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Bonitão do morro

Advogado acusado de entrar em prisão com armas pede liberdade

O advogado Luiz Lago dos Santos, acusado de entrar em presídios do Rio de Janeiro com armas, pediu ao Supremo Tribunal Federal para responder ao processo em liberdade. O relator do pedido de Habeas Corpus é o ministro Carlos Ayres Britto.

Bonitão ou Doutor, como é conhecido, é acusado ainda de intermediar a comunicação entre traficantes presos e outros em liberdade. Lago esteve envolvido no esquema de venda de drogas no Morro Dona Marta no Rio de Janeiro. Na época, uma aposentada de 80 anos filmou, da janela do apartamento, a ação de traficantes na rua.

Ele foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, juntamente com outros 33 co-réus, por ter cometido o delito previsto pelo artigo 14 da Lei 6.368/76, que se refere a associação para o crime de tráfico de drogas. O advogado está preso desde setembro de 2005.

A defesa recorreu ao Supremo e argumentou que a denúncia elaborada pelo Ministério Público é inepta [não contém os requisitos previstos em lei]. Sustentou ausência de motivação para a decretação da prisão do advogado uma vez que o nome do acusado não constaria no relatório da autoridade policial.

HC 88.963




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Revista Consultor Jurídico, 8 de junho de 2006, 7h00

Comentários de leitores

2 comentários

Há de se considerar a notícia com muita cautela...

Jesiel Nascimento (Advogado Autônomo - Criminal)

Há de se considerar a notícia com muita cautela. Veja-se: Em quase todos os presídios (e casas de custódia) do Rio de Janeiro o advogado não mantém contato físico com o preso (fala-se através de um vidro ou de uma tela de aço). O advogado é submetido a uma revista eletrônica. Ademais, ao final da entrevista, o preso é revistado e todos os advogados sabem disto. Logo, tentar introduzir qualquer objeto beira a impossibilidade.

Aí é que mora o perigo: a OAB defende que os ad...

Embira (Advogado Autônomo - Civil)

Aí é que mora o perigo: a OAB defende que os advogados não sejam revistados, passando apenas pelos sistemas de detecção de metais. Ocorre que esses sistemas dependem de manutenção e no serviço público tudo é demorado. As contratações dependem de licitação; às vezes, não há verba disponível; a burocracia entrava o processo, etc. Aí, os sistemas de detecção de metais não funcionam e, como a revista de advogados não é permitida, os doutores e “bonitões” podem carrear para dentro dos presídios armas, munições, drogas, celulares... Ou será que eu estou exagerando?

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