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Usem camisinhas

Candidatos não têm coragem de falar em planejamento familiar

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Planejamento familiar no Brasil sempre foi uma questão extremamente perigosa e vergonhosamente intocada. Pergunto aos leitores: qual candidato terá a coragem de tocar em assunto tão melindroso e perigosamente impopular nos próximos debates eleitorais? Vejamos.

Lula, vindo de uma família com sete irmãos, desde sua tenra infância, sabe que uma família sem planejamento familiar, e sem métodos contraceptivos eficientes, pode ser geradora de escassez financeira e educacional. Entretanto, e apesar dessa experiência sofrida, Lula não irá implementar qualquer política de planejamento familiar e contraceptivo, ou porque este nada aprendeu com sua vivência, ou, muito mais provavelmente, porque sabe colher os louros de gratidão que uma família miserável e de baixa renda tem para com seu governante.

Não é esse o mote subliminar e quase perverso da política do Bolsa Família montada por seu partido? Ou seja, Lula e o PT apostam e querem cada vez que o Brasil se constitua de famílias numerosas e que estas tenham cada vez menos recursos. Só assim garantirão a gratidão eterna de uma legião de dependentes e submissos eleitores.

Do outro lado, temos Geraldo Alckmin, um médico por formação e por conseqüência sabedor das mazelas de uma família numerosa e de baixa renda. Outro fator que pesa contra ele ou contra uma possível implantação de uma política de planejamento familiar é a sua formação religiosa. Alckmin é sabidamente um religioso fervoroso e muito provavelmente não irá contra os dogmas da Igreja Católica como o crescer e multiplicai-vos.

Qual dos dois candidatos terá a coragem de promulgar uma política de planejamento familiar num país extremamente católico? Qual dos dois candidatos terá a coragem de expor dados matemáticos de que a previdência e a saúde de um país emergente, dia a mais, dia a menos, irão sucumbir se povoarmos nosso país feito coelhos no cio?

Mais que políticas de crescimento na economia e melhoria na educação e saúde, ouso dizer que todos esses problemas têm sua base precípua num crescimento populacional desordenado como o nosso. E não me venham dizer que a taxa de reposição populacional está equilibrada se pessoas de renda elevada tem um filho enquanto as de baixa renda tem cinco filhos. Isso não é equilíbrio. É sim uma visão deturpada da realidade.

Enfim, eleitores, façam suas apostas e usem camisinhas.

 é advogado de Direito Autoral, especialista em entretenimento.

Revista Consultor Jurídico, 8 de outubro de 2006, 7h00

Comentários de leitores

10 comentários

Acabar com o que rende a Lula sua fortuna, amea...

Helena Fausta (Bacharel - Civil)

Acabar com o que rende a Lula sua fortuna, amealhada só em 4 anos, seria demorado demais, e o que ele só precisa é de dar esmolas com o chapéu alheio, porque ele mesmo não dá nada à ninguém, são nossos impostos que rolam por ai...acabar com essa velharia encostada em Brasilia ha anos, passando de geração para geração parecendo até "herança", seria de grande valia...

Embira, o estranho é que o Lula também tem maio...

ERocha (Publicitário)

Embira, o estranho é que o Lula também tem maioria no congresso e não fez absolutamente NADA. O Brasil teve um crescimento pífio num mundo mais estabilizado. Durante a gestão de FHC houveram apenas 4 crises internacionais e o Lula fazendo o denuncismo que agora ele tanto critica. País hipócrita, o Alckmin pode não ser lá grande coisa, mas o Lula é pior porque é negligente e omisso.

Implantar o planejamento familiar na China, que...

Embira (Advogado Autônomo - Civil)

Implantar o planejamento familiar na China, que lá é chamado, sem rebuços, de controle da natalidade, não foi difícil porque o governo está fortemente centralizado no Executivo. Dizer que Lula não fez o mesmo no Brasil porque tira proveito da pobreza é mero preconceito. O planejamento familiar é desejável e conveniente para o nosso país. Já poderia ter sido implantado por FHC que governou por oito anos e tinha ampla maioria no Congresso. Aliás, é elementar que só o Congresso pode decidir sobre uma questão dessa natureza, já que, como salienta o articulista, contraria os dogmas da Igreja Católica.

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