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Veja na PF

Procuradora diz que jornalistas da Veja não foram intimidados

Os jornalistas da Veja Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro, chamados a depor na Polícia Federal, não foram intimidados, como afirmou a direção da revista em nota oficial. Essa é a opinião da procuradora da República Elizabeth Mitiko Kobayashi, que acompanhou o depoimento dos jornalistas, na terça-feira (31/10).

Os três jornalistas foram intimados a depor numa suposta investigação sobre o vazamento de informações a respeito do encontro de dois personagens do dossiê-gate, Freud Godoy e Gedimar Passos, nas dependências da PF.

Os jornalistas são autores de reportagem que demonstra a tentativa da Polícia Federal de excluir o ex-assessor da presidência Freud Godoy das investigações em torno da tentativa de compra por militantes petistas do dossiê para comprometer candidatos do PSDB no escândalo dos sanguessugas.

“Embora as imperfeições ocorridas durante a redução a termo dos depoimentos tenham sido corrigidas e que no meu entendimento pessoal não tenha havido qualquer ato de intimidação por parte da PF, o que teria provocado imediata reação de minha parte, o MPF está aberto para receber qualquer comunicação formal por parte da revista VEJA", disse a procuradora em nota divulgada nesta quarta-feira (1/11).

Outro lado

Ainda nesta quarta, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) reconheceu que houve uma intimidação dos jornalistas ao enviar carta à OAB criticando o comportamento do delegado da PF Moysés Eduardo Ferreira, que tomou os depoimentos. “Não podemos aceitar a forma como seu deu a oitiva dos repórteres da Veja”, disse o presidente da associação, Francisco Carlos Garisto.

“A Constituição que garante a prerrogativa da Polícia Federal para ouvir as pessoas é a mesma que garante o sigilo da fonte para o jornalista poder noticiar o que lhe é narrado”, acrescentou.

Para o presidente, os fatos publicados pela revista, que resultaram na convocação para depor, “são graves sim e precisam ser apurados sem espíritos vingativos ou irascíveis e nunca pressionando os autores da notícia para agradar esse ou aquele mandatário de plantão”.

Veja a nota da procuradora e a carta da Fenapef

Nota da procuradora da República Elizabeth Mitiko Kobayashi

"Como procuradora da República presente aos depoimentos que são alvo de contestação da revista VEJA e da réplica da Polícia Federal, cumpre esclarecer que:

1) Sobre a nota da revista VEJA, não é correto afirmar que os jornalistas prestaram depoimentos para uma investigação interna da corregedoria da Polícia Federal. Os jornalistas foram ouvidos como testemunhas em inquérito policial para apurar se houve conduta indevida de policiais no interior da PF em São Paulo. A PF ainda não instaurou procedimento administrativo interno sobre os episódios narrados na revista;

2) No caso específico, as irregularidades verificadas foram prontamente apontadas e sanadas no curso dos depoimentos, da maneira detalhada na nota da revista VEJA;

3) O papel do MPF no caso é certificar que as declarações tomadas no inquérito policial sejam as mais fiéis possíveis aos depoimentos das testemunhas, fazer perguntas de interesse da investigação não realizadas pela PF, bem como buscar outras provas e evidências para esclarecer o caso, determinando e sugerindo a realização de oitivas, perícias, etc, para chegar ao resultado almejado por todos: a verdade.

4) Embora as imperfeições ocorridas durante a redução a termo dos depoimentos tenham sido corrigidas e que no meu entendimento pessoal não tenha havido qualquer ato de intimidação por parte da PF, o que teria provocado imediata reação de minha parte, o MPF está aberto para receber qualquer comunicação formal por parte da revista VEJA."

Carta da Fenapef enviada à OAB

OFÍCIO Nº 175/2006/FENAPEF/PRESIDÊNCIA

Brasília-DF, 01 de novembro de 2006.

Ao Ilustríssimo Senhor

ROBERTO ANTONIO BUSATO

Presidente da OAB

Ilustríssimo Senhor,

Na qualidade de Presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais — FENAPEF não poderia me furtar em deixar registrado o posicionamento desta entidade frente aos fatos ocorridos durante o depoimento dos repórteres da Veja.

Em primeiro lugar é preciso registrar que a Polícia federal é a Polícia Judiciária da União, possuindo, portanto a base legal para ouvir como testemunha qualquer brasileiro para a elucidação de ocorrências tipificadas em leis.

Porém, temos o dever cívico de consignar que a forma encontrada para fazer o que lhe é devido legalmente não foi o mais satisfatório e usual.

