Consultor Jurídico

Notícias

Elo do crime

Advogados acusados de ligação com PCC são presos em SP

Foram presos nesta quarta-feira (28/6), em Presidente Prudente, interior de São Paulo, os advogados Eduardo Diamante, Valéria Dammous e Libânia Catarina Fernandes Costa. Eles são acusados de ligação com a facção criminosa PCC — Primeiro Comando da Capital.

As prisões temporárias foram decretadas para facilitar as investigações do Gaeco — Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado das cidades de São Paulo e Presidente Prudente e do Ministério Público. Segundo esses órgãos, há provas de que os advogados abandonaram a atividade profissional de defesa das garantias de seus clientes, ligados ao PCC, e passaram a servir como elo entre os líderes da facção na distribuição de ordens dentro e fora dos presídios.

O prazo das prisões temporárias é de 5 dias, prorrogáveis de acordo com a necessidade das investigações.

Participação

A advogada Valéria Dammous é acusada de intermediar as rebeliões lideradas pelo PCC no estado de São Paulo e de sugerir a destruição das penitenciárias federais ainda em construção.

Libânia Catarina Fernandes Costa é acusada pela Polícia e pelo MP de ter sido contratada para transmitir ordens e tarefas para integrantes da facção, inclusive tendo contato com a movimentação financeira da quadrilha. O advogado Eduardo Diamante teria comprado telefones celulares e levado para dentro dos centros de detenção.

Bola da vez

Esta já é a quarta prisão de advogado supostamente ligado ao crime organizado esta semana. Nesta terça-feira (27/6), o advogado Nelson Roberto Vinha foi preso sob acusação de entrar com seis celulares e carregadores de bateria no Centro de Detenção Provisória de Mauá, em São Paulo. Ele foi autuado em flagrante.

Os celulares foram encontrados com os presidiários. Segundo a Polícia, os presos foram revistados antes de falar com o advogado e nada foi encontrado. Depois da conversa, os celulares e carregadores foram encontrados e apreendidos. No carro do advogado foram encontrados outros celulares.

Além disso, a OAB-SP suspendeu preventivamente os registros dos advogados Sérgio Weslei da Cunha e Maria Cristina de Souza Rachado, acusados de comprar por R$ 200 do técnico de som da Câmara do Deputados, Arthur Vinícius Pilastres Silva, uma gravação de reunião secreta da CPI do Tráfico de Armas.

Os advogados teriam repassado as gravações da reunião secreta a integrantes da organização criminosa PCC. Chegou-se a especular que o conteúdo das gravações teria motivado as ações de violência e rebeliões em presídios que abalaram São Paulo no mês passado.

Revista Consultor Jurídico, 28 de junho de 2006, 15h15

Comentários de leitores

27 comentários

Meu nome é Ivan Raymondi Barbosa, sou Diretor P...

Ivan Raymondi Barbosa (Outros)

Meu nome é Ivan Raymondi Barbosa, sou Diretor Presidente de uma O.S.C.I.P. (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) denominada NOVA ORDEM (Associação dos Familiares dos Reeducandos do Estado de São Paulo) tendo como um de seus principais objetivos estatutários o de ressocialização de detentos do Estado e denunciar as irregularidades cometidas no interior de qualquer estabelecimento penal. Claramente desde os primórdios exite a corrupção nas unidades prisionais. Como combater? Valorizar as funções que acercam o sistema, valorizando os agentes penitenciários, capacitando realmente seus funcionários e o mais importante: respeitando os direitos de pessoas que estão com seus direitos suspensos e com certeza retornarão à Sociedade. Não adiantará indiciar "meia dúzia" para dar uma resposta rápida a todos, querendo passar a imagem de que tudo está sobre controle, pois NÃO ESTÁ!!! O Estado deve cumprir com suas obrigações, ao tocante sobre o sistema carcerário: As Varas de Execuções penais efetivamente funcionarem, projetos de medicina preventiva(para a sociedade não arcar com o sobrecarregamento do sistema de saúde, já tão obsoleto,etc.),qualificação profissional e educacional; ou seja, cumprir seu papel estatal: RESSOCIALIZAÇÃO! Para termos uma sociedade mais justa socialmente e por uma questão de fraternidade! E-mail: ivanraymondi@novaordem.org.br

Caros colegas, o que mais causa dor, é saber qu...

Ricardo C.Massola (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

Caros colegas, o que mais causa dor, é saber que tais membros da OAB/SP, estão vendendo serviços de comunicação,facilitação ao crime, esqueceram seus juramentos, sua honra, enfim, passaram para o lado escuro e sombrio da marginalidade. Quanto aos telefones celulares, sempre foram localizados no interior dos presídios, com ou sem advogados, muitas das vezes colocados por carcereiros inescrupulosos. Tenho saudade do tempo em que marginais não tinham mais valor que o contribuinte, o verdadeiro CIDADÃO. Meus pesames a sociedade brasileira.

Caro Comentarista, Concordo que deva ser obser...

Fábio (Advogado Autônomo)

Caro Comentarista, Concordo que deva ser observado o devido processo legal, que deva ser assegurado o mais amplo direito de defesa, etc. Estou convencido disso. Mas se há, como no caso parece haver, veementes provas de que os advogados estavam coligados com facções criminosas para levar celulares e levar informações entre presos, só posso, pelo menos por hora, parabenizar a Polícia e fazer coro com aqueles que querem ver estes bandidos expulsos dos quadros da OAB.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 06/07/2006.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.