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Coração das Trevas

Jornalista mostra versão dos militares da Guerrilha do Araguaia

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[24]Durante o duelo entre os heróis, Heitor tinha proposto a Aquiles que aquele que matasse o adversário devolvesse o cadáver aos seus companheiros, o que Aquiles não acata de forma alguma. Então ainda ferido, Heitor suplica a Aquiles que não deixe que os cães o dilacerem e que envie o seu corpo a Tróia para que possa ter um funeral digno. No momento em que Aquiles vai matar Heitor, este suplica mais uma vez que entregue o seu corpo a Príamo, rei de Tróia, seu pai. Aquiles recusa e Heitor prediz-lhe a sua morte eminente (Aquiles será morto por uma flecha de Paris). E então, esquecendo o código de honra dos guerreiros e todas as normas da cavalaria, Aquiles ultraja grosseiramente o cadáver de Heitor. Perfurou-lhe os tendões dos pés, entre o tornozelo e o calcanhar, trespassou-os com uma tira, amarrrou-a no carro de combate e atiçou os cavalos a correrem, arrastando o cadáver de Heitor por três vezes em torno de Tróia. Homero. A Ilíada, Canto XXII. In: Thomas Bulfinch, op. cit., pág.262-265.

[25] Artigos 209 a 212 do Código Penal Brasileiro. In: Justino Adriano Farias da Silva. Tratado de Direito Funerário. São Paulo: Método Editora, 2000, Volume 2, pág. 716-717.

[26] O relatório da Marinha informa que seu nome correto seria Maria Célia Costa e que teria matado, a golpes de facão, o guerrilheiro Antônio de Pádua Costa. Segundo o Dossiê, foi morta em janeiro de 1974. Os próprios militares autores do Dossiê avaliam ser inverossímil a história de que Rosa teria justiçado um companheiro a golpes de facão. Avaliam que os oficiais da Marinha teriam misturado várias histórias.

[27] Adiante, há um relato sobre sua execução.

[28] Alguns militares não descartam a possibilidade de Paulo ter sido um informante cooptado pelo governo. Afinal, coincidentemente, ele desertou na véspera da Terceira Campanha. Mas nenhum dos militares que entrevistei tem qualquer informação precisa sobre o assunto. Ou seja, nenhum dos militares sabe se Paulo pertencia a alguma rede de informantes. Ou se apenas desertou.

[29] in: Diário do Velho Mário, Op. cit., pág. 107.

[30] A 19 nov. 1973, de acordo com o Dossiê.

[31] Volkswagen 1.300, o Beetle, como o automóvel é chamado na Europa e nos Estados Unidos. Na época, um Fusca novo custava 13 mil cruzeiros. Hoje, o automóvel mais popular é o Fiat Mille, que custa cerca de 20 mil reais.

[32] No início da campanha, os guerrilheiros eram chamados de “paulistas” pelos moradores da região. Àquela altura, conforme a narrativa, já estavam sendo chamados de “povo da mata”, como eles gostavam se ser reconhecidos, até por aqueles estabelecidos que os caçavam.

[33] Apud: Campos Filho, op. cit., pág. 149. Narrativa oral de J.A. (iniciais). Tais Morais e Eumano Silva registram igualmente a decapitação de Arildo. Apuraram junto a moradores da região que teria sido apanhado por uma patrulha formada por cinco militares e três mateiros, entre eles o camponês Sinézio Martins Ribeiro. A cabeça de Arildo teria sido recebida em Xambioá por um militar de codinome Dr. Cezar. Op.Cit., págs. 462 et 463.

[34] Este, irmão do cabo Rosa, morto na Primeira Campanha.

[35] ALMEIDA, Jaqueline. “Ossada dos guerrilheiros virou pó”. Belém: O Liberal, 22 mai. 2005, pág. 8.

[36] A ex-guerrilheira Criméia Almeida levanta a hipótese das decaptações terem começado antes, ainda na Segunda Campanha. Ela relata ter assistido a slides com cabeças cortadas durante sessões de interrogatório na prisão do Pelotão de Investigações Criminais (PIC), em Brasília. Eis seu relato: “Sobre as cabeças cortadas que eu vi em slides. Foi em abril de 1973, pois eu já tinha voltado para o PIC. Havia quase diariamente uma sessão de tortura que se chamava 'cineminha'. Eu ficava numa sala na penumbra e eram projetados slides de mortos e de sacos de onde eram tiradas pelos cabelos cabeças cortadas com bastante sangue coagulado no pescoço, formando uma imensa gota espessa. Aparecia também as pernas dos soldados que as seguravam (digo soldados porque estavam de calça verde-oliva e coturnos). Pareciam lugares descampados em plena mata. Não sei quantas cabeças me foram mostradas porque essas sessões de 'cineminha' se repetiam com freqüência e numa própria sessão os slides se repetiam. Nessas sessões, um militar se sentava de frente para mim, de costas para a tela e anotava as minhas expressões faciais, suponho, e me mandava olhar para a tela sempre que eu desviava os olhos. Foi uma das cenas mais chocantes de tortura que eu vivenciei, se é que dá para classificar tortura em mais ou menos chocante”. Narrativa oral em 08 nov. 2005.

[37] Romualdo Campos Filho, op. cit., pág. 148.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 9 de março de 2006, 13h18

Comentários de leitores

1 comentário

1. Os fatos narrados - sem juizo de valor - sã...

Marchini (Outros - Internet e Tecnologia)

1. Os fatos narrados - sem juizo de valor - são impressionantes e, com certeza, pincelados do que foi a realidade. A violência de ambos os lados foi bastante mais cruenta. 2. Entendo também que ainda prevalece no imaginário coletivo a versão de guerrilheiros românticos lutando pela pátria, o que não é exclusivamente verdade; houve reação e repressão tão brutal quanto as ações iniciais, nada foi de graça, sempre foi chumbo trocado. 3. Talvez em algumas décadas a verdade menos passional apareça.

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