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História roubada

MP denunciou falta de segurança de acervo histórico

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20. Segundo a declaração do Sr. Gabriel (fls.555/556), ele trabalhou como assistente de pesquisa em um projeto sobre a história da cidade de São Paulo, que utilizou o acervo do Instituto entre meados de 2002 e final de 2004.

Neste mesmo período, o Sr. Gabriel realizou trabalhos independentes de levantamento bibliográfico e cartográfico para o IHGSP, contratados pela Sra. Nelly e por outros sócios.

O Sr. Gabriel relata que no período que freqüentou os acervos do Instituto como pesquisador, ajudou, juntamente com outros colegas de trabalho do mesmo projeto, “a acondicionar, transportar e higienizar parte do acervo da mencionada hemeroteca”.

Destacando ainda que:

“Durante esse processo pude perceber o descaso da diretoria por esse magnífico acervo. Graças aos nossos esforços, somados ao de Gustavo Hecker (bolsista da FAPESP que trabalhava no projeto de reestruturação e modernização do acervo e de sua estrutura funcional) pudemos salvar alguns periódicos que haviam sido descartados indevidamente pelo Sr. Collet (homem de confiança da Dra. Nelly, que foi o responsável pela implementação de algumas das mudanças impensadas concebidas pela diretoria). Mais tarde, quando o Instituto recebeu a doação da grandiosa biblioteca do falecido Dr. Délio, o descaso e a ignorância puderam ser ainda mais claramente verificados. O referido Sr. Collet, autorizado pela Dra. Nelly iniciou o descarte de obras da biblioteca supramencionada. Cabe aqui colocar que não houve a participação de especialistas na efetuação do descarte. Não foram consultados nem bibliotecários, nem historiadores aptos a fazê-lo e por mais absurdo que pareça, o descarte foi feito sem a consulta ao acervo da biblioteca do próprio Instituto.” (grifo nosso)

21.Em um esforço para salvar obras raras e importantes do lixo, o Sr. Gabriel tomou as seguintes providências:

“depois que o descarte era realizado e os livros eram separados para serem jogados fora, eu os carregava e os escondia dentro do próprio Instituto para aguardar o melhor momento de recolocá-los na biblioteca do Instituto.”

O Sr. Gabriel declarou também, que dentre as aproximadas dez caixas cheias de publicações que escondeu, foram resgatados obras de Afonso Taunay e quatro volumes da obra “História da Caricatura no Brasil” de Herman Lima.

Ele também enfatizou que a diretoria entendeu que “todas as obras de direito existentes na biblioteca do Dr. Délio não eram dignas de serem preservadas (...) Lembro-me que os livros de direito foram tratados com enorme desprezo, por terem sido caracterizados como ultrapassados, como se a história de nossas leis não fosse digna de estudo. Atenho-me aos livros de direito pois muitos foram de fato para o lixo, pois apesar do meu empenho não pude salvar todos os livros descartados”.

22. O mesmo Relatório Histórico e Correcional realizado pelo Secretário Geral Dr. Augusto Francisco Mota Ferraz de Arruda, também noticia sérias suspeitas e indícios não desprezíveis de que entre as peças e obras de um leilão sediado no IHGSP eram bens pertencentes ao Instituto (fls. 488).

Este leilão, já referido no item II.B., restou suspenso, em primeiro momento, face a uma medida cautelar inominada, que posteriormente foi suspensa por um agravo de instrumento.

No entanto, a declaração do Sr. Brás Ciro Gallota (fls.627), que foi auxiliar da hemeroteca do Instituto até meados de 2002, atesta que ele reconheceu:

“(...) algumas fotografias existentes no catálogo do leilão como peças afins do Instituto, tendo, inclusive manuseado-as na sede da biblioteca. Mais, declaro que o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, possui museu com peças da revolução de 1932, como medalhas, quadros, cartas, estampas e outras obras de arte como as que estão sendo leiloadas. Também, que o referido Instituto possui sessão de peças museológicas relativos à Santos Dumont como os que estão sendo leiloados.”

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 4 de janeiro de 2006, 17h36

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