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Show policial

Operações da PF são mais show que combate ao crime

Por  e 

Conjur — A OAB pretende reduzir essa subjetividade?

D’Urso — Para restringir este leque de subjetividade na correção da segunda fase fizemos uma pequena alteração. Antes, a peça prática valia oito pontos e as quatro perguntas teóricas meio ponto cada uma. Se o indivíduo acertasse as quatro perguntas ele tinha dois pontos e precisava de mais quatro na peça prática, porque a nota para aprovação é seis. Portanto, o grau de subjetividade era gigantesco. As perguntas, no âmbito da avaliação, são muito importantes, pois por meio das respostas verifica-se se aquele candidato sabe consultar e responder adequadamente. A nossa gestão fez uma alteração para valorizar as perguntas e diminuir o grau de subjetividade na correção da peça, atribuindo um ponto para cada pergunta e seis pontos para a peça.

Conjur — Então o senhor diria que a prova não é difícil. Os alunos é que estão despreparados?

D’Urso — Os índices de reprovação revelam um problema na qualidade de ensino. Agora, não são todos os reprovados que não estão preparados para ingressar no mercado de trabalho. Há uma parcela que teve que enfrentar um tema na prova que não dominava. Não é que ele não esteja preparado, não é que a qualidade do ensino foi ruim, é que naquele caso específico ele não teve sorte, não foi bem naquela prova. E há uma parcela dos alunos que fica prejudicada pelo nervosismo. Isso faz parte de um processo, do mito de que o Exame de Ordem é para reprovar, para fazer pegadinha, coisa que interessa ao mercado que explora a preparação ao exame. Por conta disso, nós colocamos a idéia do treineiro, para enfrentar essa dificuldade das pessoas que ficavam nervosas. Essa iniciativa foi apoiada pelo Brasil inteiro, pelos estudantes e pelos diretores acadêmicos. Mas o Conselho Federal interpretou que estaríamos autorizando estudantes de Direito a prestar Exame de Ordem e cassou a figura do treineiro.

Conjur — O que ranking das escolas significa para o mercado? As escolas públicas estão desaparecendo e as chamadas fábricas de diplomas tendem a dominar o mercado. Qual é a sua avaliação?

D’Urso — Nós estamos com, mais ou menos, 800 faculdades de Direito. É muito? Se comparado com os Estados Unidos, que tem 170, é muito. Agora, é ruim ter 800 faculdades de Direito no país? Considero que não, desde que as 800 preparassem bem os profissionais e tivessem compromisso com o ensino. Isso significa uma elevação do conceito geral da população, que têm acesso ao nível superior numa área importante. Trata-se de uma área que não despeja só advogados no mercado, só carreiras jurídicas, mas é uma área complementar de muitas outras. Se essas faculdades todas preparassem bem, a quantidade não seria problema. Mas isso não retrata a verdade, muitas delas não preparam bem.

Conjur — O que a Ordem pode fazer em relação a isso?

D’Urso — O mínimo que a faculdade precisa ter é uma sede, uma biblioteca e um corpo docente qualificado. Então, nós dividimos em as faculdades três blocos. As que não oferecem condições mínimas, conseqüentemente não têm compromisso com o ensino, precisam ser fechadas. Mesmo sendo autorizadas pelo MEC, a nossa luta é para fechá-las. Aí você tem outro bloco, que são as faculdades que têm compromisso com o ensino, têm uma boa instalação, têm biblioteca, professores titulares que dão aula e têm uma grade curricular adequada, mas chega o Exame de Ordem e o estudante não passa. Estas nós queremos ajudar. Vamos chamá-las para dialogar, para ver o que esta acontecendo, se é a carga horária, se é a exigência, enfim, vamos diagnosticar qual é o problema e vamos ajudar a solucionar. E tem o terceiro bloco que são as faculdades que, tradicionalmente, sempre aprovam bem, e que podem, inclusive, servir de modelo para as outras.

Conjur — A enxurrada de formados que entra no mercado todos os anos não é preocupante?

D’Urso — Não. Dos últimos 50 anos, este é o momento mais promissor para a carreira, pela abertura de novos mercados. Tem lugar para todo mundo. Aliás, esta faltando profissional no mercado. Quanto mais a sociedade fica complexa, a população aumenta, as relações entre as pessoas geram relações jurídicas, os negócios aumentam. Em tudo há uma relação jurídica, que para ser dirimida precisa do advogado. Hoje, por exemplo, nós temos um Direito da informática, que meu pai, há 50 anos, nem sonhava com isso. Assim é com as telecomunicações, Direito esportivo, franchising, terceiro setor, meio ambiente. São campos de atuação absolutamente novos, que estão em expansão e precisam de profissionais especializados. O mercado não está saturado para os especialistas. A OAB não tem nenhuma preocupação em reserva de mercado, pelo contrário, quer estimular que esse pessoal se prepare melhor, se especialize para vir para o mercado. Quanto melhor preparada estiver essa turma que está chegando, a reação natural é elevar o conceito geral da profissão.




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 é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.

 é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 25 de junho de 2005, 11h28

Comentários de leitores

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A polícia e o Judiciário tem necessidade de f...

Jose Aparecido Pereira (Advogado Autônomo - Civil)

A polícia e o Judiciário tem necessidade de fazer publicidade de seus atos, já que estão desacreditados. É comum a publicidade sobre a prisão de um figurão e depois a sua absolvição. Já quizeram jogar a culpa no advogado, ou nos recursos processuais, para justificar a injustiça imperante no País, mas o tiro saiu pela culatra. Hoje querem transmitir a idéia de que o advogado é um bandido, sem dizer, no entanto, qual o crime que estaria cometendo,isso tudo, somente para justificar a ineficiência de seus trabalhos. Evidentemente, se não tivermos mais confiança em nossa Justiça e em nossa policia, e ambos vem trabalhando incessantemente para que isso venha ocorrer, deveremos buscar nossos direitos nos Tribunais Internacionais.

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