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Medo do monstro

Delegado pede celeridade em ação contra Scuderie Le Coq

Por 

O delegado federal Francisco Badenes esteve com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), que se comprometeu a encaminhar um ofício ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região solicitando a agilização do trâmite do processo contra o Esquadrão da Morte Capixaba Scuderie Detetive Le Cocq. Em ofício expedido pelo procurador da República Ronaldo Albo, está estampada a preocupação com a ressurreição da Scuderie.

O procurador da República se diz “muito preocupado” ao ter constatado que o processo foi colocado em segredo de Justiça e engavetado. Badenes e Albo foram os principais inimigos da Scuderie Detetive Le Cocq, o clássico Esquadrão da Morte do Espírito Santo. Seu símbolo é uma caveira, sobreposta a duas tíbias cruzadas e duas letras brancas sobre um fundo negro: EM, de Esquadrão da Morte.

A Scuderie foi oficialmente fundada em 24 de outubro de 1984, pautada para “aperfeiçoar a moral e servir à coletividade”. Dela são sócios advogados, juízes, políticos e promotores, auto-intitulados “irmãozinhos”. A Le Cocq é acusada de 30 assassinatos políticos cometidos em 18 anos e quase 1.500 homicídios anuais que transformaram o Espírito Santo no segundo estado mais violento do Brasil.

A organização surgiu no Rio de Janeiro, em 1965, quando um grupo de policiais decidiu vingar a morte de um detetive, Milton Le Cocq. Cara de Cavalo, o bandido que matou Le Cocq, foi exterminado com mais de cem disparos e seu corpo coberto com o cartaz de uma caveira.

A CPI do Narcotráfico indiciou seis delegados da Polícia Civil capixaba e 24 policiais civis como integrantes do crime organizado. Todos eram filiados à Scuderie Le Cocq e são acusados de crimes que variam da receptação de carros roubados à organização de assaltos a banco, passando por homicídios e tráfico internacional de drogas.

Em dezembro de 2004, o juiz da 4ª Vara da Justiça Federal, em Vitória, Alexandre Miguel, determinou a extinção da Scuderie Le Cocq. De acordo com a sentença proferida no dia 5 de novembro, o juiz determina a dissolução da pessoa jurídica Scuderie Detetive Le Cocq e manda suspender de imediato todas atividades da organização. O documento também proíbe a divulgação do nome e de símbolos da Scuderie.

A decisão da Justiça Federal acata o pedido do Ministério Público Federal, que havia ingressado há mais de dois anos pedindo a extinção da organização, com a alegação de que a Scuderie Le Cocq tem natureza paramilitar e persegue objetivos ilícitos em detrimento de órgãos e interesses da União. Além disso, segundo o Ministério Público, a corporação intervém na apuração de crimes em que supostos associados estariam envolvidos, para assegurar-lhes impunidade.

Conheça a íntegra do documento

OFÍCIO N.º 331/2006/RA

Brasília, 25 de maio de 2006.

Senhor Procurador-Chefe.

Encaminhamos a Vossa Excelência matérias jornalísticas contendo informações sobre a atuação da Associação Scuderie Detetive Le Cocq, a fim de possam, segundo vosso juízo, ser apresentadas ao Exmo. Sr. Desembargador Relator do processo registro 1996.50.01.006417-7.

Informamos a Vossa Excelência, por oportuno, que a matéria entitulada “A confraria do crime” foi recentemente veiculada pela TV JUSTIÇA e bem esclarece a atividade da aludida associação.

Registramos também que, em São Paulo, nos últimos dez dias, policiais civis foram flagrados exibindo em camisa que vestiam o símbolo do “Esquadrão da Morte – Scuderie Le Cocq”.

Por derradeiro encarecemos de Vossa Excelência empenho no sentido de, com máxima urgência, viabilizar o julgamento ofertado nos autos da ação de dissolução registro 96.0006417-2-SJ/ES, eis que a ausência de uma decisão do Tribunal Regional Federal da Segunda Região, quanto à extinção da famigerada associação traz grave prejuízo e risco para a sociedade.

Ao ensejo renovamos a Vossa Excelência nossa expressão de admiração.

Ronaldo Meira de Vasconcellos Albo

Procurador Regional da República - 1a Região

Exmo. Sr.

Dr. CELSO DE ALBUQUERQUE SILVA

DD. Procurador-Chefe da Procuradoria Regional da 2a Região

RIO DE JANEIRO – RJ

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 29 de maio de 2006, 15h16

Comentários de leitores

8 comentários

Vamos analisar alguns pontos: 1- O tal Proc...

