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Laudo médico

Assassino de Liana tem condições de deixar Febem, diz psiquiatra

Para o psiquiatra forense Breno Montanari Ramos, do ponto de vista médico, não existem motivos para que Roberto Aparecido Alves, 19 anos, o Champinha, permaneça na Febem. Junto com outros três profissionais, ele assinou quatro avaliações, exames clínicos e testes de personalidade. O resultado é que o assassino e estuprador de Liana Friedenbach, de 16 anos, não tem desvio de conduta. Os resultados indicam que ele é uma pessoa “camaleônica, influenciável pelo meio”. As informações são do Jornal da Tarde

De acordo com os psiquiatras que o examinaram, o jovem é um criminoso mesoformo, ou seja, extremamente influenciável pelo ambiente em que vive. “Se ele vive com pessoas bêbadas, vai virar um bêbado. Mas, se for para um mosteiro, será um monge", explica Breno. Em outras palavras, é o que se chama de camaleônico, que se adapta sempre às circunstâncias.

Diante disso, os médicos concluem que se ele sair do sistema e for para uma família estruturada e acolhedora, vai assimilar esses valores e, provavelmente, não voltará a reincidir.

“Não existem motivos médicos que justifiquem a permanência na Febem”, reafirma o médico de 59 anos, que já fez mais de cinco mil laudos. “Fizemos um trabalho no extremo capricho”, garante o psiquiatra forense do sistema prisional, membro do Conselho Penitenciário do Estado e professor universitário.

O resultado garante que Champinha é portador de retardo mental leve. “Isso significa que ele é treinável e educável. Mas é capaz de chegar, no máximo, até a terceira série do Ensino Fundamental”.

O psiquiatra explica que existem outros dois níveis de retardo mental. O grave é quando o portador vive em estado vegetativo. O moderado é quando o paciente é treinável mas não educável, ou seja, aprende atividades básicas como vestir-se, ir ao banheiro e comer sozinho, mas não se desenvolve na escola e não tem raciocínio lógico.

O grau de retardo de Champinha, por exemplo, permite que ele faça contas de somar contando nos dedos e acerte o resultado. “Mas ele é incapaz de fazer uma conta de multiplicação, porque exige raciocínio abstrato”.

Champinha não foi classificado como portador de Transtorno de Conduta, diagnóstico de muitos dos internos da Febem. Para o médico, possui transtorno de conduta o garoto que pratica um crime pela primeira vez quando criança e continua reincidindo, comete vários crimes em seqüência.

Esse não é o perfil de Champinha. A polícia diz que, por volta dos 10 anos de idade, ele matou um andarilho. A acusação não foi confirmada. Ele diz que quem matou foi o seu tio e ele apenas assumiu a culpa.

Pelos laudos, Champinha não tem uma tendência natural à delinqüência, mas uma afinidade. Os resultados também contradizem a informação dos policiais de que o jovem deu as 15 facadas em Liana por sadismo. “A moça foi assassinada no primeiro golpe, que atingiu a jugular. Pelos testes, ele deu as demais facadas porque ficou inseguro, queria ter certeza que ela estava morta. Não estava dando as facadas por prazer, mas por dúvida”.

De acordo com os laudos, Champinha sente culpa pelo crime bárbaro. Só que, pela sua deficiência, não conseguiria expressar o sentimento. O traço de culpa, de acordo com o médico, não apareceria se Champinha fosse psicopata.

Revista Consultor Jurídico, 27 de julho de 2006, 14h01

Comentários de leitores

18 comentários

Enquanto as leis deste país forem brandas como ...

Tito (Bacharel - Administrativa)

Enquanto as leis deste país forem brandas como são, vagabundos com este ficarão por aí fazendo o que querem. Temos recursos demais neste país. Tem que ser que nem nos países do oriente, onde crimes deste tipo são punidos do modo com tem que ser. As pessoas que o defendem, o fazem, porque o crime não ocorreu com uma filha deles. Que Deus proteja este país e nós também.

Esse moleque safado merecia a pena de morte! ...

Andreucci (Procurador de Justiça de 2ª. Instância)

Esse moleque safado merecia a pena de morte! Pena que os defensores dele não o queiram adotar. Afinal, o médico disse que ele precisa de uma "família estruturada e acolhedora" para se "ressocializar". Estou vendo que, dentre os comentaristas desse artigo, devemos ter vários pretendentes! Não se acanhem, façam a sua parte. Acolham esse coitadinho que precisa de amor e carinho!

Estes que estão defendendo o criminoso e defend...

