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Autorizada exumação de corpo de juiz de Mato Grosso

A Polícia Civil do Mato Grosso vai exumar o corpo enterrado no cemitério de Poconé (MT) como sendo do juiz Leopoldino Marques do Amaral para cmprovar sua identidade. Autor de uma série de denúncias contra desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o juiz Leopoldino do Amaral foi assassinado no dia 7 de setembro de 1999 com um tiro na cabeça. Seu corpo, semi-carbonizado foi localizado na época, em Concepción, no Paraguai e em seguida enterrado em Poconé.

A exumação foi determinada pelo juiz Pedro Sakamoto, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, diante das afirmações da ex-escrevente Beatriz Árias, acusada de co-autoria no crime, de que o juiz Amaral estaria vivo, morando na Argentina. Essa é oficialmente a quinta versão apresentada por Beatriz para o crime. Josino Guimarães, acusado pelo juiz de intermediar o esquema de venda de sentenças no TJ-MT, está denunciado como mandante do crime.

Antes da exumação, peritos da polícia examinarão o túmulo e o caixão para constatar se houve violação do local. A perícia foi requisitada pelo delegado Luciano Inácio da Silva, do GCCO — Grupo de Combate ao Crime Organizado, designado pela Diretoria da Polícia Judiciária para acompanhar o caso.

O coordenador do Instituto Médico Legal, Celso Serafim, informou que a exumação será feita por três médicos legistas, enquanto dois peritos da Polícia Técnica examinarão as condições do túmulo e do caixão.

Leopoldino Marques do Amaral Júnior, 31 anos, filho do juiz assassinado, afirmou que o novo depoimento de Beatriz e a decisão da exumação deixaram sua familia apreensiva. “Está todo mundo horrorizado com as declarações e com a possibilidade de exumação”, disse. Para o filho do juiz morto, a providência seria desnecessária, já que na época do crime exames de DNA, confirmaram que o corpo encontrado na cidade de Concepción era realmente o do juiz.

Leopoldino Júnior, informou que causou estranheza o fato de as autoridades não terem informado a família sobre a exumação. De acordo com Celso Serafim, do IML, embora não seja necessário, a família pode acompanhar a exumação. O exame de DNA deverá ser feito em um laboratório de Maceió.

A OAB de Mato Grosso pretende acompanhar o desenrolar dos fatos. O presidente da seccional, Francisco Faiad, vê uma “reviravolta” e admite que as novas declarações de Beatriz Árias “causam muita perplexidade”.

“Beatriz Árias teve todas as oportunidades de revelar quem matou Leopoldino ou defender a tese que revela agora. Porém, não o fez: preferiu ser condenada, perder o emprego e ainda permanecer 5 anos na cadeia como parte de sua pena de 12 anos como co-autora do assassinato do juiz. Isso é muito estranho, no mínimo”, registrou Faiad.

Revista Consultor Jurídico, 10 de fevereiro de 2006, 14h20

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