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O espetáculo do crime

Advogado de Suzane rouba a cena no julgamento

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Nem réus nem testemunhas. A estrela que rouba a cena no Tribunal do Juri que julga Suzane von Richthofen e os irmãos Christian e Daniel Cravinhos é o advogado Mauro Octávio Nacif, o denfensor da ré. Espalhafatoso, com um ego enorme e idéias mirabolantes que ele próprio considera geniais, Nacif se sente ofendido por ser chamado de príncipe das nulidades. Ele acredita ser, simplesmente, o rei. Seus seguidores mais devotos acham que ele é apenas o papa das nulidades. “Sou assim mesmo. Verdadeiro. Me comporto no júri como o povo gosta de ver”, imagina Nacif.

O advogado de Suzane mostra que não suporta ser contrariado e é, na maioria das vezes, o dono da última palavra. Seu comportamento no plenário do júri mais esperado do ano é comentado por todos os presentes. Os sorteados para assistir ao julgamento chegam a sair da sala por “não suportar alguém que fale tanto”.

Na manhã desta terça-feira (18/7), o advogado deu mais uma demonstração de seu comportamento temperamental. Quando Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, era ouvido como informante, Nacif questionou a possibilidade de alguém nessa situação ter direito ao silêncio.

Tudo começou quando o advogado perguntou para Andreas como é que a pistola automática entregue ao Ministério Público foi encontrada no jardim da casa de Marísia e Manfred von Richthofen pelo tio Miguel Abdala. Irritado com o clima de criminalização criado por Nacif, Andreas respondeu ironicamente que um “passarinho verde” tinha contado para ele o paradeiro da arma.

Nacif ficou irritado. “Enquanto você vem com ironias, sua irmã, que te ama tanto, está lá dentro, presa e algemada”. Andreas retrucou. “Se me ama tanto, porque fez tudo isso comigo?”

Depois desse momento, o irmão de Suzane se negou a responder às demais perguntas do advogado de defesa da ré. Nacif disse ao juiz Alberto Anderson Filho que ele não tinha o direito de fazer isso, mesmo prestando esclarecimentos como informante. Para justificar o argumento, invocou o artigo 206 do Código de Processo Penal. Segundo explicou o advogado, a regra dá base para que o informante seja obrigado a falar, caso não haja outra possibilidade de se descobrir a verdade, sob pena de nulidade.

O juiz indeferiu o pedido. “O que acho melhor, doutor Nacif, é o senhor refletir sobre a forma que se dirige a testemunha. Não admito esse tipo de comportamento no meu plenário”, ressaltou. O promotor Roberto Tardelli também criticou o comportamento de Nacif. “O senhor vem com uma reflexão absolutamente piegas. Essa situação gera desconforto. Não vou permitir que o senhor criminalize a maior vítima desse processo”, disse o promotor, exaltado.

Aos poucos os ânimos se acalmaram. Nacif continuou com as perguntas. Insistiu incansavelmente para que o irmão de Suzane contasse sobre a entrevista dada pelos irmãos Cravinhos à rádio Jovem Pan. Na ocasião, os Cravinhos disseram que Manfred abusava sexualmente de Suzane e de seu irmão. Ele contou sobre os fatos quando esclarecia a questão ao juiz. Mesmo assim, Nacif fez várias perguntas no mesmo sentido.

Andreas desmentiu a versão. “Meu pai era um homem muito mais digno do que muitos homens daqui”, respondeu. O juiz também se arriscou a explicar o comportamento de Nacif. “Ele é um homem repetitivo. Faz muitas perguntas, às vezes, que já foram respondidas a mim, porque age com falta de atenção.”

Bola da vez

Essa não é a primeira vez que Nacif assume a pauta das conversas dos corredores dos fóruns ou das redações dos jornais. No dia 5 de junho, o julgamento foi adiado depois de uma manobra dos advogados Mario Sérgio de Oliveira e Mauro Otávio Nacif. Eles se retiraram do plenário em protesto contra a decisão do juiz Alberto Anderson Filho, de ignorar a ausência de uma testemunha da defesa e prosseguir com os trabalhos.

