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Sociedade de peso

Ex-ministro Rezek vai advogar com Ives Gandra Martins

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A partir da próxima terça-feira (2/5), o escritório de advocacia de Ives Gandra Martins, nos Jardins, em São Paulo, inaugurado em 1957, ganha um reforço de peso. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro das Relações Exteriores, José Francisco Rezek, entrou de sócio na conceituada banca, que passará a se chamar Gandra Martins e Rezek.

Após nove anos no Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, onde foi juiz, Rezek reinicia atividades profissionais no Brasil, após trabalhar fundamentalmente no setor público.

A chegada do ilustre sócio reforçará a atuação da banca no contencioso arbitral, uma das funções que Rezek exerceu até há pouco na Europa. Isso, no entanto, não afasta o escritório de sua principal marca, a de concentrar atuação junto aos tribunais superiores, a de atuar na área de pareceres, abraçando causas de grande revelância. Ali, hoje, há 15 profissionais, sendo nove os sócios integrais.

Com o experiente advogado mineiro Gandra ainda retomará um velho hábito. Ou seja, o de voltar a discutir com o seu principal sócio, a partir da semana que vem, todos os aspectos jurídicos, econômicos, políticos e sociais das propostas de trabalho que recebe.

Tal prática ocorreu ao longo de décadas, quando o tributarista teve como parceiro Henry Tilbery, um experiente juiz militar tcheco-eslovaco. Fugido da II Guerra Mundial, Tilbery passou por Londres e depois fixou residência no Brasil. Aqui representou os interesses de seu país, após os aliados derrotarem as tropas de Adolf Hitler.

Um outro aspecto curioso é que a sociedade assegurará o futuro do clássico escritório. Na banca, há 17 anos, trabalha o filho de Gandra, Rogério. E também está ali, há sete anos, o filho de Rezek, Francisco José. Após dez anos de considerável distância geográfica, ambos estarão a poucos metros um do outro, diariamente.

Quem é

José Francisco Rezek nasceu em Cristina, Minas Gerais, em 18 de janeiro de 1944. Graduou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (1966). Em 1972, mediante concurso, ingressou na carreira de procurador da República, alcançando o posto de subprocurador-Geral da República em setembro de 1979.

Em sua carreira ostenta o raro privilégio de ter sido nomeado duas vezes para o Supremo Tribunal Federal. Em 1983, substituiu o ministro Xavier de Albuquerque, que se aposentou. Pela função, coube a ele presidir oTribunal Superior Eleitoral entre 1989 e 1990 e dirigir a primeira eleição presidencial depois de 25 anos de regime militar.

Renunciou nesse mesmo ano ao cargo de ministro do STF para assumir o Ministério das Relações Exteriores. Em 1992, foi novamente nomeado ao STF, aposentando-se em 1997, quando foi eleito para um mandato de nove anos no Tribunal Internacional de Justiça (Corte de Haia), principal órgão Judiciário das Nações Unidas, com sede nos Países Baixos.





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 é jornalista.

Revista Consultor Jurídico, 29 de abril de 2006, 7h00

Comentários de leitores

4 comentários

Gostei da parte "...e apenas abraçando causas c...

Ruberval, de Apiacás, MT (Engenheiro)

Gostei da parte "...e apenas abraçando causas cujas teses sensibilizam seus titulares". Se não fosse um distinto correspondente do Conjur, diria "... e apenas abraçando causas cujas teses sensibilizam seus bolsos".

A inveja mata...

Comentarista (Outros)

A inveja mata...

AH, vou me embora para São Paulo! Lá, poderei s...

Fabricio M Souza (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

AH, vou me embora para São Paulo! Lá, poderei ser amigo do Alkimin. Poderei ser sócio do Ivis Gandra Martins, trabalharei nas melhores causas do mundo. Colocarei meu carango, nas vagas dos tribunais... serei enfim, amigo do Rei. AH, vou me embora para São Paulo. Lá, poderei ter o Durso como colega, e quem sabe, pegar uma boquinha no Tribunal de Ética. Sem falar, que poderei ser vizinho do Zé Dirceu, em sua Banca de Consultoria... AH, vou me embora para São Paulo. Lá, poderei escolher alguns quadros de pintores clássicos, e levar alguns para minha casa... Deixarei os juizes e procuradores doidos, procurando por um. Lá, poderei dar assessoria para o PT, para o homem dos dolares na cueca, e dizer que nunca vi nada disso! Bobagem, isso é intriga da oposição. Ops, posição! AH, vou me embora para São Paulo. Lá, poderei fazer maracutaia mais fácil em Brasília. Participar de todas elas ao lado de figurões imponentes... sem ser importunado pelos "dirigentes" da OAB. Aqui, não sou féliz. A OAB, local está entregue a acéfalos. No forum não tenho estacionamento, nos tribunais - também não. As grandes causas aqui, estão loteadas para os amigos do rei - rei do qual não sou amigo. Lá também não terei mar, para tomar banho de mar. Aqui também não o tenho, como posso reclamar? AH, vou me embora para São Paulo. Lá, a existencia da advocacia não é uma aventura. Poderei a qualquer momento, no trato do dia a dia, com grandes juristas, pedi-los para me contar histórias de ganhar muito dinheiro...

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