Consultor Jurídico

Entrevistas

Livre, leve e solto

O crime compensa porque não há certeza da punição

Comentários de leitores

5 comentários

A afirmação é lapidar e dá a medida da tese def...

Ottoni (Advogado Sócio de Escritório)

A afirmação é lapidar e dá a medida da tese defendida pelo entrevistado: o que reprime a criminalidade é a certeza da punição e não o aumento das penas. Diante do amontoado de leis impertinentes e inadequadas à solução de nossos problemas sociais típicos, a certeza da punição fica dificultada por fatos sobejamente conhecidos. Recruta-se o policial militar junto a um mercado de trabalho desqualificado, pois, a remuneração é ínfima em face da natureza brutal da missão a ser cumprida. O policial civil, que serve à Polícia Judiciária no sentido de coletar provas para que Ministério Público e Poder Judiciário possam cumprir suas missões dentro das exigências constitucionais que garantem a cidadania vence salários ridículos perante a responsabilidade que deve ter perante sua própria consciência. Deverá enfrentar um traficante que, no ato da prisão, acena com um "mensalão" igual a um ano de seus salários. A utopia pretende serviços de primeiro mundo com gastos do terceiro. Somente a absurda criação de prisões "oceânicas" exigiria gastos superiores àqueles investidos, hoje, na organização da base repressora do crime.Os demais sonhos aqui revelados, de igual custo, também revelam-se de igual inutilidade. Crime deve ser combatido com inteligência, poder de informação eficiente e veloz, profissionalização e conscientização do órgão repressor. A Ilha do Diabo, tristemente famosa, retrata o fracasso do isolamento total do condenado em termos de ressocialização. Verba para uma atividade que não dá votos. Abandono do condenado à sua própria sorte, pois, ele não interessa como eleitor, já que teve seus direitos políticos cassados.O abissal fosso econômico que separa a classe média da imensa maioria de desamparados, provocando um estado de guerra entre classes, circunstância revelada pelos constantes atos de vandalismo e violência inútil praticados quando da ação criminosa com o intuito de roubar, é a demonstração de que o agente quer agredir a vítima por entender que na sua vida tem sido agredido pela sociedade que o desamparou.Não rouba, ou furta, para ficar rico, mas para agredir quem tem e vingar sua vida miserável. Um objeto de valor considerável é vendido ao primeiro receptador por alguns reais,o que demonstrar que a ação não tinha propósito econômico. Convivi, por mais de 12 anos, como professor, com presos da Penitenciária do Estado de São Paulo e posso atestar essas minhas conclusões. Enquanto perdurar a idéia de que a sociedade é composta por inimigos naturais irreconciliáveis e o exercito dos desassistidos procriar geometricamente com relação aos favorecidos, a força física prevalecerá. Num país onde a imensa maioria do povo é composta por remediados, pobres e miseráveis e sua representação parlamentar é constituída por uma imensa maioria de latifundiários, banqueiros, empresários e outros representantes dessa minoria de privilegiados, quaisquer sonhos igualitários devem ser abandonados e as leis continuarâo a ser elaboradas contra aqueles que, potencialmente, ameaçam a tranquilidade dos bairros onde vive a elite. Data vênia, é claro.

As entrevistas do Guaracy são excelentes, bem c...

Michael Crichton (Médico)

As entrevistas do Guaracy são excelentes, bem como os seus livros.

Antes de mais nada, quero parabenizar o entrevi...

Wagner Agnolon (Estudante de Direito - Criminal)

Antes de mais nada, quero parabenizar o entrevistado. É muito raro alguém abordar com tanta precisão e isenção os problemas da criminalidade no Brasil. Apenas com o intuito de contribuir para o debate, entendo que, no caso das polícias, além da baixa remuneração, nos deparamos com evidentes desvios de função. Os investigadores são utilizados para escoltarem presos, para fazerem segurança para Delegados e para desfilarem pela cidade em paramentos ostensivos, quase militares, atuando num suposto Policiamento Preventivo Especializado (que de especializado não tem nada). Acredito que se todos esses policiais de investigação fossem direcionados para o exercício de sua atividade fim, a aludida "certeza da impunidade" diminuiria e, consequentemente, o crime também diminuiria....

Complementando : Inquérito Policial, Processo J...

Julius Cesar (Bacharel)

Complementando : Inquérito Policial, Processo Judicial e Lei de Execuções Penais são as respnsávéis pelas dificuldades para a aplicação da Lei Penal e - o que é mais imporante - a Impunidade.

CRIMINALIDADE A NÍVEIS TOLERÁVEIS - A criminali...

Julius Cesar (Bacharel)

CRIMINALIDADE A NÍVEIS TOLERÁVEIS - A criminalidade zero é uma utopia, mas em níveis toleráveis é possível e já é gozada nos países de primeiro mundo, entre estes cito o Japão, Países Nórdicos,Inglaterra etc. Se o Brasil adotasse três providências, seríamos alçados ao mesmo nível dos países de primeiro mundo neste campo. São elas : 1- Controle Rígido da Natalidade; 2- Construção de prisões em ilhas oceânicas ( A idéia original é do atual Presidente do STJ ); 3- Fim do Inquérito Policial e do Processo Judicial. O acusado de crime, uma vez preso, seria levado a um Tribunal de Juri de Plantão, para ser julgado. Todas as provas seriam produzidas durante o julgamento. Uma vez condenado a pena de prisão, seria levado para a Ilha Oceância Prisão, onde a cumpriria totalmente, podendo levar para lá sua família ( Inquérito Policial, Processo Judicial e Lei de Execuções Penais só servem para dificultar a aplicação da Lei Penal)

Comentar

Comentários encerrados em 5/12/2005.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.