Lu2007 (Advogado Autônomo)

Estes que estão defendendo o criminoso e defendendo os peritos que queriam colocá-lo na rua, leiam bem esta matéria e depois LEVEM O CHAMPINHA pra casa: Champinha; o retrato do mal MARICI CAPITELLI Bastou a educadora de Febem se distrair no meio do pátio, e Roberto Aparecido Alves Cardoso, de 19 anos, o Champinha, passou a mão em sua genitália. Indignada, ela o esbofeteou. Ele tentou revidar, mas foi seguro por outros dois funcionários. Os demais adolescentes internos entraram em alerta. "A senhora não pode bater em vagabundo", berravam. A confusão aconteceu há duas semanas na unidade da Febem em que o criminoso está internado. Mas essa foi só uma das muitas encrencas que ele já causou no sistema onde está há quase três anos. Champinha foi levado para a Febem em novembro de 2003, depois de matar Liana Friedenbach, de 16 anos, com 16 facadas, e ter desfigurado seu corpo, após violentá-la durante quatro dias. Os seus comparsas ajudaram no estupro e executaram o namorado de Liana, Felipe Caffé, de 18 anos. Depois do tapa, para acalmar os ânimos, a funcionária teve que "bater a fita" com os colegas de Champinha - ou seja, explicar o que tinha acontecido. Eles estavam indignados com a bofetada que o líder do grupo havia levado. Mas um dos internos tinha presenciado a cena e contou para os demais. Foi a sorte da educadora. Os infratores foram, então, pedir para Champinha não fazer mais aquilo. "Os internos me respeitam porque não os chamo de vagabundos nem de ladrões. Tenho um bom relacionamento com todos eles", diz a profissional. Champinha soube do julgamento em que seu bando foi condenado a penas máximas na madrugada de quarta-feira. E reagiu como está acostumado: debochou e riu muito. Usou a gíria dos infratores para mostrar seu descaso."Num tô nem vendo". Liana não foi a primeira vítima. Ele já havia matado um caseiro conhecido como Bin Laden. Os funcionários que trabalham no módulo em que Champinha está internado - com outros 80 internos de alta periculosidade - souberam muito antes do julgamento todos os detalhes da violência sexual sofrida por Liana. Afinal, Champinha repete a história quase todos os dias, para quem quiser ouvir. "Mesmo depois de morta, fiz de tudo com ela", costuma dizer. Essa é uma de suas frases preferidas diante de sua atenta platéia, a quem narra com minúcias o que fez durante os quatro dias em que violentou a jovem e desfigurou seu cadáver. "É muito nojento ouvir essas barbaridades", diz uma das funcionárias da unidade. "E o chama a atenção é que ele faz questão de repetir a história sempre que está perto das mulheres. É como se quisesse nos dizer que gostaria de estar fazendo aquilo conosco. Quando esse demônio for para a rua, coitada da mulher que cruzar o caminho dele." Segundo a funcionária, com outros infratores, mesmo perigosos, é possível ainda conversar. "Mas com o Champinha não tem jeito. Ele é uma pessoa sem escrúpulos. Sem noção do respeito ao próximo. Não tem a menor capacidade de viver em sociedade." Prova disso é que vive fazendo ameaças às funcionárias. "Quando pegar você lá fora, acabo mesmo". Ele também não perde a oportunidade de manifestar a esperança, quase certeza, de voltar para as ruas. "A caminhada é longa, mas não é perpétua. Num tô nem vendo". Traduzindo: um dia saio daqui e nada tem importância. Pela versão dos funcionários, Champinha é um líder nato. Quando esteve na unidade do Tatuapé, não conseguiu exercer a liderança, porque ficou no seguro, espaço reservado aos adolescentes que estão jurados de morte. Era o seu caso porque tinha cometido estupros. Entretanto, quando chegou na unidade atual, onde estão os delinqüentes mais perigosos, rapidamente assumiu a liderança da "ala dos pilantras", como eles mesmo definem. Costumam também se chamar de "os menos", ou seja, a escória da Febem. Por causa desse comportamento bizarro e incontrolável, Champinha fica onde quer. "Ninguém consegue controlá-lo", admite uma funcionária. "Tudo o que dizemos, ele ironiza. Está sempre rindo. Não aceita regras." Mas costuma falar sério sobre dois assuntos: a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e as rebeliões internas. Champinha costuma dizer que é do PCC. "Racionalmente, ninguém acredita, mas como ele é assustador e capaz de tudo, muitos funcionários ficam na dúvida e acham que pode ser verdade. Eu mesma tenho minhas dúvidas", ressalta a educadora. Champinha costuma falar sério também para incitar as rebeliões. "Vamos botar fogo. Vamos para cima do telhado." Os demais costumam seguir as orientações do menino que entrou franzino na Febem e em três anos tornou-se homem feito e forte. http://www.jt.com.br/editorias/2006/07/24/ger-1.94.4.20060724.23.1.xml

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