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Batida policial

Entidades denunciam polícia de SC de agredir jornalista

O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e outras entidades da classe acusam a polícia do estado de agredir, sem nenhuma justificativa, o professor universitário, jornalista e escritor Nilson Lage, de 70 anos. Segundo informa o site Comunique-se, o jornalista foi preso e espancado por policiais militares no sábado (18/2), em Florianópolis, quando dormia em seu carro, parado numa rua.

A polícia afirma que o professor estava embriagado e foi advertido de que não poderia continuar dirigindo, mas nega que tenha havido qualquer tipo de violência.

Em tratamento contra a depressão há dois anos, o professor lembra que pegou o carro por volta das 19h e foi a um local que costuma freqüentar, onde bebeu duas taças de vinho e comeu um salgado. Ao seguir para casa, recorda apenas que parou em frente a um posto da Polícia Militar. “Só sei que dormi. Acordei já apanhando de um policial. Me arrancaram do carro e me jogaram no camburão”.

O jornalista acredita que tomou a medicação errada ao sair de casa, trocando o remédio da noite, que dá sono, pelo do dia. “Eu não estava alcoolizado. Bebo todas as noites uma taça de vinho, desde jovem”.

Lage se recusou a fazer o teste do bafômetro. Na última segunda-feira (20/02), dirigiu-se ao IML para fazer exame de corpo de delito. Também prestou queixa na 2ª Delegacia de Polícia Distrital contra o policial que ele aponta como seu agressor. “A única arma que tenho agora é o ataque. A polícia, que deveria nos proteger, nos agride”, lamenta.

Segundo o, Na versão da Secretaria de Segurança Pública, relatada pelo Comunique-se, a polícia foi avisada que um carro estava parado no acostamento da Avenida Pequeno Príncipe, na Praia do Campestre, e que a vizinhança achou estranho o fato de ver uma pessoa dormindo num veículo. Os policiais teriam constatado que Lage estava embriagado e dito a ele que não poderia mais dirigir. “Não há relatos de violência, segundo o comandante do Policiamento Metropolitano, Mário César Simas”, disse a assessoria.

O secretário de Segurança Pública, Ronaldo Benedet, pediu abertura de sindicância no âmbito da PM para apurar as denúncias de agressão contra o professor.

Apoio da classe

Em nota divulgada à imprensa nesta quinta-feira (23/2), diversas entidades e associações de jornalistas denunciaram o ocorrido, criticando a postura da polícia.

“Em vez de receber a ajuda que necessitava naquele momento, foi hostilizado pela Polícia Militar ao ser encontrado dormindo dentro do veículo. Foi algemado, jogado em um camburão e levado a uma delegacia. As marcas em seu corpo – principalmente nos punhos e nos ombros – comprovam a inexplicável violência contra um senhor que neste 2006 completa 70 anos de idade”, afirmam as entidades.

Nilson Lage tem uma trajetória de 50 anos como jornalista, professor e pesquisador de jornalismo. Trabalhou nas principais redações do Rio de Janeiro, entre as quais as do Diário Carioca, Jornal do Brasil, Última Hora, O Globo, Bloch Editores e TVE. Foi professor da Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal do Rio de Janeiro entre outras.

Leia a nota

Nota oficial

Entidades denunciam violência contra professor Nilson Lage

As entidades e instituições abaixo relacionadas denunciam com veemência a inexplicável e bárbara violência cometida contra o professor universitário, jornalista e escritor Nilson Lage, preso e espancado por policiais militares no último final de semana, em Florianópolis, Santa Catarina.

O professor Nilson Lage sentiu-se mal no último sábado, quando dirigia no bairro onde vive, em Florianópolis, conseguiu parar o carro, mas ficou desacordado. Em vez de receber a ajuda que necessitava naquele momento, foi hostilizado pela Polícia Militar ao ser encontrado dormindo dentro do veículo. Foi algemado, jogado em um camburão e levado a uma delegacia. As marcas em seu corpo – principalmente nos punhos e nos ombros – comprovam a inexplicável violência contra um senhor que neste 2006 completa 70 anos de idade.

Nilson Lage conta com uma trajetória de amplos serviços prestados ao longo dos últimos 50 anos como jornalista, professor e pesquisador do jornalismo. Trabalhou, como profissional jornalista, nas principais redações do Rio de Janeiro, entre as quais as do Diário Carioca, Jornal do Brasil, Última Hora, O Globo, Bloch Editores e TVE. Paralelamente, fez uma brilhante carreira acadêmica como professor da Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal do Rio de Janeiro e outras instituições de ensino.

Desde 1992, trabalha como professor Titular do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. É autor utilizado como referência em todos os cursos de graduação e citado em dissertações e teses sobre jornalismo, com obras vendidas aos milhares.

Reiterando nosso protesto pela violência do comportamento policial, solicitamos às autoridades competentes a apuração do caso, a punição dos responsáveis, o reparo dos danos morais e a tomada de providências quanto ao preparo das nossas polícias, para que lamentáveis fatos como estes não voltem a ocorrer em Santa Catarina ou em qualquer lugar do país.

São injustificáveis e inaceitáveis espancamentos por quem deve garantir a paz, e o abuso da força por quem, ao tê-la, deve impedir o seu uso. Lembramos que justamente aqueles que detêm o poder devem assegurar tratamento humano e digno a todos os cidadãos.

23 de fevereiro de 2006

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ

Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo – FNPJ

Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo – SBPJor

Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina – SJSC

Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro – SJPMRJ

Associação dos Professores da Universidade Federal de Santa Catarina – APUFSC – Seção Sindical do Andes

Centro Acadêmico Adelmo Genro Filho do Curso de Jornalismo da UFSC

Departamento de Jornalismo da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina

Revista Consultor Jurídico, 24 de fevereiro de 2006, 7h00

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