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Acidente da Gol

Advogados disputam famílias de vítimas de acidente da Gol

"Pessoal, muito prazer. Eu nunca vi este indivíduo antes." A reunião da empresária Sandra Assali, 50, com os familiares de vítimas do vôo 1907, na última quinta-feira (5/10) em um hotel de Brasília, começou tensa.

O indivíduo apontado era um advogado. Com seu laptop, ele fazia uma apresentação em PowerPoint para as famílias e dizia estar recebendo mensagens de um escritório sediado em Londres. Seriam instruções sobre as ações indenizatórias cabíveis no caso do acidente da Gol. "Foi uma péssima surpresa entrar na reunião e esse advogado vir atrás e se sentar ao meu lado, como se estivesse comigo", diz Assali. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

"Acidente aéreo você não perde. É inquestionável", afirma Assali, presidente da Abrapavaa, Associação Brasileira de Parentes e Amigos das Vítimas de Acidentes Aéreos, e viúva de José Rahal Abu Assali, médico cardiologista morto aos 45 anos no acidente de 1996 com o Fokker 100 da TAM, que aconteceu em São Paulo.

No caso do acidente da TAM, as batalhas jurídicas resultaram em indenizações que giraram entre US$ 500 mil e US$ 1,5 milhão para cada uma das famílias de 99 vítimas (de R$ 1,1 milhão a R$ 3,3 milhões). "É por isso que tantos advogados inescrupulosos crescem os olhos", diz Assali.

"Você encontra uma porção de advogados querendo enriquecer à custa da tragédia da gente. Antes de vir a esta reunião, eu mesma recebi telefonemas de uns 30 escritórios, querendo me acompanhar. Desautorizei-os todos."

Camilo Moisés Barros, que perdeu o irmão de 39 anos em 2004 em um acidente com aeronave da empresa Rico, contou ter visto famílias que tiveram de destituir o advogado "por falta de sensibilidade". "Tivemos problemas seríssimos com isso. Teve advogado que se recusou a assinar os acordos com as famílias, porque cismava que elas poderiam ganhar mais. E as famílias querendo o acordo. Aconteceu até o caso em que a parente estava com câncer, precisando da indenização, e o acordo não saía porque o advogado não queria."

Na quinta-feira, as famílias que a Gol alojou no hotel Comfort Suites ainda reclamavam mais rapidez nos trabalhos de remoção e identificação das vítimas do vôo 1907 (até então, nenhum corpo havia sido identificado), mas a reunião com Sandra Assali começou pontualmente às 19h e só se encerrou às 22h, com a promessa de continuidade no dia seguinte, logo pela manhã. "Que bom que você veio", agradeceu Bruno Maciel Marinho Silva, 24, que perdeu a mãe, a médica Ana Caminha Silva, 49.

"São muitas dúvidas sobre nossos direitos e como proceder para garanti-los. A gente tem muito medo de ser enganada", diz uma familiar.

Na terça-feira (3/10) à noite, a professora Luciana Siqueira, irmã de Plínio Siqueira (presidente da empresa Bombardier em Campinas, SP) e uma das fundadoras da associação de parentes de vítimas do vôo da Gol, confirmava: "Vem vindo até um escritório da Flórida para falar com a gente".

Formada no domingo passado, a associação reuniu-se pela primeira vez a partir de iniciativa do empresário Jorge André Cavalcante, que perdeu o sobrinho Carlos Cruz, 26. Cavalcante diz ter-se inspirado em Roberto Justus e seu programa Aprendiz: "O importante é ter uma grande idéia".

"Foi uma grande idéia mesmo. O sofrimento envolvido nesse acidente é tão grande, que é muito importante estar junto. Quando um chora, o outro consola. Quando este se desespera, aquele acolhe", diz.

Revista Consultor Jurídico, 8 de outubro de 2006, 10h30

Comentários de leitores

20 comentários

Faço minhas as palavras do Professor Dinamarco....

Fábio (Advogado Autônomo)

Faço minhas as palavras do Professor Dinamarco. Estes vermes devem ser punidos rigorosamente!!!

O Boeing da GOL foi "atropelado" em sua rota pe...

Eduardo Peres F Câmara ()

O Boeing da GOL foi "atropelado" em sua rota pelo Legacy da companhia americana, inclusive os próprios pilotos faleceram. NÃO HOUVE DOLO OU CULPA de seus prepostos, os pilotos mortos. As indenizações vão se ater, em decorrência, ao valor do seguro contratado pela GOL. Quem pedir mais, pode até ganhar, mas não vai levar. É bom não criar expectativas. O acidente, aliás, nem teve repercussão na Bovespa. As ações da Gol e da Embraer não se desvalorizaram, até tiveram alta nessa boa maré do mercado de capitais. Isso decorre da certeza do mercado, quanto ao que escrevi aqui.

Que vergonha !!! Já penso em parar de advogar....

A.C.Dinamarco (Advogado Autônomo)

Que vergonha !!! Já penso em parar de advogar. acdinamarco@adv.oabsp.org.br

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