Diante de um fato noticiado como transgressão funcional ou crime é dever da PF investigar os fatos, mas sempre buscando as mais variadas formas de investigação científica e não tentar “arrancar” de profissionais da imprensa a verdade ou mentiras dos fatos criminosos ocorridos e noticiados.O interrogatório deve ser a última ação da investigação e não a primeira.

Investigar para prender e nunca prender para investigar.

A Constituição Federal que garante a prerrogativa da Polícia Federal para ouvir pessoas é a mesma Constituição que garante o sigilo da fonte para o jornalista poder noticiar o que lhe é narrado por fontes diversas. Se assim não fosse, os grandes escândalos nacionais, que são infinitos e os mais variados possíveis talvez nunca seriam descobertos e seus autores estariam usufruindo de uma impunidade infinitamente maior da que já usufruem hoje.

Os fatos publicados pela revista que resultaram na convocação dos jornalistas são graves sim e precisam ser apurados sem espíritos vingativos ou irascíveis e nunca pressionando os autores da notícia para agradar esse ou aquele mandatário de plantão. A Polícia federal é uma instituição do Estado e nunca de governos.

Portanto deixo registrado aqui que a maioria esmagadora dos policiais federais do Brasil sabe e entende essas premissas legais, já que a Polícia Federal hoje é considerada uma das instituições públicas mais sérias e confiáveis do Brasil e para que continue a usufruir desse conceito não podemos aceitar a forma como se deu a oitiva dos repórteres da Veja.

Quem Não Quer Que Noticie não Deixe Acontecer.

Encerro dizendo que prefiro uma imprensa que publique a notícia sabendo que se errar pagará pelos seus erros na forma legal, do que não ter uma imprensa livre para noticiar , como tínhamos há poucos tempos atrás receita de bolo como manchete de capa.

Algumas pessoas precisam entender que a DEMOCRACIA é um regime que trás BONUS E ÔNUS, mas mesmo assim é e sempre será o melhor regime.

Francisco Carlos Garisto

Presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais

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Revista Consultor Jurídico, 1 de novembro de 2006, 20h53

Comentários de leitores

57 comentários

Francisco Garisto é o mesmo defendeu publicamen...

Carlos o Chacal (Outros)

Francisco Garisto é o mesmo defendeu publicamente o Sr. Bellini, Delegado de Polícia Federal preso durante a operação Anaconda. Na época, Garisto referiu-se a Bellini como um verdadeiro ídolo, um exemplo a ser seguido. Agora insurge-se contra um simples interrogatório policial, dizendo ser inaceitável que jornalistas sejam intimidados. Pergunto: que atos dos interrogadores (delegados de Polícia Federal) caracterizam a suposta intimidação? Isso ele não esclarece. A procuradora da República presenciou os interrogatórios e declarou que não houve intimidação. Esses são os fatos.

Por favor dsculpem-me a duplicidade de postagem...

Richard Smith (Consultor)

Por favor dsculpem-me a duplicidade de postagem. Erro de toque no muose.

ATENÇÃO! PARA LEITURA E, SOBRETUDO, REFLEXÃ...

Richard Smith (Consultor)

