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Agressão verbal

Morador é condenado por ofender advogado de condomínio

Um morador do Condomínio Residencial Porto do Sol, em Florianópolis, foi condenado a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais para o advogado catarinense Roberto Agnes. O morador teria ofendido o advogado quando este foi cobrar o pagamento de uma das parcelas do condomínio. A decisão é do juiz Robson Luz Varella, da 3ª Vara Cível de Florianópolis. Cabe recurso.

De acordo com o processo, o condômino acusou Agnes de ser um profissional sem responsabilidade, sem caráter e deficiente, incapaz de transigir com bom senso.

Para o juiz, “houve ofensa à honra do profissional pelo simples fato de que o mesmo estava cobrando regularmente a dívida do condomínio, em cumprimento ao mandato que lhe fora outorgado, atitude antijurídica que deve ser repelida pelo Judiciário, pois todo e qualquer operador do Direito, assim como qualquer cidadão brasileiro, não pode ser gratuitamente ofendido, por seus pares ou não”.

Processo 023.02.017919-0

Leia a sentença

Autos n° 023.02.017919-0

Ação: Indenização Por Danos Morais/ Ordinário

Autor: Roberto Angnes

Réu: José Renato M. Cavalcante

Vistos, em decisão.

Cuida-se de ação de indenização por danos morais através da qual Roberto Angnes pretende a condenação de José Renato M. Cavalcante, ambos qualificados nos autos, ao pagamento da quantia de 100 salários mínimos por conta de ofensas (injúria/difamação) contra si perpetradas em carta escrita endereçada a administração do Condomínio para quem o autor advoga e estaria promovendo, contra o réu (morador do local), a cobrança judicial de parcelas em atraso.

Citado, o réu resistiu à pretensão inaugural por meio de contestação escrita (fl. 27-38), na qual sustenta os motivos que o levaram a chamar o autor de irresponsável e sem caráter, bem como a dizer que faltava ao condomínio “um profissional que honre com os seus compromissos e tenha capacidade de transigir com bom senso” (sic). Disse que as afirmações correspondem à realidade e que, na verdade, era muito mal tratado pelo autor na cobrança das parcelas em atraso do condomínio. Confessa que acabou parcelando seu débito em juízo, e pugna, assim, pela improcedência da demanda, insurgindo-se também contra o valor pretendido pelo autor à título de indenização.

Houve réplica (fl. 57-62).

Prejudicada a tentativa de composição amigável da lide no mutirão de conciliação de junho do ano passado, vieram-me conclusos os autos.

Suficientemente relatados. Decido:

O julgamento antecipado da lide nos termos do art. 330, I, do Código de Processo Civil é medida que se impõe, eis que a prova já contida nos autos se mostra suficiente ao deslinde da causa, que, pela própria natureza, é eminentemente de Direito.

Nesse contexto, conforme tem reiteradamente decidido o STF, registre-se que "não há afronta à garantia da ampla defesa no indeferimento de prova desnecessária ou irrelevante." (RE 345.580, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 10/09/04 – nesse sentido também AI 559.958, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 30/09/05).

Assim, cônscio da atividade-dever do Estado em prestar jurisdição tempestiva, entrego antecipadamente a solução desta lide às partes, certo de que "por desempenho satisfatório da atividade jurisdicional se deve entender, também, e por que não dizer, em especial, a tempestividade da manifestação do órgão, na medida em que, nunca é demais lembrar a célebre frase de Voltaire, 'a justiça fora de tempo é injustiça'"1.

A ação merece prosperar.

Com efeito, afiguram-se efetivamente antijurídicas as expressões dirigidas contra a pessoa do autor na carta-correspondência endereçada à administração do Condomínio do qual faz parte o réu, que, premido da iminência de ser citado em ação judicial corretamente utilizada para cobrança de taxas condominiais em atraso, passou a desferir ofensas pessoais contra a honra do autor.

Acusou-o de ser um profissional sem responsabilidade, sem caráter e deficiente, bem com ser incapaz de transigir com bom senso.

Veja-se:

“A negociação não foi concretizada pela total falta de responsabilidade do Sr. Roberto em não chegar no horário estabelecido pelo mesmo, não cumprindo o compromisso. [...] tanto eu quanto o condomínio seremos penalizados pela irresponsabilidade do Sr. Roberto e pela sua falta de caráter em não assumir seus erros e deficiências. [...] Por falta de um profissional que honre com seus compromissos e tenha capacidade de transigir com bom senso, teremos que aguardar por uma decisão judicial...”

Com efeito, diante da inadimplência do réu para com o condomínio, chega a ser irrelevante eventual cancelamento de reunião designada pelo advogado-autor para tentativa de composição do débito.

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Revista Consultor Jurídico, 6 de outubro de 2006, 15h37

Comentários de leitores

11 comentários

Parabéns ao Juiz em brilhante e irreparável sen...

Alexandre Marques (Advogado Associado a Escritório)

Parabéns ao Juiz em brilhante e irreparável sentença! Parabéns ao nobre causídico ofendido que teve a coragem e a vontade de ir atrás de uma reparação justa a ofensa sofrida e, por fim, parabéns a todos os advogados e demais operadores do direito que entenderam o espírito da coisa! Afinal, está mais do que na hora de se entender neste País que ofender um advogado em sua honra e prerrogativas, é ofensa ao direito do cidadão, e não, só do profissional. E mais, estas mesmas pessoas que criticam o fato do nobre causídico ter buscado seus direitos, um dia, irão contratar um advogado para defendê-las e aí darão de um jeito ou de outro o devido valor a mais nobre classe profissional deste País!

É triste ver tanta asneira, tanta baboseira de ...

Cristiano (Outros - Empresarial)

É triste ver tanta asneira, tanta baboseira de pessoas que ao menos PRESUME-SE serem cultas, estudadas. É, a inveja é mesmo uma m.. Deixa as pessoas cegas, afinal, quem não gostaria de receber uma indenização de R$ 10 mil? Aos críticos (E INVEJOSOS, QUE DOR DE COTOVELO!!!)de plantão, deixo minhas condolências e estudem mais, quem sabe assim terão mais condições e capacidade para interpretar o que é Direito. Meus parabéns ao colega pela sua vitória e esfregue a sentença na cara do infeliz que se achou muito "esperto" ao ofender um profissional que tem estudo e é honrado. Só assim as prerrogativas são respeitadas.

Meus parabéns ao senhor Ivan Dario (Outros 23/1...

Cristiano (Outros - Empresarial)

Meus parabéns ao senhor Ivan Dario (Outros 23/10/2006 - 17:47 pela r. sentença. Sucinta, porém substanciada, a começar pelo relatório, quem dirá pela fundamentada decisão. Já pode ser juiz, se não o for.

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