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Exame de Ordem

OAB não pode exigir diploma para inscrição no Exame de Ordem

A exigência de diploma ou certificado de conclusão de curso para inscrição no Exame de Ordem não é razoável. A decisão é do desembargador Frederico Gueiros, presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, confirmada pelo Órgão Especial.

O desembargador garantiu a um universitário a inscrição do Exame de Ordem da seccional capixaba da OAB, independentemente da apresentação da fotocópia do diploma ou certificado de colação de grau do curso de Direito. Segundo a decisão, a apresentação dos documentos pode ser feita quando do recebimento da carteira de advogado.

A OAB capixaba recorreu da decisão da 12ª Vara Federal de Vitória, que concedeu o pedido de liminar ao candidato. Argumentou que, por exercer uma função de interesse público, no caso a defesa e a seleção dos advogados em todo o Brasil, qualquer ingerência em seu exercício acabaria gerando lesão à ordem pública.

No entanto, para Frederico Gueiros, relator do caso, a OAB não comprovou o risco de grave lesão à ordem pública. De acordo com o desembargador, o edital que regulamenta o Exame e exige a apresentação da fotocópia do diploma para que seja efetivada a inscrição não pode ser classificado como ilegal, “entretanto, a atuação da Ordem dos Advogados do Brasil há que estar pautada não apenas na legalidade, mas também no princípio da razoabilidade, de modo que a valoração da conveniência e oportunidade tem que estar em consonância com aquilo que, de acordo com o senso comum das pessoas, é razoável, coerente”.

O presidente do TRF-2 ressaltou que o aluno está matriculado no 10º período do curso de Direito e que a obtenção de grau de bacharel é somente uma questão de tempo e provavelmente será atendida na data do exame. Portanto, a exigência antecipada, já na inscrição, da comprovação que o estudante de Direito já tenha colado grau de bacharel é desproporcional.

2005.02.01.010115-3

Leia a decisão monocrática do desembargador

RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL FREDERICO GUEIROS

REQUERENTE: ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – ESPÍRITO SANTO

ADVOGADO: ROSA MARIA ASSAD GOMEZ

REQUERIDO: JUÍZO FEDERAL DA 12ª VARA - ES

INTERESSADO: SERGIO HENRIQUE BARCELOS SILVEIRA

ADVOGADO: FLÁVIA BARCELLOS COLA

ORIGIN.: 2005.50.01.007476-9

Decisão

Trata-se de pedido de suspensão dos efeitos de liminar concedida em mandado de segurança impetrado por Sergio Henrique Barcelos Silveira objetivando seja assegurado seu direito de efetuar a inscrição no Exame da Ordem da OAB/ES independentemente da apresentação da documentação exigida no item 1.5.1 do Edital nº 02/2005, qual seja, fotocópia do diploma ou certificado de colação de grau, de prestar o exame, sendo-lhe aplicada as provas objetiva e prático-profissional e, ainda, de receber a carteira de advogado em caso de aprovação no exame e conseqüente apresentação dos documentos necessários para o ato.

O MM. Juiz da 12ª Vara Federal de Vitória, Seção Judiciária do Espírito Santo, deferiu a liminar para determinar “às autoridades impetradas que defiram a inscrição do impetrante no exame de ordem, independentemente de apresentação do diploma ou do certificado de colação de grau, sendo-lhe aplicadas as provas objetiva e prático-profissional no dia 28 de agosto, bem como a entrega da carteira de advogado em caso de aprovação no exame, desde que preenchidos os demais requisitos legais”, por entender configurada a relevância do fundamento da impetração, e, bem assim, o risco de ineficácia da medida em vista da data marcada para a realização do Exame ( 28.08.2005),fulcrado na aplicação analógica do enunciado da Súmula nº 266 do E. Superior Tribunal de Justiça, e, ainda, nos seguintes fundamentos (fls. 37/40), verbis:

“(...) o art. 8º da Ordem dos Advogados do Brasil,Lei nº 8.906/94, dispõe que só é exigido o diploma ou a certidão de bacharel em direito no momento da inscrição nos quadros da OAB:

O edital não pode derrogar a norma prevista em lei. Assim, para inscrever-se no Exame de Ordem, o candidato só precisa comprovar o preenchimento do formulário de inscrição e o pagamento da taxa dentro do prazo previsto no edital. A apresentação do diploma só pode ser exigida quando da efetivação da inscrição do impetrante no quadro de profissionais da OAB, caso seja aprovado no exame de ordem.”

