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Caso Richthofen

Suzane e irmãos Cravinhos devem ser julgados em 17 de julho

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Já era esperado que o julgamento de Suzane von Richthofen e dos irmãos Christian e Daniel Cravinhos, réus confessos do assassinato dos pais dela, Marisia e Manfred von Richthofen, fosse cercado de manobras. O que não se esperava era que o primeiro de julgamento se encerrasse sem sequer instalar-se a sessão do Júri.

A sessão que não começou acabou com uma hora de discussão no plenário entre juiz advogado e Ministério Público sobre uma questão tecnicamente, já superada.

Tudo começou quando Mauro Octávio Nacif, um dos advogados de Suzane, numa questão de ordem, apontou a ausência de uma testemunha que, segundo ele, era essencial para o processo. Ela era amiga de Marisia e ia contar aos jurados detalhes do relacionamento de Suzane com os pais.

O juiz responsável pelo caso, Alberto Anderson Filho, abriu os autos e viu que constava que a testemunha estava na Europa e que os advogados de Suzane o avisaram sobre a saída. Nacif interrompeu o juiz. Insistia na tese de que o julgamento devia ser suspenso já que a testemunha, imprescindível, não iria depor. Em vista disso, afirmou que, num suposto gesto de boa vontade com o juiz, poderia indicar uma nova testemunha.

Instalou-se então a balbúrdia. Juiz e advogado começaram a discutir. Nacif insistia na tese de marcar nova data de julgamento e ameaçava o juiz, com dedo em riste, dizendo que largaria o júri caso não atendesse sua solicitação. Anderson Filho indeferiu o pedido, com o argumento de que o próprio advogado estava se contradizendo, já que teria dito que faria outro júri, mesmo sem a testemunha.

Até mesmo Mário Sérgio de Oliveira, também advogado de defesa, discordou do colega Nacif. Nessa hora, o juiz não segurou a ironia. “Primeiro vamos esperar a defesa se entender e depois decidir sobre o andamento do processo”, disse.

O Ministério Público também interferiu na discussão. “Tudo o que a testemunha poderia fazer, já fez. A testemunha não é imprescindível e não vai trazer nenhuma novidade sobre o caso. Não há razão para adiar o júri”, ressaltou o promotor Roberto Tardelli, aos berros.

Nacif se exaltou. Ameaçou tirar a beca e se retirar do plenário. Depois de quase uma hora de discussão, aplausos da platéia entre uma resposta e outra do juiz, advogado e MP, a promessa foi cumprida. Os advogados de Suzane saíram do plenário sob protesto. Disseram que aquilo não era uma renúncia, mas sim a reação a uma arbitrariedade, injustiça e deslealdade do juiz.

Os promotores e o assistente de acusação, Alberto Zacharias Toron, reagiram. Pediram que o juiz nomeasse um defensor público para Suzane e que a mandasse de volta para a prisão em Rio Claro (interior de São Paulo), já que a prisão domiciliar que a beneficiou já tinha perdido a finalidade. Também solicitaram que a OAB fosse notificada sobre a discussão no plenário e que a ata de audiência fosse encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça, aos cuidados do ministro Nilson Naves, relator dos pedidos de Suzane naquela corte.

O juiz acolheu parte do pedido, apenas para notificar a OAB e o STJ. No final, desabafou: “Não é a ré que vai sair daqui algemada, mas sim essa presidência”. Os promotores Tardelli e Nadir de Campos Júnior, e o assistente de acusação Toron também manifestaram sua decepção. “O deboche da defesa é indicativo de falte grave e de despreparo. Estamos à margem de um processo absurdo. O advogado não sabe qual é o limite do ridículo, porque riram de todos nós, juízes e promotores, na porta de saída”, disse Tardelli.

Com o ocorrido, o julgamento de Suzane ficou marcado para a mesma data designada aos irmãos Cravinhos, dia 17 de julho. O julgamento dos irmãos foi adiado horas antes do de Suzane porque o advogado Geraldo Jabur não compareceu ao Fórum da Barra Funda, em São Paulo. Disse que, se comparecesse ao julgamento, legitimaria o cerceamento de defesa de que seus clientes foram vítimas. Isso porque, segundo ele próprio afirma, foi impedido de orientar adequadamente os irmãos Cravinhos.

Júri

Suzane, seu namorado Daniel e o irmão dele, Christian Cravinhos, confessaram ter matado os pais dela, Marisia e Manfred von Richthofen, a golpes de barra de ferro, na casa em que a família vivia, em outubro de 2002.

Os três foram denunciados pelo Ministério Público por crime de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 5 de junho de 2006, 16h20

Comentários de leitores

26 comentários

Existem certas coisas em nossa justiça que real...

irado ms (Estudante de Direito)

Existem certas coisas em nossa justiça que realmente são dificeis de engolir.No caso do adiamento do julgamento desta assassina de nome Suzane ouve um bate boca entre o juíz e um dos advogados de defesa.Queria saber o motivo pelo qual o juíz com sua autoridade não deu voz de prisão em fragante por desacato?Aposto que se fosse um pobre ser da vida estaria preso,e bota preso nisso!!A nossa justiça não é igualitária de maneira nenhuma,serve apenas para alguns.Nos pobres é que podemos facilmente ser presos e condenados.

Andrade Filho (Advogado Autônomo 07/06/2006 - 0...

Andrade Filho (Advogado Autônomo)

Andrade Filho (Advogado Autônomo 07/06/2006 - 04:59 O agente de Estado, indicado para se viabilizar como fiel da balanca, náo esta` acima da legalidade. O desrespeito aos principios da dignidade do defensor privado, pelo magistrado, tal agente, e nesta mesma linha se conduzindo o outro agente de Estado, representante do MP, nao encontra nenhum respaldo pertinente nos anais da legalidade. Considerando estes comportamentos desrespeitosos, como afastar a iracibilidade de tais agentes nas proximas sessoes do Juri, ainda mais que o populacho encontra compatibilidade com tais tendencias inescrupulosas, o que servira` ao clamor publico reversamente indevido ou improprio, e certamente influenciara` os Jurados, o que nao e`correto dentro do principio da total isencao, o que servira` de motivacao para recurso anulador. Estes aspectos sao concretos e servem para caracterizar a suspeicao dos agentes publicos envolvidos, afastando-os das proximas sessoes de Juri. adv.andradefilho@terra.com.br

Dom Evaristo Arns dizia, que no lugar onde hou...

Luís da Velosa (Advogado Autônomo)

Dom Evaristo Arns dizia, que no lugar onde houvesse um homem haveria luta pelo poder. E é verdade. Toda essas macaquices que presenciamos, não passa de uma mísersa luta pelo poder. Discutem a importância de uma testemunha, de antemão sabendo-se que de importante ela nada detém. ois é, os juris continuam uma grande armação. Geralmente é parcial e não ajuda a fazar justiça!

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