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CPI dos Correios

Outro doleiro diz que fez transferências ao exterior para Maluf

O doleiro paranaense Alberto Youssef, condenado por remessas ilegais de dinheiro ao exterior pelo Banestado, afirmou nesta terça-feira (18/10) à CPMI dos Correios que operou contas do ex-prefeito paulistano Paulo Maluf (PP) no exterior. Ele afirmou que uma conta de Maluf na Suíça teria recebido dinheiro de suas operações em 1996, quando o político ainda era prefeito. O doleiro disse também que não teria como comprovar suas afirmações e que movimento entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões.

Youssef negou ao relator da CPMI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que tenha feito qualquer operação com a corretora Bonus-Banval, acusada de repassar dinheiro do PT a partidos aliados. No entanto, o doleiro admitiu conhecer os ex-diretores da corretora Enivaldo Quadrado e Breno Fischberg. As informações são da Agência Câmara.

O doleiro paranaense também negou ter conhecido ou tido qualquer atividade com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares ou com o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser operador do Mensalão. Segundo Youssef, suas operações eram feitas somente com doleiros no mercado, entre eles Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, e Clark Seton.

No depoimento, ele admitiu que conhece o deputado federal José Janene (PP-PR), mas assegurou que não operava para o deputado. O doleiro explicou o recebimento de um cheque nominal de R$ 150 mil de Janene. Segundo Youssef, o valor teria sido emprestado a um empresário do Paraná para que pagasse serviços do advogado Valdoci José dos Santos. Janene teria sido o fiador do empréstimo e, por isso, teria deixado com Youssef o cheque, que não chegou a ser descontado.

O doleiro também disse não saber se Toninho da Barcelona teria transferido dinheiro para o exterior a pedido do PT e afirmou que nunca tinha ouvido falar da empresa Guaranhuns, que pertence oficialmente à offshore Esfort Trading e teria sido usada por Marcos Valério para enviar dinheiro ao exterior.

Youssef admitiu ter operado por meio do Banestado em média US$ 15 milhões por dia (R$ 33,6 milhões na cotação atual). A maior parte das operações era feita por contas CC5. De 1996 a 2000, foram movimentados US$ 2,5 bilhões —R$ 5,6 bilhões. O doleiro afirmou que pagava propina quinzenal a diretores do Banestado de US$ 7 mil dólares para obter facilidades nas operações com o banco.

Revista Consultor Jurídico, 18 de outubro de 2005, 20h44

Comentários de leitores

1 comentário

Como advogado de vários Diretores do Banestado,...

Rodrigo Druszcz (Advogado Sócio de Escritório)

Como advogado de vários Diretores do Banestado, venho esclarecer que um único diretor recebia propina semanalmente, quer seja o ex-diretor de câmbio, Gabriel Nunes Pires Neto, que em virtude de Delação Premiada, já cumpriu sua pena e está em liberdade.

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