Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Dilemas trabalhistas

Livro traz pesquisa e discute mundo do trabalho contemporâneo

Para onde vai o mundo do trabalho? Essa é a questão que permeia as 500 páginas do livro Riqueza e miséria do trabalho no Brasil, lançado na última quinta-feira (5/10) no Memorial da América Latina, em São Paulo. A obra foi organizada por Ricardo Antunes, professor do Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas.

“O objetivo foi tentar entender as mutações do mundo do trabalho no Brasil, fazendo um desenho consistente da realidade setorial brasileira”, disse Antunes. O livro traz trabalhos de pesquisadores de diversas instituições e monta um mosaico coeso e crítico das novas formas produtivas no país.

Entre os colaboradores estão Márcio Pochmann, professor do Departamento de Economia da Unicamp; Giovanni Alves, professor do Departamento de Sociologia da Universidade Estadual Paulista; e o pensador húngaro István Mészáros, da Universidade de Sussex, na Inglaterra.

Além de discutir as novas modalidades de trabalho e de sua precarização, as novas faces do desemprego e a crise do sindicalismo, a obra expõe a pesquisa de campo realizada em diversos setores produtivos, como automobilístico, bancário, têxtil, telecomunicações, trabalho informal e até mesmo o ramo do canto erudito.

A análise de cada um dos setores permite observar uma completa mudança na morfologia do trabalho após a década de 1990. “Há elementos que aparecem em diversos retratos do mundo do trabalho, como a terceirização, precarização, erosão de direitos, individualização, planos de demissão voluntária ou lesões por esforços repetitivos”, disse Antunes à Agência Fapesp.

“Os anos 80, considerados pelo capital como uma década perdida, foram um momento de intensa luta social na América Latina. Nos anos 90, ocorreu o que chamo de desertificação neoliberal. Nossos bolsões de informalidade, que não passavam de 20%, hoje giram em torno de 60% a 70%. Vivemos no continente da superexploração do trabalho.”

O coordenador ressalta que, mesmo com todo o rigor científico das pesquisas — e até em decorrência dele — o leitor não deve esperar neutralidade. “Não fazemos sociologia da empresa, mas sociologia do trabalho. Nosso livro renuncia assumidamente à neutralidade. Fomos ao inferno do trabalho, mostrando sua exploração pelas empresas”, finalizou.

Ficha técnica

Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil

Organizador: Ricardo Antunes

Páginas: 528

Editora: Boitempo

Preço: 62,00

Revista Consultor Jurídico, 9 de outubro de 2006, 15h17

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 17/10/2006.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.