A alegação dos advogados foi a de que isso prejudicaria o julgamento. Segundo eles, a testemunha era essencial para provar a inocência de Suzane. Depois do fato, Nacif foi procurado por praticamente toda a imprensa para explicar seu comportamento precipitado.

Júri

Os três réus são acusados de planejar e matar os pais de Suzane na casa em que a família vivia, na zona sul da capital paulista. Suzane, Christian e Daniel estão presos. Foram denunciados pelo Ministério Público por duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Christian Cravinhos, especialmente, também responde por furto no mesmo processo. O crime aconteceu em outubro de 2002.

A estratégia traçada pela defesa dos irmãos Cravinhos é de que foi Suzane quem arquitetou o plano. Os advogados da jovem afirmam o contrário: para eles, Suzane sempre foi inocente e não poderia ter planejado o assassinato dos pais, porque se relacionava muito bem com eles.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 18 de julho de 2006, 16h19

Comentários de leitores

51 comentários

Caro comentarista: Fiquei muito contente com...

Richard Smith (Consultor)

Caro comentarista: Fiquei muito contente com a sua falta de "iluminação". Parabéns! De fato isso é graça de Deus mesmo. Rogo para que siga assim. De "Iluminados" esse pobre País está cheio, sem qualquer resultado positivo por causa disto. Uma vez se afirmou: "Na Idade Média os homens tinham Fé e eles construiram catedrais. Hoje em dia os homens somente tem opiniões e opiniões não conseguem construir nada". E de fato, o que vemos hoje em dia é isto. As pessoas tem cada dia menos convicções, mas apenas "opiniões" que variam de acordo com os ventos ou com a moda. Pior do que isso, são tremendamente influenciáveis, ou pelo menos, tem medo de expor o que verdadeiramente acreditam (convicções, ao invés de meras "opiniões") por medo de afrontar o "politicamente correto". E o que vemos ao final é uma tremenda relativização de valores. Temos, por exemplos: um presidente, o qual, diretamente beneficiados pelas ações de seus subordinados (MENSALÃO) diz que "não sabia de nada" e todos fazem de conta que acrditam; temos ainda uma pessoa que, bem aquinhoada pela vida, trama e executa a morte dos pais de forma covarde e fica-se discutindo se ela fumava maconha ou não, se teria perdido a virgindade ou não! Que barbaridade! Mas, esse "Politicamente correto" foi estabelecido por quem? Quem possui o cânone do que pode ou não pode ser discutido, ou pior, de quem pode ou não fazê-lo? Foi contra isso que me insurgi! Se não sou, definitivamente, nenhum luminar de cultura ou de sabedoria, tenho pelo menos a consciência de que ninguém é melhor (e nem pior) do que eu em dignidade humana. Pretender calar alguém, apenas porque a sua opinião destoa é DITADURA CULTURAL e como não reconheço a ninguém o direito de fazê-lo, achei importante a defesa do meu direito à opinião, no melhor tom possível às circunstâncias e sem a mínima intenção de ofender a quem quer que fosse. Neste sentido, apelei diversas vezes a que mostrassem a mim, as falhas ou erros de minha argumentação, a fim de que pudessemos encetar uma discussão proveitosa. Debalde. Espero sinceramente que Deus o ilumine (como de resto com a a todos nós) e agradeço seu abraço, retribuindo em dobro.

Caro Sr. Richard Smith (Consultor), Fico fel...

Comentarista (Outros)

Caro Sr. Richard Smith (Consultor), Fico feliz em lhe informar que também me encontro na "segunda categoria." E também pela graça de Deus! Finalmente, continuo crendo que a discussão é o fermento da sabedoria. Um grande abraço.

Caro Sr. Comentarista: "Iluminados" e "profa...

Richard Smith (Consultor)

Caro Sr. Comentarista: "Iluminados" e "profanos", que categorização interessante, da sua parte. Como pela graça de Deus me encontro na segunda categoria, penso que mais interessante fica. No mais, ainda aguardo os reparos, honestos e leais, à minha ignorância, ao invés de achincalhe gratuito, DESPREZO (ai, ai, ai...) ironia vazia, e outras coisas da mesma cêpa. Vamos debater?

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