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Retrato do caos

Ação do PCC é reação ao desrespeito ao direito dos presos

Na tarde deste domingo (14/5) o quadro é de terror em São Paulo. A polícia está em pânico, as delegacias estão funcionando de portas fechadas, com viaturas bloqueando a entrada do estacionamento. As folgas foram canceladas, os policiais devem estar prontos e alertas. A polícia está fazendo bloqueios em vias públicas estratégicas onde automóveis e pessoas estão sendo revistadas.

Em depoimento à rádio CBN, o ex-secretario nacional de segurança pública, Luiz Eduardo Soares, afirma que “estamos diante de uma situação que foge ao padrão da criminalidade comum. Trata-se de uma ação coordenada, articulada, com alvos estratégicos e um grande poder de integração, uma ação de nível superior, com objetivos muito claros”. Para o ex-secretário, é ilusão achar que esse tipo de situação se resolve só com o endurecimento por parte do estado. “As ações representam, em parte, uma reação ao desrespeito aos direitos dos presos”, afirma.

Rodrigo Pinho, procurador-geral de Justiça do estado de São Paulo, afirma que a situação instalada é de enfrentamento entre o crime e as autoridades. Embora defenda a articulação de todas as forças, não só de São Paulo, mas de todos os estados, acredita que ainda não há necessidade do apoio federal.

Pinho não só defendeu a iniciativa do estado de transferir as lideranças do PCC para Presidente Venceslau em presídio de segurança máxima, como também a possibilidade de extensão do RDD – Regime Disciplinar Diferenciado para todo o tempo que se fizer necessário. Criticou a possibilidade de progressão para crimes hediondos e “mais grave ainda, uma decisão do STJ quer considerou não ser falta grave a posse de celular nos presídios”. Pinho defendeu reforço do serviço de inteligência e esforços para cortar as comunicações entre os líderes e suas bases que se encontram fora da prisão.

Apesar da recusa do governo estadual em aceitar ajuda federal, a delegacia localizada nas dependências do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, foi guarnecida com oito militares da Aeronáutica nesta tarde, segundo apurou o repórter especial da Conjur Claudio Julio Tognolli. Ainda que o aeroporto seja espaço administrado pela Infraero, um órgão federal, e o aeroporto internacional seja considerado tecnicamente uma fronteira, a precaução mostra o estado de pânico que tomou conta do sistema de segurança pública no estado.

Até onde se sabe, é a primeira vez que integrantes das forças armadas são mobilizados para enfrentamento com criminosos comuns em São Paulo. Até hoje, fora as intervenções no Rio de Janeiro, depois de encerrado o "ciclo dos generais" no país, se verificaram tão somente mobilizações em época de eleições em alguns estados.

Resistência

Para o advogado, Anselmo Neves Maia, que defende integrantes do PCC, demonstrações de força da polícia e do governo de São Paulo serão insuficientes para deter a onda de violência liderada pelo grupo neste de fim de semana . "É o mesmo que alguém querem afinar o nariz apertando-o com os dedos", acrescentou ele.

Maia, que se diz "amigo" do principal líder do grupo, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considera que as ações são uma "reação natural" dos presos às condições das detenções do Estado, e que seria preciso mais investimentos em áreas sociais para diminuir a pobreza e a criminalidade. As informações são da Agência Reuters.

"Esses casos têm origem na miséria e no descaso com os pobres, com falta de investimento em educação, saúde. E tem origem também no tratamento que os presos recebem. Isso é o combustível dessas ações", disse Maia. Para ele, se a polícia usar apenas a força, o risco é de um "aumento da tensão".

A Secretária de Segurança Pública diz que os ataques do PCC são uma reação à transferência de centenas de presos para unidades afastadas e mais rigorosas. Embora conheça presos ligadas à organização criminosa, o advogado diz que se surpreeendeu com a escala das ações e que não está de acordo com elas. Mas lançou dúvidas sobre se todos os ataques realmente foram desfechados pelo PCC.

Revista Consultor Jurídico, 14 de maio de 2006, 15h15

Comentários de leitores

34 comentários

Esperar o quê de um país onde um senado do PT v...

Hwidger Lourenço (Professor Universitário - Eleitoral)

Esperar o quê de um país onde um senado do PT vai para a cadeia para dormir com sequestradores estrangeiros, para "proteger" seus direitos? Pô, Comentarista, tudo bem que o governo de SP tem sua culpa, mas o governo federal também né? Acabei do ouvir nosso brioso Ministro da Justiça dizer que o Governo já mostro como se faz, "depurando" a Polícia Federal e construindo meia dúzia de presídios.... Nem uma palavra sobre a redução dos investimentos em segurança..... Uau... Marcio Thomaz Bastos para Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil.... estamos salvos.....

Exclusivo: Polícia sugere TOQUE DE RECOLHER à p...

Comentarista (Outros)

Exclusivo: Polícia sugere TOQUE DE RECOLHER à partir das 20:00 horas de hoje em SP. Sugestão jocosa: O primeiro a ser recolhido poderia ser o próprio governador, de preferência no RDD e junto do Marcola, o qual poderia lhe ensinar como "governar" alguma coisa. Pergunta que não ofende: Por onde andará o picolézinho de chuchu? E a "excelência administrativa" e o "choque de gestão" do PSDB/PFL?

SP, governado (?) pelo PSDB/PFL, está ficando f...

Comentarista (Outros)

SP, governado (?) pelo PSDB/PFL, está ficando famoso: - O PCC domina o Estado; - Mais de 150 ataques no final de semana; - Mais de 90 mortos; - Dezenas de ônibus (mais de 80) incendiados; - Dezenas de agências bancárias atacadas; - Delegacias Policiais metralhadas; - Agências dos Correios e do Metrô destruídas; - Viaturas Policiais metralhadas; - Etc. E os governantes?!? Pois bem, vamos lá: - O Governador do Estado, do PFL, RECUSA a ajuda do governo federal, dizendo que está "tudo sob controle"; - Enquanto a violência explodia, o governador de SP "inaugurava" obras; - A violência em SP já é notícia até na imprensa do Iraque; - O picolézinho de chuchu simplesmente "desapareceu"; - Há notícias de que o GOVERNO (?) de SP já teria enviado EMISSÁRIOS para negociar com os representantes do PCC; - Os ignorantes de plantão, como sempre, pregam o "estado de exceção", com a volta dos asquerosos golpistas que até hoje enojam nossa história. Se antes sentíamos vergonha de ser brasileiros, hoje sentimos nojo.

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