Jorge Aragão (Consultor)

Vamos analisar alguns pontos: 1- O tal Procurador Luís Fernando NÃO ESCLARECEU SE ELE É OU NÃO É O ADVOGADO DE JOSÉ CARLOS GRATZ, INDICIADO PELA CPI FEDERAL DO NARCOTRÁFICO COMO " A PESSOA MAIS EXPRESSIVA DO CRIME ORGANIZADO". 2- Em seu primeiro comentário : vide abaixo, o referido Procurador diz: !" Besteira. As autoridade estão fazendo demagogia." Quem são estas autoridades? Ora só podem ser: O Delegado que representou contra a Scuderie, Os 4 Procuradores da República que subscreveram a Ação de Dissolução, e o Juiz Federal e o Desembargador Federal que atuaram no Judiciário. Ora, quem faz Besteira, é no mínimo PALHAÇO, OU RETARDADO MENTAL. Já quem faz DEMAGOGIA, é no mínimo MAU CARÁTER, MAL INTENCIONADO. Pela Lei, o dito Procurador Luiz Fernando já ofendeu as Autoridades supracitadas, violando a Lei Penal. Porém não para por aí, o fato dele ser Procurador do Estado o obriga a zelar pelo interesse do Estado do ES, ora, se o Governador do Estado e o Vice-Governador já se manifestarm publicamente CONTRA A SCUDERIE DETETIVE LE COCQ, como pode um simples Procurador do Estado, se manifestar publicamente, com palavras chulas, ofendendo Autoridades sérias, e ao mesmo tempo, opinando de forma contrária a seus superiores??? Caro Procurador Luiz Fernando, qual é o seu nome completo? Responda, é você mesmo o Advogado de Defesa do Ex- Deputado José Carlos Gratz, apontado como Chefe do Crime Organizado do ES pela CPI Federal do Narcotráfico? Você é , ou foi associado da Scuderie. Por favor esclareça estes pontos de argumentação, que são muito relevantes e de interessa para nossas autoridades. Abraço!

Prezado Aragão, como vc deve ter lido na report...

LUÍS  (Advogado Sócio de Escritório)

Prezado Aragão, como vc deve ter lido na reportagem que postei, a Le Coq do Espírito Santo já foi extinta a vários meses pela Justiça, e tudo foi confirmado pelo Tribunal. No entanto, autoridades lotadas em Brasília ficam caluniando a Justiça, como se ela fosse responsável por não ter decidido o processo da Le Coq, que já foi decidido a muito tempo. E aí eu me pergunto: qual a intenção verdadeira dessas pessoas? Você não soube dizer qual o motivo disto, e provavelmente os Juízes também não sabem o porque, já tendo julgado o processo, pessoas ainda ficam quesitonando algo que já foi julgado. A meu ver, o motivo disto é a busca de promoção pessoal e tempo perdido. É preciso atuar contra os fatos concretos, no que as autoridades estão sendo omissas. Porque o PCC, o Comando Vermelho estão aí, fazendo o que querem, inclusive atrapalhando a vida das grandes cidades. Aqui no Espírito Santo, na semana passada, aterrorizaram a população, fechando inclusive o comércio. Portanto, eis o cerne da questão: atacar os problemas da criminalidade, ao invés de buscar promoção pessoal. Se existem pessoas que são presas com carteiras da Le Coq, mesmo depois dela ter sido extinta, isto prova justamente aquilo que afirmei: a criminalidade não se combate no cartório. Vc acaba com o registro da associação, mas a criminalidade continua agindo, porque ela não está presa a formalismos. É isto que eu disse, e parece que vc não entendeu ou pretende distorcer minhas palavras. Tudo bem, cada um pensa do jeito que quiser, esta é a virtude da democracia! Mas veja, existem pessoas que são presas com carteira da OAB, do CRM, e mesmo da Câmara Federal e de tudo quanto é instituição... Não sei se vc é advogado, mas observe que a Le Coq foi extinta não pelo motivo de que uma pessoa foi presa com o escudo dela, mas sim porque era uma instituição que desviou-se para a criminalidade, conforme está escrito na sentença do Juiz Alexandre Miguel. Quantos bandidos não são presos portando símbolos de grupos criminosos que não são registrados em cartório? Eu acho que as autoridades devem gastar o tempo atacando os problemas de criminalidade, e não buscando promoção pessoal.

O Condenado que me refiro em meus comentários c...

Jorge Aragão (Consultor)

O Condenado que me refiro em meus comentários chama-se José Carlos Gratz, o que ele fez e pelo que foi condenado é público e notório, está em todos os jornais e revistas de circulação do Brasil....com a palavra o douto advogado e procurador para suas súplicas....desculpe...réplicas....

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