Aponta a Ordem dos Advogados do Brasil que o beneficiário da decisão objeto do pedido de suspensão de liminar não recebeu o grau de bacharel em Direito, o que o impede de realizar o Exame da Ordem, nos termos do art. 8º da Lei n.º 8.906/94, que só admite a inscrição no Quadro de Advogados da Ordem dos Advogados do Brasil dos Bacharéis em Direito aprovados no Exame da Ordem.

Requer, assim, com base no art. 4º da Lei n.º 4.348/64, a suspensão dos efeitos da decisão liminar, ao argumento de que a execução daquela causará grave lesão à ordem pública, uma vez que impede a execução do comando constitucional que assegura aos administrados a seleção dos profissionais da advocacia com a observância das exigências legais, tendo em vista que a administração da justiça é espécie do gênero atividade pública e a Constituição Federal, no art. 133, considera o advogado indispensável à administração da justiça.

E prossegue no sentido de que, além de ter como finalidade, dentre outras, a defesa da Constituição e da ordem jurídica, promove, com exclusividade, a representação, a defesa e a seleção dos advogados em toda a República Federativa do Brasil, exercendo uma função de interesse público, cuja ingerência em seu regular exercício implica em grave lesão à ordem pública.

No que se refere à aplicação do enunciado da Súmula n.º 266 do STJ, destaca a Autarquia que o Exame de Ordem constitui pré-requisito para a habilitação ao exercício da profissão de advogado e difere, neste aspecto, do concurso público, porquanto este tem por finalidade admitir no serviço público profissionais que já apresentam os pré-requisitos exigidos para o exercício profissional, em razão do que hipótese dos autos é diversa daquela que ensejou o entendimento sumulado.

Sustenta, ainda, a Ordem dos Advogados do Brasil, em prol de sua pretensão, a periodicidade do respectivo Exame, que aponta ser realizado, pelo menos, duas vezes ao ano, exatamente para propiciar aos estudantes que se formam a oportunidade de participarem de uma ou outra seleção realizada anualmente.

Como é de correntia sabença, a doutrina e a jurisprudência anotam, de forma pacífica, a excepcionalidade desta suspensão de liminar, medida de contracautela, gizando que a suspensão dos efeitos da liminar só deve ocorrer nas hipóteses em que do imediato cumprimento da decisão decorrer fundado risco de afronta a um daqueles valores protegidos pelo art. 4º da Lei nº 4348/64, e, bem assim, pelo art. 4º da Lei nº 8.437/92, coibindo-se, desta maneira grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas.

De se reconhecer, portanto, que o pressuposto fundamental que autoriza o manejo desta via excepcional é a preservação do interesse público em seu sentido lato, descabendo perquirir-se nesta via acerca do acerto ou desacerto da decisão alvejada na espécie.

Examinando as razões trazidas pela requerente, fácil de se verificar que não restou demonstrado o risco de grave lesão à ordem pública decorrente da execução da liminar na espécie.

É inolvidável o poder discricionário da Autarquia no tocante à habilitação ao exercício da advocacia, não sendo-lhe vedada a imposição de regra editalícia que antecipe a comprovação da graduação em Direito para a data da inscrição no Exame. Isto porque o comando da Lei nº 8.906/94, denominada de Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, em seu art. 8º, incisos II e IV, estabelece, como requisitos para o exercício regular da profissão, a apresentação de diploma ou da certidão de graduação em direito e a aprovação do Exame da Ordem, não especificando o momento em que os referidos documentos devem ser apresentados na data da inscrição no Exame ou na data da inscrição nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil.

