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Pesquisa de opinião

Pesquisa: População não acredita em punição de juiz que matou vigia.

Cerca de 80% da população de Fortaleza não acredita que o juiz Pecy Barbosa será punido. Ele assassinou o vigilante José Renato Coelho, dentro do supermercado da Lagoa, em Sobral (CE), no dia 27 de fevereiro deste ano. A pesquisa sobre o assunto foi feita pelo jornal O Povo e pelo Instituo de Pesquisa, Consultoria e Desenvolvimento UltraData. A informação é do site Espaço Vital.

Quase metade dos entrevistados (46%) disse acreditar que o juiz será condenado, porém não cumprirá a pena na prisão. Já 35,8% afirmaram que Pecy Barbosa não será condenado. Apenas 12% disseram que o juiz deve ser condenado e cumprirá a pena. Foram feitas 600 entrevistas.

O professor titular da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), José de Albuquerque Rocha, afirma que a opinião da população é um reflexo da descrença na falta de punição quando a elite está envolvida em um crime.

Para o professor de Direito Penal da Faculdade Farias Brito e presidente do Conselho Penitenciário do Ceará, Ernando Uchôa Lima Sobrinho, os números da pesquisa revelam uma crença da população de que a Justiça Penal foi feita somente para punir pessoas pobres.

Revista Consultor Jurídico, 21 de março de 2005, 11h54

Comentários de leitores

3 comentários

Se a população não acredita em nosso judiciario...

Evaldo (Contabilista)

Se a população não acredita em nosso judiciario, para que ele serve então? Os valores que eles custam para a população não poderia ser abatido no que nós pagamos de impostos. Não é assim que acontece quando não estamos satisfeitos com um produto ou serviço que compramos e não funciona.

É triste ver a descrença da população num caso ...

Augusto Vinícius Fonseca e Silva (Procurador do Município)

É triste ver a descrença da população num caso táo sórdido como este... Mas, não podemos desistir jamais, pois, se perdermos a capacidade de indignação, o que será de nós? Sim, é certo que as decisões judiciais, em grande parte, não dão crédito a que outra opinião seja dada, mas não podemos desistir. Nem que façamos igual aos libaneses que, a despeito da forte pressão da Síria, foram para as ruas gritar. Isto se chama cidadania ativa. Li na ISTOÉ da semana passada que o sr. Juiz, em sua defesa, pretende alegar "disparo acidental"! Não sei se li direito: "disparo acidental"!? De onde saiu tamanha sandice? Será que ele acha que o povo é tolo? Certo, é direito fundamental a ampla defesa, mas vamos com calma... "Disparo acidental" é um disparate tão tacanho que eu tive de ler a reportagem duas vezes e, ainda assim, não engoli. Mas, na verdade, devemos pensar como Gandhi: "odeie o pecado e não o pecador". Então, que o pecado seja punido. E que Deus não nos permita, jamais, perder a capacidade de indignação.

O articulista labora em equívoco. Não é apenas ...

Dave Geszychter (Advogado Autônomo)

O articulista labora em equívoco. Não é apenas a circunstância de que a justiça somente se concretiza quando os réus são pobres que forma a crença popular. Mas, também o notório corporativismo dos julgadores. Pois, aqui o réu será julgado por seus pares, que, por via reflexa, também estarão, eles mesmos no banco dos réus. Enquanto o réu submete-se a julgamento pela sua conduta penal, seus pares submeter-se-ão a julgamento pela sua imparcialidade e conduta jurisdicional. O judiciário tem por costume isentar a si mesmo de todo e qualquer erro. Assim, ações de reparação de danos decorrentes de erros judiciários, salvo honrosas exceções, são fadadas ao fracasso, por muito gritante que tenha sido o erro. Diversos juízes tem, indevidamente, se conduzido pelo critério de imunidade etatal, desprezando a doutrina e a jurisprudência mais erudita sobre o tema.

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