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Análise de comportamento

Leia o discurso de Roberto Busato sobre sua gestão

O presidente nacional OAB, Roberto Busato, abriu neste sábado (9/12) a última reunião deste ano do Colégio de Presidentes de Conselhos Seccionais da OAB, fazendo um balanço de sua gestão, que termina em 1° de fevereiro do próximo ano.

De acordo com Busato, a missão de seu sucessor na presidência da entidade será “acompanhar e participar da reconstrução moral, política e institucional deste país”. Para Busato, essa reconstrução é “premissa básica para a realização do sonho de todos nós - a superação das desigualdades, a construção de um Brasil mais justo e próspero, um País que volte a acreditar em si mesmo”.

“O país avança na medida em que os malfeitos dos governantes vêm à tona, e cada vez virão mais”, considerou o presidente. De acordo com ele, na sua opinião, a reeleição do presidente da República não detém o processo investigativo em torno dos escândalos que pontuaram o seu primeiro mandato e que encontraram na OAB uma instituição de vigilância e crítica.

“Em meio a tantas turbulências no processo político nacional, nós, da OAB, conseguimos a proeza de estabelecer uma presença crítica e ativa, acima do varejo partidário e longe do contágio das paixões ideológicas”, sustentou Roberto Busato.

Leia o discurso de Roberto Busato

"Senhoras e senhores presidentes

Quero que minhas palavras iniciais, neste encontro derradeiro deste colégio de presidentes, nesta minha gestão, sejam de esperança e alento.

Por maiores que tenham sido os problemas enfrentados - e sabemos que não foram poucos -, vencemos mais uma etapa do processo democrático, com eleições livres e diretas para as principais instâncias administrativas do país.

Divergências houve, tivemos mesmo momentos mais acalorados, mas aqui estamos, pacificamente, a aguardar mais uma transição de poder no Brasil.

Não há dúvida de que o país precisa melhorar - e muito. Sobretudo no que diz respeito ao padrão moral de comportamento de seus agentes políticos.

Mas não há dúvida também de que a população está cada vez mais atenta, crítica, de olho em suas instituições, que, por sua vez, reconhecem cada vez mais a necessidade de interlocução com a sociedade. Não há mais espaço para torres de marfim na administração pública, em nenhum dos três Poderes.

O país avança, na medida em que os malfeitos dos governantes vêm à tona. E cada vez virão mais. Só assim terá a sociedade condições de avaliar e postular as mudanças necessárias.

A reeleição do Presidente da República não detém o processo investigativo em torno dos escândalos que pontuaram o seu primeiro mandato.

As instituições funcionam a pleno vapor e hão de dar conta do que ficou pendente. Democracia é isto: transparência, respeito à lei e à ordem. Autonomia e eficiência das instituições.

Caminhamos nessa direção - e uma das missões fundamentais da Ordem dos Advogados do Brasil é funcionar nesse processo como o olhar crítico e vigilante da sociedade civil.

Portanto, meu sucessor, não tenho a menor dúvida, dará seqüência a todo esse trabalho que marcou esta administração prestes a findar. E o que nos dá autoridade moral para exercer essa vigilância cívica, estabelecida em nosso Estatuto, é a nossa prática.

Não podemos apenas dizer, recomendar, exigir. Precisamos praticar o que falamos. Diz o provérbio chinês que mais vale um grama de exemplo que uma tonelada de palavras. Esse deve ser nosso lema e paradigma. Acima de tudo, coerência e similitude entre discurso e prática.

Nesse sentido, conseguimos, no Conselho Federal, estabelecer um padrão de rotatividade exemplar. Aqui, não disputamos o poder. Cada presidente que se elege transmite ao sucessor a tocha olímpica, para que dê continuidade a uma obra que não é de nenhum de nós em especial - é de todos. Da advocacia brasileira. Da sociedade civil.

É obra impessoal. Institucional.

Quando, em 1º de fevereiro próximo, transmitir a meu sucessor a presidência do Conselho Federal, não tenho dúvida de que, no assento que a partir de então me caberá, de membro honorário vitalício, verei o trabalho que empreendi ter seqüência, na mesma medida em que assim agi em relação a meus antecessores.

Em meio a tantas turbulências do processo político nacional, pontuado por múltiplos e surpreendentes escândalos, nós, da OAB, conseguimos a proeza de estabelecer uma presença crítica e ativa, acima do varejo partidário e longe do contágio das paixões ideológicas.

Digo sempre - e repito - que nosso compromisso é com a cidadania e com a integridade das instituições republicanas.

Quando a conduta dos agentes públicos as ameaça ou compromete, temos o dever de nos manifestar - e com veemência. Temos, como já disse, autoridade moral para tanto, porque o que queremos para o país praticamos internamente.

Revista Consultor Jurídico, 10 de dezembro de 2006, 9h30

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