Consultor Jurídico

Operação Sanguessuga

Mais políticos teriam participado do esquema das ambulâncias

O Supremo Tribunal Federal recebeu listas com nomes e emendas de parlamentares acompanhados de valores e números de contas bancárias, em um indicativo de recebimento de propina. Os arquivos foram encontrados em um computador da Planam, empresa acusada de fornecer ambulâncias superfaturadas no esquema investigado pela Operação Sanguessuga, da Polícia Federal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Os registros foram retirados da empresa por um colaborador de Maria da Penha Lino, ex-funcionária do Ministério da Saúde e da Planam, que está presa e denunciada à Justiça por participar do esquema. Os dados foram entregues ao advogado de Penha, Eduardo Mahon, que foi quem os entregou ao Supremo, há duas semanas. Por isso, não integra o material obtido pela Polícia Federal nas buscas e apreensões.

Além dos registros, há um arquivo que, segundo Mahon, é a lista de contatos da Planam, com o nome de 283 parlamentares e as emendas para compra de ambulâncias. A lista, por ser genérica, não é considerada tão relevante por autoridades que acompanham a investigação.

Até o momento, o Ministério Público pediu ao STF a abertura de inquérito contra 15 parlamentares suspeitos de terem recebido propina do esquema em troca de emendas ao orçamento da compra de ambulâncias. O grupo aparece no livro-caixa eletrônico da Planam apreendido pela PF.

Na última semana, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, pediu à Câmara dos Deputados a relação de todas as emendas parlamentares direcionadas à compra de ambulâncias feitas entre 2003 e 2004.

O Ministério Público conta ainda com um arquivo apreendido pela PF que sugere pagamento de propina. Entre os quase 500 registros há 36 nomes — a maioria assessores parlamentares, com número de contas na agência do Banco do Brasil no prédio da Câmara.

Em alguns casos, aparece o nome do próprio parlamentar e o nome de sua conta. Foram citados, por exemplo, os deputados Reginaldo Germano (PP-BA), Osmânio Pereira (PTB-MG) e Cabo Júlio (PMDB-MG), além do ex-deputado Ronivon Santiago, preso durante a operação.




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Revista Consultor Jurídico, 3 de junho de 2006, 9h00

Comentários de leitores

2 comentários

Em Alfenas/MG, uma ambulância trafegava plácida...

Helena Fausta (Bacharel - Civil)

Em Alfenas/MG, uma ambulância trafegava plácidamente com o nome do Cabo Júlio, depois parou em frente á uma igreja evangélica, fiquei em dúvida sobre o procedimento, comentei com minha filha que era um ato ilegal, mas agora dá para entender, se gritar pega LADRÃO......

Lamentável, não é possível falar em fim das eme...

Embira (Advogado Autônomo - Civil)

Lamentável, não é possível falar em fim das emendas parlamentares porque, segundo os especialistas, esse sistema vigora em todas as democracias. Só não sei se alhures há o oceano de fraudes que deságua por aqui. A solução mais racional seria acabar com esse sistema, o que é pouco provável que aconteça. Hoje são as ambulâncias; amanhã serão os computadores, as carteiras escolares, os livros, os remédios, os equipamentos médicos, etc. A administração pública, como de costume, deverá levar muito tempo para se dar conta de que é preciso impedir que o dinheiro dos impostos escoe pelo ralo.

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