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Condições de trabalho

PF faz assembléias para decidir paralisação de um dia

O Sindicato dos Delegados de Polícia Federal de São Paulo faz Assembléia-Geral Extraordinária nesta segunda-feira (24/10), às 12h, para discutir a situação da classe. No mesmo dia e horário o Sindicato dos Servidores Público e Civis do Departamento de Polícia Federal do Estado de São Paulo também estarão em assembléia.

Essas reuniões são uma preparação para a Assembléia-Geral com todas as entidades que representam a PF em São Paulo no dia 26 de outubro, em frente à sede da Superintendência Regional de São Paulo. A intenção é marcar o dia 8 de novembro como data oficial para paralisação de um dia em defesa da classe.

Para as entidades, enquanto a Polícia Federal recebe baixos salários, o governo federal tira proveito de suas ações. “Os policiais federais têm viajado em aviões da FAB [Força Aérea Brasileira], onde sequer existem banheiros. Têm dormido, quando dormem, em quartéis e sacrificado suas obrigações corriqueiras. Têm como contrapartida, o recebimento de diárias irrisórias”, afirmam.

Outros problemas, enfrentados diariamente, contribuem para as dificuldades de trabalho alegadas pela PF. Para a classe, faltam servidores, viaturas, computadores, papéis, toner para impressoras. O que faz com que os inquéritos “se arrastem de forma precária por anos, concorrendo para a impunidade que envergonha o país”.

Os interlocutores do governo federal afirmam ter a intenção de dar um aumento diferenciado para a PF, segundo as entidades. Mas os sindicatos alegam que essa mesma intenção foi manifestada no ano passado e que o reajuste foi “insignificante”.

“Tudo tem servido de desculpas para a falta de resposta do governo: viagens, escândalos, momento político. O governo admite o ônus político no tocante aos escândalos da atual administração, mas não assume que um reajuste salarial honesto para os federais seja justo e importante”, afirmam os sindicatos.

Leia a íntegra da ata de reunião:

ATA DE REUNIÃO SINDICAL SUPRACLASSISTA

Aos dezenove dias do mês de outubro do ano de dois mil e cinco, na sede do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal no Estado de São Paulo, presentes os representantes do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal no Estado de São Paulo, Sindicato dos Servidores Públicos e Civis do Departamento de Polícia Federal no Estado de São Paulo e da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, devidamente reunidos, apreciaram e deliberaram o que segue:

1 – Analisado o atual quadro da Polícia Federal, seja do ponto de vista material, de recursos humanos e ainda a forma como a questão salarial vem sendo conduzida, as entidades de classe presentes decidiram pela tomada de uma posição unificada.

2 – Para os efeitos dessa ação unificada, os presentes levaram em conta que os interlocutores do Governo Federal afirmam haver intenção em dar-se aumento diferenciado para os Policiais Federais e reconhecer o atual papel do DPF. Para tanto, versões não oficiais dão conta de que seria necessário em primeiro lugar, negociar com as demais categorias, para depois tratar de nossa situação.

Entretanto, este mesmo argumento foi utilizado no ano passado, justamente para nos dar um reajuste insignificante, ou seja, por já haver tratado da questão salarial dos demais servidores, não havia mais recursos para conceder um reajuste diferenciado aos Policiais Federais.

3 - Até hoje o Governo Federal não se pronunciou oficialmente sobre a proposta salarial apresentada pelas entidades de classe. Sabe-se que uma outra proposta está percorrendo os corredores do Governo, mas ninguém sabe qual delas está sendo apreciada. Até o momento ninguém sabe qual será o reajuste, nem quando irá sair.

4 - Ao mesmo tempo em que nos condena à penúria salarial, o Governo Federal tira proveito das ações da Polícia Federal, realizadas em péssimas condições e que precisam ser denunciadas. Enquanto a Polícia Federal se dedica a ações de mídia, o dia a dia está prejudicado. Faltam servidores, viaturas, computadores, papéis, toner para impressoras, e os inquéritos se arrastam de forma precária por anos, concorrendo para a impunidade que envergonha o país.

5 - Para realizar operações de mídia, os Policiais Federais têm viajado em aviões da FAB, onde sequer existem banheiros. Têm dormido, quando dormem, em quartéis e sacrificado suas obrigações corriqueiras. Têm como contrapartida, o recebimento de diárias irrisórias. As condições de trabalho impostas aos Policiais Federais são incompatíveis com o retorno político e econômico decorrentes das operações e serviços prestados à sociedade.

6 - Tudo tem servido de desculpas para a falta de resposta do Governo: viagens, escândalos, momento político. O governo admite o ônus político no tocante aos escândalos da atual administração, mas não assume que um reajuste salarial honesto para os federais seja justo e importante.

Por esses motivos, os Policiais Federais, pela primeira vez unidos em face das injustiças perpetradas, de forma consciente e coesa, precisam dar uma resposta corajosa e sem preconceitos, no seguinte sentido:

a) Realização, de Assembléia Geral Extraordinária pelo Sin-DPF SP, no dia 24.10.2005 às 12 horas, com seus associados para debater a atual situação e tentar sensibilizá-los para uma ação conjunta e objetiva.

b) Realização, no mesmo dia e horário, de Assembléia Geral Extraordinária pelo Sindicato dos Servidores Público e Civis do Departamento de Polícia Federal do Estado de São Paulo com a mesma finalidade do item anterior.

c) Acionar os representantes da ADPF e APCF em São Paulo para se engajarem na presente proposta.

d) Realização de uma assembléia geral extraordinária com todas as categorias do Departamento de Polícia Federal no dia 26 de outubro, às 12 horas, em frente à sede da SR/DPF/SP, com a presença da imprensa.

e) Designar o dia 08 de novembro com data oficial para paralisação de um dia em defesa da Polícia Federal

Nada mais havendo, é encerrada a presente ata, que lida e achada conforme segue devidamente assinada por todos.

Sindicato dos Delegados de Polícia Federal no Estado de São Paulo

Sindicato dos Servidores Públicos e Civis do D.P.F. no Estado de São Paulo

Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal


Revista Consultor Jurídico, 24 de outubro de 2005, 11h17

Comentários de leitores

1 comentário

Operações de mídia? Chama a polícia!

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal (Advogado Autônomo - Criminal)

Operações de mídia? Chama a polícia!

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