborada pela quadrilha: TIAGO - Eu já tinha feito todos os links de TOKIO com CUMBERLAND, só que eu não tava mergulhado exatamente em CUMBERLAND, eu tava cuidando muito dos links, eles já sabem que a CUMBERLAND era acionista oculta do TOKIO... MÃE: ah é ? TIAGO: É, isso saiu na ISTOÉ Dinheiro dessa semana, matéria todinha feita pela gente, não sei o que, e saiu na capa da IstoÉ Dinheiro, não sei se você viu “Diário Secreto de Stefano Otanzi ?” que era filho do (... incompreensível). MÃE: é, em que jornal ? TIAGO: não, saiu na capa da IstoÉ Dinheiro. MÃE: ah, não, não. Como é que é o título ? TIAGO: “O Diário Secreto de Stefano Otanzi”. Sem entrar no mérito da veracidade dos dados ali contidos, nota-se que a citada matéria, mencionada na aparente bravata de TIAGO VERDIAL, converge com os interesses da ORCRIM.

Revista Consultor Jurídico, 11 de outubro de 2006, 21h02

Comentários de leitores

7 comentários

Engraçado. Quando a Veja, no começo do Governo...

www.professormanuel.blogspot.com (Bacharel)

Engraçado. Quando a Veja, no começo do Governo, elogiava o desempenho de Lula, os lulistas estavam felizes e eu querendo cancelar minha assinatura...

Ôps, "pertence" com cedilha é apenas mais um er...

Richard Smith (Consultor)

Ôps, "pertence" com cedilha é apenas mais um erro de digitação, queiram desculpar-me.

Discordo! Para a queima dos heréticos e, prin...

Richard Smith (Consultor)

Discordo! Para a queima dos heréticos e, principalmente do Excomungado, há que se utilizar o melhor combustível possível a fim de que se alcançe o fim pretendido com eficácia e sem tardança.

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