Assim é que não se pode inquinar de ilegal a regra editalícia em comento, cuja estrita observância visa preservar a regularidade da atividade de seleção dos profissionais habilitados à prática da advocacia, de modo a não comprometer a efetividade e a segurança do Exame da Ordem.

Entretanto, a atuação da Ordem dos Advogados do Brasil há que estar pautada não apenas na legalidade, mas também no princípio da razoabilidade, de modo que a valoração da conveniência e oportunidade tem que estar em consonância com aquilo que, de acordo com o senso comum das pessoas, é razoável, coerente.

Na hipótese vertente, o aluno está matriculado no 10º período do Curso de Direito cuja obtenção do grau de bacharel é uma questão de tempo que, provavelmente, restará atendida quando da realização do exame.

A exigência antecipada, na espécie, da comprovação de que o estudante de Direito já tenha colado grau de bacharel é desproporcional porque não se faz necessária à consecução do objetivo a que se destina o Exame da Ordem.

Assim é que o interesse público não está a recomendar que seja o candidato impedido de realizar a prova, nestas circunstâncias específicas, não demonstrado o risco de desordem pública daí decorrente.

Isto posto, não restando demonstrada, nestas circunstâncias específicas, o risco de grave lesão à ordem pública, indefiro o presente pedido de suspensão dos efeitos da liminar.

Intime-se

Rio de Janeiro, 28 de setembro de 2005.

FREDERICO GUEIROS

Presidente

Revista Consultor Jurídico, 7 de março de 2006, 12h51

Comentários de leitores

6 comentários

Prezado Dr.A.C.Dinamarco, Fiquei muito satisf...

Fernando Lima (Professor Universitário)

