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Público X Privado

Sindicato tenta anular licitação de serviços bancários em SP

A exemplo da briga que ocorre no Ceará, o sindicato que representa os empregados de bancos de São Paulo está tentando barrar licitação para a contratação de serviços bancários pela prefeitura paulistana. O sindicato alega que a licitação desrespeita decisão do Supremo Tribunal Federal.

Em setembro do ano passado, o Supremo suspendeu a eficácia de dispositivo da Medida Provisória 2.192/01, que garantia ao comprador de um banco estadual o monopólio da movimentação financeira do estado. O Plenário entendeu haver afronta à Constituição Federal (artigo 164, parágrafo 3º), segundo a qual as disponibilidades de caixa dos estados e dos órgãos ou entidades do poder público e das empresas por ele controladas serão depositadas em instituições financeiras oficiais, ressalvados os casos previstos em lei.

Na Reclamação ajuizada no STF, o presidente em exercício do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, Luiz Cláudio Marcolino, alega que o entendimento do Supremo está sendo desrespeitado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Marcolino afirma que moveu ação popular e obteve liminar que suspendeu o Edital Pregão CEL-SF 01/05, do qual participaram apenas bancos privados (Itaú e Bradesco). O município recorreu da decisão ao TJ paulista e teve o pedido de suspensão de liminar deferido, garantindo a realização do leilão no dia 5 de setembro de 2005, antes de o Supremo suspender o dispositivo da Medida Provisória. O Itaú ganhou a licitação.

Após o entendimento do Supremo, o sindicato dos bancos ajuizou Reclamação, distribuída ao ministro Marco Aurélio, contra os atos administrativos praticados pelo município de São Paulo. Já no TJ-SP, apresentou Agravo Regimental contra a decisão do presidente do tribunal, mas o Órgão Especial do tribunal paulista negou o recurso.

Posteriormente, o sindicato ajuizou a Reclamação 4.131, em que pede liminar para suspender, até o julgamento final da ação, os efeitos do acórdão proferido pelo Órgão Especial do TJ paulista, a fim de que sejam imediatamente suspensos todos os efeitos do edital. No mérito, requer a cassação definitiva do acórdão do Órgão Especial.

Banco do Ceará

No Ceará, a briga judicial sobre a privatização do BEC começou em 2001, quando o STF declarou inconstitucionais dispositivos da Medida Provisória 2.912/01 que autorizavam, até o final de 2010, a garantia do monopólio das contas públicas para o comprador de bancos privatizados.

Em dezembro de 2005, uma decisão da ministra Ellen Gracie, do STF, autorizou o leilão do banco, que já havia sido marcado e desmarcado pelo menos duas vezes. O BEC foi vendido para o Bradesco por R$ 700 milhões.

RCL 4.131

Revista Consultor Jurídico, 6 de março de 2006, 18h13

Comentários de leitores

2 comentários

Na verdade, aqui em São Paulo, toda esta briga ...

Guilherme G. Pícolo (Advogado Autônomo - Civil)

Na verdade, aqui em São Paulo, toda esta briga está sendo patrocinada pelo BANESPA, que é controlado pelo grupo espanhol Santander e que conta apenas com participação minoritária do Estado. O Banespa perdeu as contas dos funcionários públicos municipais (é o quarto maior orçamento do país inteiro) e, enquanto pode, tripudiou sobre as contas dos mesmos, fazendo descontos na fonte do pagamento e verdadeiras "penhoras" extrajudiciais nas contas-salário ao arrepio da lei, inclusive desrespeitando desições judiciais, sei disso por experiência própria. Este sindicato dos bancários, a exemplo de muitos outros, como o dos jornalistas, apenas manipula seus associados de acordo com o contracheque do interesse que o patrocina no momento. O do Banespa-Santander deve ser bem alto... não tem nenhum interesse público em questão, apenas a ganância de um banco estrangeiro e uma cambada de vagabundos-vendidos.

Senão bastasse o desmantelamento do Estado, den...

No País do Faz de Conta (Outro)

Senão bastasse o desmantelamento do Estado, dentre tais medidas a transferência das instituições bancárias estaduais à iniciativa privada, tem gente por aí defendendo o monopólio da movimentação bancária do Poder Público junto ao Banco que adquiriu a instituição alienada... Aonde vamos parar? Primeiro eles sucateiam o banco estadual (após a retirada de dinheiro para A, B e C, os quais não efetuaram nem vão efetuar o pagamento daquilo que receberam a título de empréstimo; depois o Poder Público injeta dinheiro no Banco para recuperá-lo, a fim de torná-lo viável à privatização... Em seguida, como só as instituições financeiras privadas q detêm numário suficiente para adquirir um banco, eles acabam arrematando o Banco estadual por preço inferior ao que o Governo despendeu para sanear a instituição antes da privatização... Encerrada a transação, precedida de muitas regalias e favorecimentos indevidos, o banco privado é o dono da instituição alienada... A questão do monopólio da movimentação bancária vai dar o que falar, pois, neste mundo globalizado e capitalista, que instituição financeira se comprometeria a adquirir um banco estadual se todo numerário do Poder Público não ficasse sob os seus cuidados? Pessoal: As formas ocultas do sistema financeiro vão se movimentar a todo vapor (R$......) para conseguir, custe o que custar, arrematar o monopólio da movimentação bancária em detrimento dos bancos públicos... Q OS PODERES EXECUTIVO, JUDICIÁRIO E LEGISLATIVO NÃO VENHAM A SUCUMBIR DIANTE DO CAPITALISMO...

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