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Questões federais

Delegados da PF têm dúvidas sobre desarmamento

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No recente desfile do 7 de setembro, em Brasília, os aplausos da população para o trecho do cortejo ocupado pela Polícia Federal deixaram enciumados os demais participantes da festa. A imagem da corporação, vitaminada pelas espetaculares operações em cartaz, teve seu upgrade.

No pacote, porém, além da glória, a PF recebeu também os problemas dela decorrentes, como a responsabilidade de administrar o novo patrimônio. Mas não recebeu, reclamam seus integrantes, melhores condições de trabalho para sustentar o papel que a PF vem desempenhando. Do que mais se reclama, claro, são os baixos salários.

A Consultor Jurídico participou do encontro nacional dos delegados da Polícia Federal, promovido por sua federação, a Fenadepol, em Fortaleza, no Ceará. Na ocasião, entrevistou 58 delegados e delegadas para trazer aos leitores o pensamento dos homens que comandam as operações da PF sobre nove temas.

Os delegados estão divididos em relação ao desarmamento da população, cujo plebiscito se dará este mês. Embora a maioria (51,7%) considere que a medida irá reduzir a violência no país, 39,7% acham que nada mudará e 8,6% acreditam que a violência vai é aumentar.

Já no quesito “algemas” a posição é mais uniforme. Enquanto 57,1% dos delegados defendem que o artefato seja usado em toda e qualquer prisão e detenção, 42,9% acham que algema só se usa quando se mostrar necessária. Ou seja: em caso de risco. Não houve um único delegado que se manifestou contra o uso de algemas.

Na visão do delegado Ricardo Ferreira, a utilização das algemas deve ser obrigatória “para uniformizar a rotina e evitar comentários de que determinados presos recebem tratamento privilegiado”.

O relacionamento com o Ministério Público, dizem os consultados, é regular para 46,6% dos profissionais e bom para 41,4%. Apenas 12,1% dos delegados consideram ruim as relações. Mas quando o assunto é o poder investigatório do MP na área criminal, a conversa muda o tom: 54,9% dos ouvidos afirmam categoricamente que o trabalho dos procuradores é ruim; 41,2% acham regular e só 3,9% acham bons os resultados apresentados pelo parquet.

Não por acaso, 89,7% dos entrevistados entendem que o MP não deve, em qualquer hipótese, conduzir investigações criminais e 10,3% acham que “eventualmente” a tarefa pode ser desempenhada pelos procuradores. Ninguém admite a competência do MP para essa finalidade.

O delegado Ricardo Ferreira entende que ao MP é reservado o papel de “instituição fiscalizadora da polícia e titular da ação penal”, cabendo-lhe requisitar todas as diligências que achar necessárias.

Os delegados entrevistados rejeitam a tese de que a maior visibilidade da PF se deve à estratégia de marketing do governo Lula. Apenas 13,6% deles concordaram. Mas são minoritários também os que atribuem a projeção da polícia ao esforço do governo para combater a corrupção. Coincidentemente, os mesmos 13,6% do primeiro grupo. A alternativa mais assinalada foi a que explica a maior visibilidade à eficiência da PF no trabalho.

Um entrevistado que preferiu não ser identificado entrou em detalhes. O empenho e a capacidade que a PF mostra neste governo é o mesmo que em governos anteriores. Contudo, assinala, “o governo Lula está se aproveitando dos resultados positivos da Polícia Federal para auferir vantagens”, ressalvando que esse lucro político é indevido “pois o governo Lula não atende aos reclamos da instituição, nem de melhores condições de trabalho, muito menos salariais”.

Entre outros itens, os delegados e delegadas reunidos em Fortaleza manifestaram-se ainda sobre o acompanhamento das operações da PF pela imprensa. Para 35,1% dos consultados, a presença da imprensa não atende ao interesse público. Outros 36,8% acham que é indiferente e 26,1% consideram que a cobertura jornalística atende ao interesse público.

Para Ricardo Ferreira, a imprensa não deve acompanhar as operações, seja nas prisões, seja nas buscas e apreensões. “Mas a polícia deve, sempre que possível, fornecer imagens das operações, não só para divulgar o trabalho policial, mas também com o objetivo de prestar contas à sociedade”.

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 é diretor da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 3 de outubro de 2005, 10h50

Comentários de leitores

2 comentários

QUARTO PODER - A violência somente será reduzid...

Julius Cesar (Bacharel)

QUARTO PODER - A violência somente será reduzida a indices de países do primeiro mundo quando a nação conscientizar que a segurança pública é o primeiro direito do cidadão e os órgãos encarregados pelo Estado para executá-la devem se constituir no QUARTO PODER, com independência dos outros três poderes e percentual de verba consignada em orçamento. Os salários dos delegados de polícia federal e civis, oficiais da Polícia Militar, inspetores das Guardas Rodoviária Federal, Estaduais , Municipais equivalentes a dos parlamentares, juízes e promotores.

Esse referendo está uma confusão daquelas! As p...

Priscila -JFSP (Outros)

Esse referendo está uma confusão daquelas! As pessoas não estão devidamente informadas e, dessa forma, não estão aptas a decidir uma questão de tamanha importância. - Tragédias por discussões no trânsito? Não irá mudar nada! Isso pq já é proibido andar armado nas ruas! As pessoas não sabem! Só é permitido andar armado: policial, seguranças, etc. - Tragédias em casa por discussões? Idem! Saibam que as tragédias acontecerão de qualquer forma, pois as pessoas que não têm arma de fogo têm facas e matam assim mesmo, se nesse nível a fúria chegar. Não será isso que as irá impedir. - A violência não diminuiu até agora, pq agora irá ser diferente? Éssa é fácil de perceber: o que não diminuiu foi a violência das ruas, que ultimamente aumentou, mas as ocorrências de assaltos dentro das residências são expressivamente menores. Isso pq agora não se pode mais andar armado nas ruas, então é fácil para os bandidos roubarem, sabem que estamos desarmados! A violência só aumentou nesses últimos tempos, pois só eles têm armas!!! Agora, com o sim à proibição, eles entrarão dentro de casa, pois saberão que agora nem nas casas as pessoas podem se defender, estaremos literalmente entregues aos bandidos. Um absurdo que não tem tamanho. Sabem quem são os que estão tranquilos com isso tudo? Os bandidos e os ricos, principalmente grandes artistas de TV. Os primeiros, pq nada melhor do que atuar sem nenhum risco. Os segundos, pq não precisam ter armas já que seus seguranças brutamontes têm e assim os afortunados estão bem sossegadinhos.... Só o povo, que já não tem direito à saúde, educação, cultura e segurança minimamente dignos, agora corre o risco de não ter mais sequer seus DIREITOS CONSITUCIONALMENTE PREVISTOS. Pena que poucas são as pessoas que estão se dando conta do pavoroso absurdo que está acontecendo... Não querer ter arma em casa é uma coisa (repito, pq nas ruas já não é permitido mais, só para policiais e seguranças dos ricos e BANDIDOS), pois isso é (ainda) decisão de cada um. Agora, tirar o direito de se defender do povo é algo inadmissível!!!

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