Consultor Jurídico

Banco dos réus

Acusados pela morte de Tim Lopes vão a júri na terça

Os sete acusados pelo assassinato do jornalista Tim Lopes sentam nesta terça-feira (24/5) no banco dos réus no Rio de Janeiro, onde serão julgados por júri popular. Entre os acusados está o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco.

O júri, que poderá durar três dias, será presidido pelo juiz Fábio Uchôa, do 1º Tribunal do Júri da Capital. A acusação fica a cargo das promotoras Viviane Tavares Henriques e Patrícia Glioche Béze.

Nove pessoas foram indiciadas no processo. Dois acusados já morreram: André da Cruz, o André Capeta, e Maurício de Lima Matias, o Boi. Os outros sete deverão, a princípio, comparecer ao tribunal. Existe, porém, a possibilidade de processo — que tem 13 volumes — ser desmembrado, com novas datas de julgamento para os réus.

Tim Lopes foi torturado e morto pelos integrantes da quadrilha. Seu corpo foi esquartejado e queimado junto com pneus para que não restassem provas do crime.

Estão previstas para serem ouvidas cinco testemunhas de acusação e cinco de defesa de cada um dos réus. De acordo com o Ministério Público, eles podem ser condenados, cada um, a pena de até 39 anos por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e formação de quadrilha. A informação é do site do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Tim Lopes foi morto quando fazia uma série de reportagens investigativas para a TV Globo sobre bailes funk financiados pelos traficantes, na favela da Vila Cruzeiro, no bairro carioca da Penha. O jornalista também era o autor da reportagem sobre o Feirão de Drogas nos morros cariocas.

Segundo os autos, Tim foi torturado e assassinado pelos acusados, sob as ordens do traficante Elias Maluco, um dos líderes do grupo criminoso Comando Vermelho.

O assassinato de Tim Lopes foi confirmado depois da prisão de Fernando Sátyro, o Frei, e de Reinaldo Amaral de Jesus, o Kadê, integrantes da quadrilha de Elias Maluco. O traficante detinha o poder no Complexo do Alemão, morro formado por 12 favelas fluminenses.

Os depoimentos dos presos indicaram que o jornalista foi identificado pelas reportagens, já que ele havia filmado com uma micro-câmera a venda de drogas nas ruas do morro. Os réus disseram que Tim Lopes foi levado da favela Vila Cruzeiro para a favela da Grota, onde foi torturado e morto. Seu corpo foi esquartejado e queimado em pneus, num método conhecido como “microondas”, usado pelos bandidos com o objetivo de não deixar rastros de suas vítimas e eliminar provas.

Em 13 de junho de 2002, Ângelo Ferreira da Silva também foi preso e confessou que estava no carro que levou o jornalista da Vila Cruzeiro até a favela onde estava Elias Maluco. Elizeu Felício de Souza, o Zeu, preso no dia seguinte, foi identificado como um dos seguranças de Elias Maluco que assistiu à execução de Tim Lopes.

Na ocasião, o bandido confessou que comprou gasolina e diesel em um posto de combustível próximo à favela Nova Brasília e que teria entendido que um inimigo da quadrilha seria executado. Mas não soube dizer quem era.




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Revista Consultor Jurídico, 23 de maio de 2005, 12h45

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