Prezado Dr.A.C.Dinamarco, Fiquei muito satisfeito por encontrar neste forum alguém de sua capacidade e, ao mesmo tempo, integrante do Conselho da OAB. Gostaria de solicitar de V.Sa. uma justificação jurídica para a constitucionalidade do Exame de Ordem. Colo a seguir a mensagem que encaminhei à ANPR: Ao Exmo. Sr. Dr. Nicolao Dino de Castro e Costa Neto DD Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República Desejo parabenizá-lo, e à Associação Nacional dos Procuradores da República, pela ação referente à OAB, noticiada na Internet, no endereço: http://www.anpr.org.br/index.php?ID_MATERIA=1797&ID_TEMPLATE=6 Especificamente em relação ao Exame de Ordem, que de acordo com essa notícia também está sendo questionado pelos Procuradores da República, no Estado do Rio de Janeiro, permita que lhe solicite, desde logo, que seja examinada a possibilidade de ingresso com Ação Civil Pública, contra todas as Seccionais da OAB, em defesa dos milhares de bacharéis que estão sendo impedidos de trabalhar, em todo o Brasil, devido a essa exigência inconstitucional. Informo que já estão sendo protocoladas as necessárias representações, em cada Estado. Já ingressamos com representações perante o MPF em SP, DF e RS. O modelo da representação pode ser lido neste endereço: http://www.profpito.com/repreaompfexame.html Informo, ainda, que já escrevi diversos artigos, demonstrando a inconstitucionalidade do Exame de Ordem, que podem ser lidos, juntamente com muitos outros textos, de diversos autores, na página: http://www.profpito.com/exame.html A Ordem dos Advogados do Brasil, em nenhum momento, nos últimos anos, contestou os argumentos jurídicos que temos usado, para provar a inconstitucionalidade do Exame de Ordem. Os seus dirigentes se limitam a afirmar que houve uma enorme proliferação de cursos de direito e que o MEC não tem fiscalizado, como deveria, a qualidade desses cursos. Assim, logicamente – no entendimento deles, é claro – cabe à OAB avaliar os bacharéis e impedi-los de trabalhar. Não é preciso dizer que esse argumento solitário da OAB é, juridicamente, um rematado absurdo. Equivaleria a afirmar que, se o Governo de São Paulo não consegue combater a criminalidade, caberia à OAB fazê-lo. Ou, ainda, que, se o Judiciário não funciona corretamente e com celeridade, caberia à OAB designar os seus advogados para o exercício da função jurisdicional. Aliás, esse mesmo argumento, que denota a mais inconcebível deturpação dos conceitos de competência e de separação de funções do Estado, vem sendo utilizado, pela OAB, há muitos anos, para manter diversos convênios com o Estado de São Paulo e com diversos municípios paulistas, para dar emprego a mais de cinqüenta mil advogados, que atuam como defensores públicos, o que também ocorre em vários outros Estados brasileiros. A razão, como não poderia deixar de ser, de acordo com os dirigentes da Ordem: se não existe Defensoria, ou se ela não funciona a contento, cabe à OAB defender os pobres. Como o Estado não tem sido capaz de organizar as Defensorias e contratar defensores concursados, a OAB passa a desempenhar essa importantíssima missão, de defender os pobres. Evidentemente, os advogados são pagos com verbas públicas e, aliás, na nova Lei que criou – finalmente, em janeiro de 2.006, depois de mais de dezessete anos, - a Defensoria de São Paulo, está previsto, também, o pagamento de uma taxa de administração, à Seccional da OAB, que está sendo estimada em doze milhões anuais. Pelos seus relevantes serviços, prestados na administração do Convênio. Vossa Excelência tem toda a razão, quando afirma que, “No Estado Republicano, nenhuma instituição está isenta do controle de legalidade e é missão do Ministério Público efetivar esse controle”. É muito engraçado que a OAB afirme que não está sujeita a qualquer controle e que “a fiscalização de sua gestão cabe somente aos seus próprios órgãos de controle”. A respeito dessa absurda idéia, que infelizmente vem prevalecendo, há muitos anos, graças ao poder e à credibilidade da OAB, mas também ao receio que quase todos têm, de enfrentar, abertamente, os abusos que ela tem praticado, o Dr. Roberto Busato afirmou, em recente entrevista, que a OAB não está sujeita a controles, porque não é um poder. Fonte: http://www.oabms.org.br/canal/noticias/?codModelo=19&id=1140 Ou seja, no entendimento dessa autoridade, a separação dos poderes serve apenas para o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. No entendimento – muito conveniente - dos seus dirigentes, a Ordem dos Advogados, por não ser um poder, pode controlar a todos e atuar em todos os Poderes do Estado, sem sofrer qualquer controle. Na verdade, a OAB não é um dos Poderes do Estado, mas está sendo transformada em um super-poder, porque não se sujeita a qualquer controle e passa a desempenhar todas as funções do Estado, desrespeitando a própria Constituição Federal. Assim, insatisfeita com a sua relevante posição constitucional e com o enquadramento da advocacia no âmbito das funções essenciais à Justiça, ao lado das Defensorias e do Ministério Público, ela invade as atribuições da Defensoria Pública, para designar os milhares de advogados, não concursados, que vão atuar como defensores públicos e receber remuneração diretamente do Estado. Assim, sob o pretexto de que o controle pelo Tribunal de Contas da União atentaria contra a sua independência, a OAB se nega a prestar contas a quem quer