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Coleta de dados

Justiça gaúcha encomenda pesquisa sobre perfil do jovem infrator

O Projeto Justiça Instantânea do Rio Grande do Sul firmou parceria com a faculdade de Sociologia da PUC-RS para permitir a coleta de dados relativos ao Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente. O objetivo é traçar um perfil do jovem infrator.

Estudo realizado em 2005 apontou 4.699 ocorrências envolvendo jovens, registradas na Delegacia Especial do Adolescente Infrator do estado. No primeiro semestre foram 2.516, a maioria denúncias de ameaça verbal e brigas de socos.

A idéia é juntar os dados da pesquisa e sistematizar as informações sobre os motivos das denúncias. O material também vai servir de subsídios à elaboração dos trabalhos de conclusão dos universitários. Pelo acordo, iniciado em março, três estudantes farão estágio junto ao projeto.

A pesquisa vai funcionar como fonte de consulta ao Judiciário. “Com o material poderemos ter uma melhor compreensão sobre o nosso trabalho e sobre os jovens com os quais lidamos.”, explicou a juíza Vera Deboni, que atua na JIN — Justiça Instantânea.

O projeto é fruto de uma cooperação, sugerida no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Federal 8.069/90), e criado em Porto Alegre com o objetivo de agilizar o trabalho de apuração e conclusão dos delitos. Participam também a Delegacia Especial do Adolescente Infrator e o Ministério Público Estadual, responsável pelas denúncias.

Revista Consultor Jurídico, 18 de junho de 2006, 7h00

Comentários de leitores

2 comentários

Isso me parece mais um projeto destinado ao arq...

Rogfig (Médico)

Isso me parece mais um projeto destinado ao arquivo morto. Essa idéia de perfil criminológico já foi sepultada a pelo menos 50 anos. Imagine; traçar um perfil... estamos lidando com seres humanos e não com objetos de consumo. Seres humanos são pela sua natureza imprevisíveis, não podem ser elencados como personalidades de perfil criminal, isso do ponto de vista médico é um absurdo, a não ser que se esteja lidando com psicopatas, o que não parece ser o objetivo do estudo. Acredito que serve de treino para testar uma metodologia para fins de tese acadêmica, não para aprender a lidar com deliquentes. O que na verdade deve ser feito, são investimentos pesados em saúde pré-natal, programas de nutrição infantil, educação e oportunidades no mercado de trabalho para os jovens. O resto é pura consequencia dessas omisões. Como sempre, é mais fácil fazer pesquisa do que elaborar de fato, trabalhos preventivos. É uma pena !!!

Mais uma vez os gauchos saem na frente. Para a...

Ottoni (Advogado Sócio de Escritório)

Mais uma vez os gauchos saem na frente. Para a elaboração de leis é preciso, primeiramente, conhecer o campo onde será aplicada, sob pena de não "pegarem", o que tem sido comum entre nós. A pesquisa social é, assim, requisito essencial para o fornecimento dos elementos que irão orientar o legislador sobre causas e efeitos das ações e reações humanas segundo o ambiente geo/sócio/político/econômico onde a lei irá atuar. Chega de "macaquices" e imitações de costumes alienígenas. Tenho muitas esperanças nos estudos como aqueles aqui prometidos pelos gauchos.

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