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Direitos humanos

Anistia denuncia situação nas prisões e violência policial

Por 

UM ANO EM PERSPECTIVA:

UM COPO MEIO CHEIO

POR IRENE KHAN, SECRETÁRIA-GERAL, AMNISTIA INTERNACIONAL

Krishna Pahadi, um activista dos direitos humanos de Nepal, foi detido 28 vezes pelo governo. Quando o conheci num centro de detenção policial em Kathmandu, em Fevereiro de 2005, pouco depois de ter sido preso pela 27ª vez, a sua mensagem foi surpreendentemente positiva. Quanto mais o regime encarcerar manifestantes pacíficos como ele, disse-me, mais fortalece a causa dos direitos humanos. A agitação política generalizada e a condenação internacional do governo nepalês confirmam a sua opinião. Privado de qualquer leitura na prisão com excepção de livros religiosos, tinha acabado de ler o Bhagavad Gita e estava prestes a começar a ler a Bíblia, que seria seguida pelo Corão. Ele não duvida de que a sua luta e a de outros como ele irá sair vencedora. É apenas uma questão de tempo, afirma.

Krishna não está desanimado. Eu também não, apesar dos abusos e das injustiças, da violência e das violações documentadas por todo o globo no Relatório de 2006 da Amnistia Internacional.

A paisagem dos direitos humanos está pejada de promessas quebradas e falhas de liderança. Os governos proclamam defender a causa dos direitos humanos mas demonstram reflexos repressivos quando se trata das suas próprias políticas e práticas. Os graves abusos cometidos no Afeganistão e no Iraque ensombram grande parte do debate sobre os direitos humanos, enquanto a tortura e o terror se alimentam entre si num ciclo vicioso. A brutalidade e intensidade dos ataques perpetrados por grupos armados nestes e noutros países aumentou, reclamando um elevado preço em vidas humanas.

No entanto, um olhar mais atento aos acontecimentos de 2005 dá-me razões para ter esperança. Houve sinais claros de que poderá estar à vista um ponto de viragem após cinco anos de retrocessos nos direitos humanos em nome do combate ao terrorismo. Ao longo do ano que passou, alguns dos governos mais poderosos do mundo foram rudemente despertados para o perigo de subestimarem a dimensão dos direitos humanos nas acções no seu território ou no estrangeiro. Os seus subterfúgios e mentiras foram denunciados pelos meios de comunicação social, desafiadas pelos activistas e rejeitadas pelos tribunais.

Também encontro outros sinais que me permitem estar optimista. O número global de conflitos em todo o mundo continua a baixar, graças à resolução internacional de conflitos e às iniciativas de prevenção de conflitos e construção da paz, dando esperança a milhões de pessoas em países como Angola, Libéria e Serra Leoa.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 23 de maio de 2006, 14h18

Comentários de leitores

1 comentário

E o que a Anistia Internacional faz em prol dos...

Valter (Advogado Autônomo)

E o que a Anistia Internacional faz em prol dos policiais mortos em serviço e dos civis inocentes, vítimas dos bandidos desumanos?

Comentários encerrados em 31/05/2006.
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