que seja, alegando que “tem os seus próprios controles internos”. Todos os outros órgãos, da administração direta ou indireta, estão sujeitos a controle, de acordo com o art. 70 da Constituição Federal. A OAB não, porque, de acordo com os seus dirigentes, ela não é uma autarquia, como qualquer outra, mas uma autarquia especial. Muito especial, aliás, porque conseguiu, do Tribunal de Contas da União, uma Decisão absurda – embora por quatro votos a três -, dizendo que deve ser mantida uma Decisão de 1951, do antigo Tribunal Federal de Recursos, no sentido de que a OAB não está sujeita ao controle do TCU. O motivo alegado, o respeito à coisa julgada, que qualquer estudante de curso jurídico sabe que não pode prevalecer contra uma nova Ordem Constitucional. No caso, foram várias: 64, 67, 69, 88. Além disso, segundo eles, as suas anuidades não são tributos, como previsto no art. 149 da Constituição Federal, para as contribuições de interesse de todas as outras categorias profissionais. Elas são, dizem eles: “dinheiro dos advogados”. A OAB invadiu, até mesmo, as atribuições legiferantes do Congresso Nacional e o poder regulamentar do Presidente da República, quando disciplinou, por exemplo, através de seu Conselho Federal, o Exame de Ordem e o seu próprio Regulamento. Evidentemente, o § 1º do art. 8º e o art. 78 da Lei n° 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB) são inconstitucionais, porque o poder regulamentar do Presidente da República (art. 84, IV, da Constituição Federal) não poderia ser transferido para o Conselho Federal da OAB, e isso é tão evidente que não poderia ser negado pelos seus dirigentes, que têm a obrigação de respeitar a Constituição (art. 44 de nosso Estatuto). Como qualquer advogado, aliás, nos termos do nosso Código de Ética e de acordo com o juramento que proferimos. Ou será que as lições que todos os bacharéis em direito receberam, na Academia, não se aplicam à OAB? A OAB se negou, recentemente, a respeitar mandados judiciais de busca, em escritórios de advocacia, afrontando assim a Polícia Federal e a Justiça Federal. Os advogados foram aconselhados a resistir, até mesmo, fisicamente, às ordens judiciais. Em Manifesto distribuído, na época, constava que: “8) Por isso, sendo manifestamente ilegais as invasões de escritórios de advocacia (a ordem emanada de juiz não lava a ilicitude) e não havendo tempo hábil para a reparação do dano na via jurisdicional, alternativa não sobra aos advogados que não RESISTIR a tais e ilícitas invasões, opondo-se à ação policial na defesa de direito constitucional e legalmente assegurado. 9) Não se ignora que a oposição física à ilegalidade oficial poderá levar a situações extremas, inclusive com perigo à incolumidade pessoal e à vida. Não será esta, no entanto, a primeira vez em que os advogados arrostarão riscos por causa das liberdades no Brasil. Assim foi no "Estado Novo", assim foi nos "Anos de Chumbo", e assim será, sempre e sempre.” A OAB invadiu a autonomia da Academia, das Universidades, para impor as alterações que julgou necessárias nos cursos jurídicos. A partir de agora, os cursos jurídicos são obrigados a preparar os seus alunos, exclusivamente, para a aprovação no Exame de Ordem, sob pena de serem acusados, os seus dirigentes e os seus professores, da prática de um “estelionato educacional”, conforme definido pelo Dr. Roberto Busato, que é um competente criminalista. Aliás, quem critica o Exame de Ordem ou apresenta projetos de lei para acabar com o Exame de Ordem pratica, também, o crime de “incitamento ao estelionato”, de acordo com essa autoridade. A OAB, através de suas Escolas Superiores da Advocacia, sob o pretexto de suprir as lacunas dos cursos jurídicos, passou a organizar inúmeros cursos de extensão e de pós-graduação. Até mesmo cursos preparatórios para o Exame de Ordem e cursos de didática e metodologia do ensino jurídico! A Ordem passou a funcionar como um enorme Curso Jurídico, evidentemente isento da fiscalização do MEC, fazendo convênios, (http://br.geocities.com/cursos_esa/calc2ed.htm), também, sem qualquer transparência, com diversas instituições de ensino superior, o que oferece o risco de favorecimentos a determinadas instituições, em decorrência de amizades, parentesco, etc. Além disso, não satisfeita, a OAB consegue impor, também, ao Executivo e ao Mec, a sua opinião, a respeito da abertura de novos cursos jurídicos, e passa a fiscalizar e avaliar os cursos de direito e os bacharéis, submetendo-os a um Exame de Ordem, que de acordo com os seus dirigentes serviria – o que não é verdade, absolutamente - para avaliar a capacidade profissional dos futuros advogados, e, até mesmo – o mais absurdamente inconcebível -, a própria ética dos bacharéis. Ressalte-se que, para qualquer outro bacharel brasileiro, em todas as outras profissões liberais regulamentadas, não existe exame semelhante. Não se respeita, evidentemente, nem ao menos, o princípio constitucional da isonomia. O Presidente da OAB, Dr. Roberto Busato, criticando o recente projeto do Senador Gilvam Borges, que pretende acabar com o Exame de Ordem, declarou que se trata de um projeto inconseqüente e de um incentivo ao estelionato. Disse, ainda, que: “...a entidade, através do Exame de Ordem, busca aquilatar o conhecimento ético dos que pretendem advogar. Nesse sentido, ele observou que a OAB reformulou recentemente, por meio de um provimento, as regras sobre o