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Caso Toninho do PT

MP pede que acusado de matar Toninho do PT vá a Júri

E havia a questão dos estojos de calibre 45. Como visto acima, foram encontrados em dois momentos: no da abordagem do veículo do senhor Uilson Franco, momentos antes da morte do Prefeito; e no momento do mesmo seqüestro da criança.

Pois bem. O laudo pericial de fls. 1344/1348 comprovou que tais estojos foram disparados por uma mesma arma de calibre 45.

Assim, tem-se nos autos prova de que no dia 10 de setembro de 2001 o veículo do senhor Uilson Franco foi alvejado por disparos de uma pistola calibre 45, que foi utilizada no dia 14 do mesmo mês para seqüestrar uma criança. Igualmente está provado nos autos que no mesmo dia 10 de setembro de 2001 o então Prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, foi assassinado e, para tanto, foi utilizada uma pistola de calibre 9 mm.; esta mesma arma foi também utilizada no dia 14 de mesmo mês para seqüestrar aquela referida criança.

Quem efetuou o seqüestro ? Segundo o próprio Réu WANDERSON NILTON DE PAULA LIMA tal crime – em que foram utilizadas a pistola que matou o Prefeito e aquela utilizada na dupla tentativa de latrocínio – foi cometido por ele e por seus comparsas “Fiinho”, “Valmir”, “Puff” e “Cristiano”, ou seja, todos aqueles mencionados na denúncia e mais Cristiano Nascimento de Faria (fls. 2006/2016).

Cristiano, ouvido nestes autos como testemunha, já durante as investigações havia sido ouvido pelo Delegado de Polícia do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, Dr. Luiz Fernando Lopes Teixeira. Conforme consta do termo de fls. 1455/1458, Cristiano foi ouvido no DHPP no dia 23 de abril de 2002, na presença dos Promotores de Justiça Drs. Carlos Eduardo Ayres de Farias e Fernando Pereira Vianna Neto, e do Advogado, então representante da família do ex-Prefeito, Dr. Ralph Tortima Stettinger.

Naquela oportunidade, Cristiano, entre outras coisas, relatou acerca de uma conversa que teve com Anderson José Bastos, vulgo “Anso” ou “Puff”, na cidade de Caraguatatuba, dias antes deste ser morto, juntamente com Valmir Conti, por policiais civis de Campinas.

Pedimos vênia para transcrever o trecho em questão: “...recorda-se que três dias antes de VALMIR e ANZO serem mortos em confronto com policiais de Campinas/SP, fato este ocorrido na Cidade de Caraguatatuba/SP, o depoente esteve nessa Cidade, sendo certo que em determinado momento manteve um diálogo com ANZO, lhe comentando que Campinas/SP estava ‘sujo’ após a morte do Prefeito, instante em que ANZO lhe disse que a morte do Prefeito de Campinas havia sido ‘uma cagada’, que ele estava ‘na hora erra e no lugar errado’. ANZO lhe disse ainda que naquela data ANZO, VALMIR, ANDINHO e FIINHO estavam num veículo, sendo certo que tentaram ‘guentar um veio de um Vectra Verde’, todavia este conseguiu fugir, momento em que VALMIR efetuou disparos contra aquele Vectra Verde; ANZO comentou também que durante a fuga desse crime frustrado, ‘pegaram a avenida e se encontraram com um Palio que os atrapalhou’, instante em que, segundo ANZO, este, ANZO, disse ao depoente ter efetuado disparos contra aquele veículo, comentando que inicialmente efetuou um disparo com a intenção de ‘assustar’ aquele motorista do Palio, e logo após disparou mais duas vezes contra o Palio; que não disse, conforme consta em seu depoimento anterior, que VALMIR teria também atirado contra o Palio, sendo certo que ANZO comentou com o depoente que VALMIR teria atirado somente contra o Vectra verde; o depoente não se recorda se ANZO lhe disse que havia descido do carro que ocupava logo após ter atirado ou em um momento posterior, todavia recorda-se claramente de ANZO ter lhe comentado que diante daquela situação, VALMIR tratou imediatamente de abandonar o veículo que ocupavam, pois havia ‘sujado’; ANZO lhe disse ainda que após ter ocorrido este fato, souberam através de noticiário de televisão que o ocupante daquele Palio tratava-se do Prefeito de Campinas, iniciando-se então uma discussão entre FIINHO e ANZO, pois FIINHO dizia que ANZO havia feito ‘uma cagada’”.

Como já afirmado, o relato acima foi presenciado pelo Advogado Dr. Ralph Tortima Stettinger, que, ouvido em Juízo, narrou em detalhes este passo importante das investigações (fls. 2258/2268).

Em Juízo, como sói acontecer, Cristiano procurou livrar seu amigo e camarada de crimes, o Réu WANDERSON NILTON DE PAULA LIMA, de qualquer participação nestes fatos. Neste sentido, mentiu e mais adiante teceremos outras considerações e pediremos providências a respeito.

Apesar disso, Cristiano, mesmo em Juízo, não conseguiu ocultar parte da verdade, vindo a confirmar que teve de fato aquela conversa – mas por telefone – com Anderson José Bastos e confirmou o seu teor – exceção feita, repita-se, ao fato de estar o Acusado no interior do veículo (fls. 2017/2036).

Na mesma noite em que Antônio da Costa Santos era vítima de homicídio, a testemunha Sandra Antônia Fanuchi passava por momentos do mais absoluto desespero, conforme ela descreveu em seu pungente depoimento de fls. 2051/2061. A razão era simples: junto com sua filha adolescente, ela havia sido seqüestrada pela quadrilha de WANDERSON NILTON DE PAULA LIMA. Naquela noite, a testemunha ouviu quando um rapaz que tomava conta do cativeiro recebeu uma ligação. Eis as frases que o ouviu proferir depois: “como mataram o ‘Toninho’ prefeito”, “’puta’ cara que besteira; que estupidez; que loucura; que burrice; não era para matar; precisava”; “só podia ser amador, deixa de ser burro, como pôde fazer isso”.

Revista Consultor Jurídico, 29 de novembro de 2006, 19h03

Comentários de leitores

1 comentário

Que vergonha! Até um cego viu quem mandou matar...

Helena Fausta (Bacharel - Civil)

Que vergonha! Até um cego viu quem mandou matar Celso Daniel e Toninho do PT, e a PF não encontrou nenhum vestígio político, só aqui mesmo...é um absurdo que duas pessoas (autoridades importantes), morram por conta do faturamento de propinas e nada se tem a declarar, agora a imprensa ta mira do PT, se alguém tombar não será certamente crime político, ditadura talvez...quem sabe?

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