Consultor Jurídico

Corrupção no Congresso

Leia a íntegra da defesa de José Dirceu nas CPMIs

Por 

O SR. PAULO PIMENTA (PT – RS) – O senhor nunca tratou esse assunto com o Ministro José Dirceu?

O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. PAULO PIMENTA (PT – RS) – O senhor supõe que ele poderia ter conhecimento segundo foi informado ao senhor , mas nunca tratou esse assunto com ele?

O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZANão, nunca tratei e suponho – e acho que a minha suposição é a verdadeira –, porque os bancos renovaram os empréstimos” (os grifos são dos signatários).

Não se pretende discutir a veracidade do depoimento do Sr. Marcos Valério, até mesmo porque o Sr. Delúbio Soares já desmentiu suas assertivas perante a Comissão Parlamentar de Inquérito, afirmando que nunca tratou desse assunto com o ex- Ministro Chefe da Casa Civil.

Não se discute, também, a suposição do Sr. Marcos Valério, que alega crer que o Requerente soubesse dos empréstimos, assim imaginando “porque os bancos renovaram os empréstimos.”

O que não se admite é a conclusão do relatório parcial, ao sustentar que “Marcos Valério confirmou, na CPMI, a ciência do ex-ministro quanto aos empréstimos e sua liberação a parlamentares e partidos”. Não se pode sustentar tal conclusão quando o próprio Sr. Marcos Valério afirma o contrário, dizendo-se pautado em meras suposições e palavras de terceiros, que, por sua vez, o desmentem.

Além de reproduzir erroneamente os depoimentos colhidos, incorrendo em patente contradição, o relatório parcial também vinculou o Requerente com episódios já devidamente esclarecidos, optando por ignorar os fatos que afastam sua responsabilidade.

8. Maria Ângela Saragoça:

Se por um lado o relatório parcial interfere nas provas para deturpar depoimentos, por outro, prefere omitir fatos relevantes que isentam o Requerente.

O exemplo mais evidente é visto quando o relatório parcial procura criar “outro episódio que liga o ex-Ministro ao Sr. Marcos Valério”, citando a aquisição de um imóvel e o emprego de sua ex-esposa, a Sra. Maria Ângela Saragoça.

O relatório parcial destacou a manifestação do Dr. Sérgio Bermudes, advogado do Banco BMG, consignando que o mesmo “confirmou que Marcos Valério indicou o nome da Sra. Maria Ângela diretamente ao presidente do banco.” Numa clara distorção, o relatório parcial extirpa a manifestação do advogado da instituição financeira justamente quando é esclarecido que o pedido de emprego não estava relacionado com o ex- Ministro Chefe da Casa Civil:

“Em momento algum Valério falou como porta-voz do ministro.” (os grifos são dos signatários).

O Sr. Ricardo Guimarães, representante do Banco BMG, igualmente esclareceu que a contratação da Sra. Maria Ângela não envolveu a participação do Requerente.

O relatório parcial também ignorou que a Sra. Maria Ângela, publicamente, detalhou o ocorrido e negou a participação do ex-Ministro Chefe da Casa Civil tanto na aquisição do imóvel quanto do emprego. Sua declaração é esclarecedora:

"No segundo semestre de 2003 procurei meu ex-marido, José Dirceu, para conversar sobre a necessidade de mudarmos, nossa filha Joana e eu, para um apartamento maior. Ele me disse que não estava em condições de ajudar naquele momento, colaborando na aquisição do novo imóvel ou ampliando o valor mensal da pensão. Não desisti da idéia e comecei a procurar um outro emprego, com o objetivo de resolver o problema com recursos próprios. Sou psicóloga e exerço a profissão desde 1979, atendendo em meu consultório e contratada também pela Universidade Federal de São Paulo. Vários dos meus amigos tinham conhecimento da situação -entre eles, o sr. Sílvio Pereira, que conheço há mais de 20 anos. Em setembro de 2003 encontrei-o em companhia do sr. Marcos Valério, a quem fui apresentada. Conversamos sobre minha situação profissional e o publicitário mineiro se colocou à disposição para me indicar alguma empresa que eventualmente necessitasse de meus serviços. Também disse que tinha contatos se eu precisasse de financiamento para a compra do novo apartamento. Recebi um convite do BMG, em outubro, para realizar uma entrevista de admissão. Após os procedimentos de praxe, fui contratada como a segunda psicóloga do Departamento de Recursos Humanos da filial paulista. Trabalho na empresa desde 3 de novembro de 2003, em regime de meio expediente, na função de analista de recursos humanos. Desde então atuei em diversos programas e atualmente dou assistência psicológica a funcionários do banco e seus familiares em meu consultório. O novo emprego permitiu a renda adequada para que eu me credenciasse a créditos imobiliários. Além disto, coloquei à venda o apartamento em que morava e meu carro. A idéia era complementar o valor do novo imóvel com financiamento bancário. Vendi meu antigo apartamento em novembro ao sr. Ivan Guimarães, também petista, para servir de residência à sua mãe. Quando fui passar a escritura, recebi a informação de que seria outro o efetivo comprador, a quem fui apresentada na hora, o sr. Rogério Tolentino. Com a venda do imóvel e do único automóvel que tinha, consegui parcialmente o valor necessário para o apartamento que queria comprar. A diferença, de R$ 42 mil, foi financiada em 36 parcelas junto ao Banco Rural, com a alienação do próprio imóvel, por indicação do sr. Marcos Valério. Os custos da escritura foram pagos através de um empréstimo de R$ 5.000 no Banco do Brasil, regularmente concedido a funcionários públicos. Estes são os fatos. As transações citadas estão todas declaradas em meu imposto de renda. Alguns detalhes, na época, me fugiram à atenção. Apenas hoje, por exemplo, vim a saber que o sr. Tolentino é advogado e sócio do sr. Marcos Valério. Até recentemente, antes da crise em curso, acreditava que o sr. Marcos Valério era amigo de amigos e disposto a ser solidário, como muitos que conheci no ambiente petista. Agora me dou conta que fui usada por este senhor, que tinha interesses próprios e provavelmente visava comprometer o ex-ministro José Dirceu. Quero, por fim, esclarecer que em nenhum momento meu ex-marido interferiu ou teve conhecimento das minúcias da compra do imóvel. Os encaminhamentos que adotei são de minha inteira responsabilidade e foram conduzidos da maneira autônoma pela qual sempre geri minha vida. Ontem [anteontem] à noite, quando relatei a José Dirceu os detalhes desta situação, o fiz com muita tristeza e consternação, pois tenho consciência que posso ter sido um instrumento para abalar sua imagem pública" (os grifos são dos signatários).




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Leonardo Fuhrmann é repórter da revista Consutor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 9 de setembro de 2005, 17h46

Comentários de leitores

5 comentários

Este partido chamado "PT", deve ser exonerad...

Vidal (Professor)

Este partido chamado "PT", deve ser exonerado, devido as más qualidades de desenvolvimento, oriundo de pessoas que vieram de asilos politicos e conviveram com o terrorismo contra a Nação, O Dirceu, como foi mostrado sua ficha, para retornar ao Brasil teve que fazer operação plástica, Genoino foi preso na guerrilha, mas através de um militar todos foram absolvidos, ainda por cima o Brasilileiro está tipo criança quando começa a andar e falar, faz tudo através dos mais velhos (pais) que vão ensinando os comportamentos e deveres e atitudes. Estas pessoas que se dizem que lutam pelo trabalho é só um espelho, este "PRESIDENTE", em comicios fez tantas declarações, que hoje está uma "NEGAÇÃO", portanto o "BRASILEIRO" não deve copiar igual aos EUA e sim olhar ao seu redor, ver; analizar; agir, nunca andar na reta, sempre verificando o seu pizar e ao subir fazer os seus galhos.

Senhores, eu votei no PT e já fiz de vontade pr...

JPLima (Outro)

Senhores, eu votei no PT e já fiz de vontade própria até, 1989, propaganda para o PT. Hoje, eu afirmo e uso no meu carro Slogan "PT nunca mais" com toda consciência do erro cometido. O sonho acabou, ou melhor acabaram com nossa esperança, o próprio PT. Acreditar que esse "Bando" que o Lula colocou no Planalto para Governar o País iria realizar as mudanças necessarias para diminuir as desigualdades foi Utopia. Concordo com o comentário do Dr. Itamar. Por fim ainda bem que o Zé Dirceu é candidato pelo Estado de SP, e não de um Estado da Região Norte ou Nordeste. Se não for cassado, eu acredito que será, vamos esperar pela Justiça dos eleitores paulista em 2006. PT nunca mais.

A peça dos advogados deve ser indeferida. Pr...

itamar (Advogado Autônomo)

A peça dos advogados deve ser indeferida. Primeiro, por excesso; quem se explica muito é porque não tem razão. Segundo, porque não esclarece por que o deputado Dirceu saiu do Ministério após o deputado Jefferson dizer: "Zé, sai daí, e sai rápido". Terceiro, por desconhecer que o julgamento político não exige prova inatacável. Quarto, por pedir depoimento na CPMI, para se defender; CPMI não é foro para se defender; foro político para se defender é a Comissão de Ética.

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