Exame de Ordem, aumentando o número das questões éticas para os bacharéis submetidos a essa prova. Busato destacou que, diante dessas questões que são colocadas no Exame, é que a OAB pode aferir a qualidade dos conhecimentos do ensino que recebeu o profissional e atestar à sociedade que aqueles que pretendem advogar são merecedores da confiança dos brasileiros.” Fonte: http://jdia.leiaonline.com.br/index.pas?codmat=14961&pub=1 Ou seja: de acordo com o Presidente da OAB, se o bacharel em direito decorar todo o nosso Código de Ética, para ser aprovado no Exame de Ordem, ele passará a ser honesto, e poderá merecer toda a confiança dos brasileiros que precisarem dos seus serviços. Se a OAB aumentar o número das “questões éticas” em seu Exame de Ordem, será possível garantir que os bacharéis aprovados não se envolverão com o crime organizado. O Presidente da OAB disse, finalizando a sua entrevista, que: “o projeto de Gilvam incentiva também um estelionato em relação à sociedade, que assim não conseguirá encontrar um advogado melhor dotado de princípios éticos.” Não resta nenhuma dúvida, portanto: o Dr. Roberto Busato acredita, piamente, que o bacharel que estudar o Código de Ética se converterá, em um passe de mágica, talvez, em um advogado honesto. Isso seria, não resta a menor dúvida, muito bom, se fosse possível, ou simplesmente concebível. O que não se pode compreender é que o Presidente da OAB tenha a coragem de afirmar esse absurdo, mesmo respaldado pelo poder e pela credibilidade – hoje, bastante reduzida -, de nossa autarquia corporativa. Se isso fosse verdade, teríamos nas mãos a solução milagrosa para todos os nossos problemas. Até mesmo para o problema da criminalidade e para a superlotação dos nossos presídios. Por que não? O Dr. Roberto Busato, que é um competente criminalista, poderia providenciar, através das Escolas Superiores da Advocacia, a realização de cursos de Direito Penal, que seriam ministrados em todos os nossos presídios. Se necessário, poderiam ser celebrados convênios com as Universidades e com o Estado brasileiro, para a devida remuneração dos mestres, designados pela OAB. Ao término do Curso, a própria OAB poderia realizar um Exame, para avaliar o aproveitamento dos detentos. Os aprovados poderiam ser libertados, evidentemente, porque estariam inteiramente recuperados para o convívio social. Conhecendo o Código Penal, logicamente, eles não poderiam voltar a delinqüir, da mesma forma como os advogados que conhecem o Código de Ética da Advocacia passam a demonstrar a mais ilibada conduta, em qualquer situação. Quem afirmou isso foi o próprio Presidente da OAB. O mais incrível é que essa idéia não nos tivesse aparecido, muito antes! Pois bem, Exmo. Sr. Dr. Presidente da ANPR, de acordo com o referido noticiário, a Seccional da OAB no Rio de Janeiro acusou os integrantes do Ministério Público de extrapolarem as suas funções, por terem feito diversas requisições, referentes, por exemplo, aos critérios utilizados pela OAB/RJ para a realização e correção do Exame de Ordem, aumento das anuidades, registro de cooperativas de advogados, e aos critérios para a concessão de assistência a advogados. O Presidente da OAB/RJ, em represália, pediu providências ao CNMP e ao Procurador Geral da República, alegando que a Ordem “constitui-se como um serviço público federal autônomo que não se emoldura como integrante do Poder Público e, ainda que pública, não tem vinculação ou subordinação a órgão algum”. Como se isso fosse juridicamente possível!!! Se um determinado órgão, no Brasil, tem natureza jurídica de direito público, precisará ser enquadrado na administração direta, caracterizada pela subordinação, ou na administração indireta, caracterizada pela vinculação. Não existe uma terceira hipótese, a não ser a da OAB, cuja caracterização jurídica é, até hoje, um segredo mais bem guardado do que o segredo da Esfinge! Não resta dúvida, portanto, conforme dito por Vossa Excia., que a OAB deve se submeter ao controle da legalidade, como qualquer outra instituição, pública ou privada. A OAB deveria defender a Constituição, o que significa, inelutavelmente, que, na absoluta ausência de argumentos jurídicos favoráveis ao Exame de Ordem, já inteiramente constatada, ela deveria rever o seu posicionamento. Para cumprir a sua missão constitucional, o seu Código de Ética e o próprio juramento do advogado. No entanto, os seus dirigentes preferem se comportar como se detivessem o monopólio da moral e da ética, adotando um comportamento fundamentalista, regido sempre pelo princípio da autoridade e pela máxima segundo a qual os fins justificam os meios. Não resta dúvida, contudo, de que ao Ministério Público cabe, também, a defesa da Constituição e, no caso, a defesa do direito dos milhares de bacharéis que estão sendo inconstitucionalmente impedidos de exercerem a advocacia, direito esse assegurado, como cláusula pétrea, no art. 5º, XIII, de nossa Carta Magna. Permita, portanto, Excia., que o parabenize, e aos Procuradores da República, uma vez mais, e que lhe encaminhe esta Profissão de Fé, em relação ao Ministério Público Federal, que certamente se manifestará, em defesa dos milhares de bacharéis que estão sendo impedidos de trabalhar, em todo o Brasil, devido a essa exigência inconstitucional, da Ordem dos Advogados do Brasil. Belém (PA), 19.07.2006 Atenciosamente, Fernando Lima Professor de Direito Constitucional da Unama