ATENÇÃO! PARA LEITURA E, SOBRETUDO, REFLEXÃO, DOS QUERIDOS LEITORES E COMENTADORES DESTE ESPAÇO: O MARQUETEIRO DE LULA 1 - quando ele é apenas óbvio Reportagem de Fernando Rodrigues, na Folha deste domingo, traz a interpretação de João Santana, o marqueteiro de Lula, para o sucesso eleitoral de Lula. Nunca o lugar-comum ambicionou antes, com tanta ligeireza, o lugar de uma teoria política. Santana diz um monte de obviedades, que estamos cansados de saber. A maior de todas: Lula é visto, a um só tempo, como o corajoso do povão que chegou lá e como uma vítima das elites. O problema dessas construções mentais está no fato de que a sua validade parece universal e infinita. Leiam: “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sua reeleição ao fato de ter virado, no imaginário do eleitorado mais pobre, uma figura dupla: um "fortão" igualmente humilde que virou poderoso e ao mesmo tempo uma vítima, um ‘fraquinho’ sob ataque das elites. Essa é uma das explicações usadas pelo publicitário João Cerqueira de Santana Filho para o sucesso da empreitada que acompanhou de perto nos últimos meses. O marqueteiro de Lula desenvolveu uma análise própria sobre o caso de amor do eleitorado com o presidente: a teoria do ‘fortão’ e do ‘fraquinho’ -ele usa termos mais eloqüentes, mas criou esses enquanto falava à Folha ‘para ficar mais publicável’. Lula alternaria esses dois papéis no imaginário do brasileiro das classes mais pobres. Depois que se elegeu presidente em 2002, o petista passou a ser uma projeção de sucesso para as camadas C e D da população. ‘É um deles. Chegou lá’, diz Santana. Nesse momento, a personagem é o ‘fortão’, que ‘rompeu todas as barreiras sociais e conseguiu o impossível, tornando-se um poderoso’. Já quando Lula é atacado, ‘o povão pensa que é um ato das elites para derrubar o homem do povo que está lá’.” O MARQUETEIRO DE LULA 2 - quando ele é também PERIGOSO! Se Santana é chato quando é óbvio, consegue ser bastante esclarecedor quando expõe detalhes do seu trabalho. Na entrevista a Fernando Rodrigues, ele deixa claro, sem usar tais palavras, que uma campanha política pode AÇULAR O PRECONCEITO e EXPLORAR A IGNORÂNCIA de causa. Ele dá a tudo isso um outro nome: “emoção”. Vejam o que ele diz: FOLHA - Como foi definida a abordagem a respeito do tema das privatizações? JOÃO SANTANA - Esse é um tema riquíssimo, que foi muito bem pensado. Nós tínhamos alinhado alguns dos temas de intensa fragilidade e de imensa comoção política. Estava em primeiro lugar a privatização. Não usamos no primeiro turno porque não houve necessidade. FOLHA - A forma como o assunto foi usado não se prestou a deseducar o eleitor? Propagou-se a noção de que a privatização em si é algo ruim... SANTANA - Foi deseducativo de acordo com determinado ideário. Para o "consenso de Washington", sim. No Brasil, para alguns setores, revigorou-se um sentimento cívico. Não faço juízo de valor, mas o fato é que a privatização se apresenta no imaginário brasileiro com uma série de emoções políticas. FOLHA - Quais eram essas emoções? SANTANA - Primeiro, há um eixo cívico-épico-estatizante que vem de Getúlio Vargas, com a campanha "o petróleo é nosso". O outro eixo são as "tramas obscuras". Não quero questionar como foram feitas as privatizações no governo FHC, mas o fato é que ficou, na cabeça das pessoas, como se algo obscuro tivesse ocorrido. Foi erro de comunicação do governo FHC, que poderia ter vendido o benefício das privatizações de maneira mais clara. No caso da telefonia, teve um sucesso fabuloso. As pessoas estão aí usando os telefones. FOLHA - Não é desonesto se beneficiar de uma idéia geral que vigora na sociedade? Algo que possivelmente o próprio presidente da República sabe que não é a verdade completa? SANTANA - Não. Eu trabalho com o imaginário da população. Em uma campanha, nós trabalhamos com produções simbólicas. Não considero que exista aí desonestidade, pois o tema foi, pelo menos, discutido. É bom que a população fale e reflita sobre esses temas. No primeiro turno, analisando as pesquisas, eu vi que essa discussão poderia ser retomada. Enxerguei ali um "monstro vivo" que poderia ser jogado. FOLHA - Mas, se foi apenas uma tática para encurralar o adversário, fica então reforçada a tese de que houve uma certa desonestidade intelectual. Ou, para usar a expressão do candidato do PSDB, uma "mentirobrás"? SANTANA - Não é bem assim. O presidente não foi reeleito por causa da polêmica sobre privatização. O fato é que o adversário teve a chance de responder, mas não o fez. Tivesse ele uma resposta pronta, objetiva, o impacto teria sido reduzido. Alckmin poderia mostrar objetivamente o uso de telefones, de computadores, de internet. Pois é, leitor, pois é... Há alguns anos tenho abordado o que costumo chamar de “GUERRA DE VALORES”. Vê-se que Santana topa flertar com a mentira. Porque, para ele, basta que essa mentira seja uma, sei lá, verdade sentimental. É evidente que não dá para concordar com isso. Mas uma coisa ele diz com absoluta correção – a correção de quem é um profissional da área: “Tivesse ele uma resposta pronta, objetiva, o impacto teria sido reduzido. Alckmin poderia mostrar objetivamente o uso de telefones, de computadores, de internet.” Foi rigorosamente o que escrevi aqui. Em vez disso, o tucano saiu assinando documentos e usando boné do Banco do Brasil, numa postura tolamente defensiva. O que me interessa nessa entrevista é justamente isto: os petistas vivem em permanente GUERRA DE VALORES. Ao contrário dos partidos de oposição. Para enfrentar o PT, é preciso, antes de tudo, SABER ENFRENTAR O PETISMO. Do blog de REINALDO AZEVEDO (TODOS OS GRIFOS SÃO MEUS) Ô "raça", hein?!

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