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Rumo à política

Edson Vidigal preside sua última sessão e se despede do STJ

A sessão desta segunda-feira (20/3) da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça é a última presidida pelo ministro Edson Vidigal, que deixa o Judiciário até o final de março para se candidatar ao cargo de governador do Maranhão pelo PSB.

Na semana passada, Vidigal encaminhou seu pedido de aposentadoria do cargo para o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que, por sua vez, encaminhará ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para publicação do ato na edição do dia 29 de março do Diário Oficial.

No sábado (18/3), logo após despachar a liminar que suspendeu as prévias do PMDB do domingo numa queda de braço dentro do próprio STJ (na madrugada de sábado, o ministro Hamilton Carvalhido havia garantido a realização das prévias), Vidigal embarcou para o Maranhão para confirmar sua candidatura.

Ele terá o apoio do atual governador maranhense, do PSB, José Reynaldo, e também do PT. Vai disputar o cargo com a ex-governadora Roseana Sarney. Em seu discurso de despedida, Vidigal não abordou as críticas ao fato de ele sair do Judiciário direto para disputar um cargo eletivo. Preferiu apenas agradecer funcionários e amigos.

Leia o discurso do ministro Edson Vidigal

Senhoras ministras,

Senhores ministros:

Esta é, com certeza, a última sessão sob a minha Presidência nesta Corte Especial.

Na próxima semana não estarei mais ministro.

Ao antecipar a minha saída deste tribunal, estarei abdicando dos oito anos que ainda me restam para continuar juiz. E, por conseguinte, aos dias que ainda tenho na Presidência do Superior Tribunal de Justiça e na Presidência do Conselho da Justiça Federal.

Assim, estou desistindo, também, da possibilidade de vir a ser, já no próximo ano, o novo Corregedor nacional de Justiça, num mandato de dois anos.

Sei que alguns não alcançam em mim as razões para tanto desprendimento. Afinal, ocupamos um dos espaços mais cobiçados na República. Aqui, além dos apoios para uma vida pessoal segura, somos livres para o trabalho solitário à hora e lugar que queremos.

Pois estou abdicando disso tudo para atender aos impulsos irrefreáveis que me envolvem agora, de forma irreversível, nas expectativas mais escancaradas, me impondo que eu volte, o quanto antes, para encarar e vencer novos desafios no meu Estado, o Maranhão.

Portanto é o espírito público no interesse superior da causa pública que me leva agora de volta à vida pública para uma nova jornada no meu Estado. Seremos vitoriosos porque, como Dom Quixote, creio que não há derrota quando não se perde a honra, nem a dignidade. Continuarei defendendo princípios, trabalhando para resgatar valores.

Há uma pobreza que responde pela manutenção das outras pobrezas — é a pobreza política. Nas democracias, todas as soluções decorrem da ação política. Eu creio no consenso político. O entendimento político é o caminho natural para as soluções que se buscam na pluralidade de idéias que legitimam a democracia.

Precisamos dar mais valor no Brasil à atividade política. O mal prospera quando os bons se omitem.

Acredito na política como força propulsora da sociedade nas ações do Estado, em favor do desenvolvimento econômico e social, bases indispensáveis à melhoria de condições de vida do nosso povo e, portanto, do fortalecimento do regime democrático.

Antes do fim da próxima semana, terei por concluída a minha missão como juiz neste tribunal. Sobre o que fiz e o que não fiz, se fui bom ou não no meu oficio, o tempo, só o tempo dirá. Em mim, a convicção de que dei à causa da Justiça o melhor das minhas energias, da minha vontade, da minha experiência.

Vou levar comigo as boas lembranças da melhor convivência com os colegas, ministras e ministros e com todas as servidoras e servidores. Temos um dos melhores quadros de servidoras e servidores públicos do país. Temos aqui excelentes vocações também para outros setores da nossa vida pública.

Agradeço à minha família, especialmente à Eurídice, sempre comigo, no estímulo necessário e na crítica indispensável. Às amigas e amigos, próximos e distantes, filhos, irmãos, irmãs, demais parentes, aderentes, a todos eu agradeço.

Sou agradecido e reconhecido a todos os servidores do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal pelo apoio que me deram nos longos anos da jurisdição e nos últimos tempos da administração.

Agradeço também, especialmente, aos servidores do meu gabinete, das Presidências do STJ e do Conselho da Justiça Federal. Mais que servidoras e servidores, são todos, hoje, minhas amigas e meus amigos.

Nada de olhar para trás. É seguindo em frente, em paz, que se vive vitoriosamente. O que eu disse quando cheguei, repito agora ao sair: minha origem é a estrada; meu destino é o futuro.

Obrigado.

Revista Consultor Jurídico, 20 de março de 2006, 12h45

Comentários de leitores

11 comentários

Caro Gilberto Acho q vc não entendeu, por isso...

No País do Faz de Conta (Outro)

Caro Gilberto Acho q vc não entendeu, por isso vou ser claro: quem quer ser advogado, que seja advogado; quem quer ser do MP que faça concurso para o MP; quem quer ser magistrado que faça concurso para magistrado; quem quer ser político q dispute convenções e as eleições... Se partirmos do seu pensamento, deveríamos obrigar o Executivo a indicar, obrigatoriamente, dentre seus ministros alguém do quinto constitucional, não necessariamente advogados e membros do MP; o Legislativo deveria preencher seus quadros com pessoas oriundas dum quinto, não necessariamente OAB e MP, além da foram originária e costumeira de investidura nos cargos... Quinto pra tudo...

Caro Heleno; Sem dúvida, nem tudo o que pert...

Gilberto Andrade (Advogado Sócio de Escritório - Comercial)

Caro Heleno; Sem dúvida, nem tudo o que pertence ao Direito, pertence à Moral (lembra-se do salário dos Marajás ? Era de direito, vez que instituído por Lei, mas retumbantemente imoral). Atrevo-me, contudo, a defender a importância do quinto. Politicagens existem e persistirão enquanto o homem for homem, acho que integra o lado perverso da "natureza humana". Recuso-me, contudo, a crer que todos os eleitos pelo 5o. são devedores de favores aos seus respectivos indicantes. Não nos esqueçamos, que mesmo os Juízes concursados,(alguns) tiveram de fazer alguma política, vez que há critérios subjetivos para as aprovações e nomeações, e que isso também não significa, obrigatoriamente, um comprometimento da parcialidade. Entendo que esse é um VALOR PERSONALÍSSIMO, isto é, se o indivíduo, seja juiz, advogado, desembargador ou o que for, estiver atado a bons princípios morais, nada há que o fará julgar com parcialidade. Caso contrário, não basta ser concursado, pois o Nicolau dos Santos Neves passou no concurso e foi a antítese da imparcialidade que desejamos ver em nossos Tribunais. Saudações Jurídicas.

Caro Gilberto: Como sou da ala da advocacia, g...

No País do Faz de Conta (Outro)

Caro Gilberto: Como sou da ala da advocacia, gostaria muito chegar, pelo quinto, a um Tribunal... Basta estudar como os juízes estudaram para passar no concurso, daí terei notável saber jurídico... O bom de tudo isso é que não vou precisar fazer concurso, pois terei um indicação e vou entrar pela porta do fundo! Isso é bom demais... Ganho dinheiro durante minha carreira, faço meus laços de amizade, estudo para ter notável saber jurídico, e, após fazer meus laços de amizade com políticos e comprometer minha parcialidade na defesa do interesse de meus clientes, sou premiado com uma indicação para um Tribunal por meio do quinto constitucional! É BOM DEMAIS! Nem tudo que é lícito, é honesto!

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