Respeito as opiniões supra externadas, mas acre...

Thiago Litwak (Estagiário - Criminal)

Respeito as opiniões supra externadas, mas acredito que esteja havendo algum equívoco quanto à interpretação do pleito do estudante capixaba, devidamente ratificado pelo TRF-2ª Região. Ora, não se está postulando a inscrição nos quadros da OAB sem a colação do grau (=formatura); mas, tão somente, o direito de se submeter ao Exame da Ordem, independentemente da apresentação de qualquer tipo de comprovante. A aprovação no Exame da Ordem não garantirá ao candidato a inscrição na OAB, estando esta vinculada ao término do curso e efetiva colação de grau. Não se pode admitir que um concluinte do Curso de Direito, no 10º período, seja impedido de se submeter ao Exame da Ordem, porque ainda não se formou oficialmente, sendo tal situação questão meramente formal, cuja iminência é cabal. Logo, a decisão é impecável.

Senhor Pintão : compreendo o motivo de tanta re...

A.C.Dinamarco (Advogado Autônomo)

Senhor Pintão : compreendo o motivo de tanta revolta : o senhor é só um Bacharel que, provavelmente, ainda não conseguiu ser um Advogado ; isto é, foi reprovado no Exame de Ordem. Reclame de sua Escola, por favor. Assim, as próximas turmas serão melhor preparadas, com certeza. Antonio Cândido Dinamarco, Conselheiro da 1a. Turma do Conselho de Prerrogativas da OAB-sp. acdinamarco@adv.oabsp.org.br

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