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Apareceu a secretária

Ex-funcionária diz que publicitário era o homem da mala

Em entrevista à revista IstoÉ Dinheiro Fernanda Karina Ramos Somaggio, ex-secretaria do publicitário Marcos Valério de Souza, afirmou que era seu ex-patrão que pagava o mensalão. “Era ele quem pagava, era o homem de Delúbio Soares, que carregava a mesada na mala”

Karina, que trabalhou na agência SMP&B, de Marcos Valério, em Belo Horizonte, disse que tem anotados em uma agenda os detalhes dos pagamentos feitos. A SMP&B é dona de contas de publicidade do Banco do Brasil e dos Correios

Segundo a revista, Karina concedeu duas entrevistas ao repórter Leonardo Attuch, da Istoé Dinheiro, a primeira em setembro do ano passado e a segunda, depois que o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo apontou Marcos Valério como um dos operadores do mensalão.

Karina era a encarregada de agendar os compromissos pessoais e profissionais de Marcos Valério, anotando tudo em uma agenda que guarda em seu poder. Nesta agenda estão anotados, com dia, hora e local, os encontros de Valério e dirigentes do PT. Estão registrados encontros de Valério com o secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo; outro com o secretário de finanças do partido Delúbio Soares, no hotel Blue Tree, em Brasília. “O Dirceu e o Marcos Valério falavam diretamente”, afirma Karina.

Segundo Karina, as malas de Marco Valério beneficiaram também políticos de outras siglas partidárias e cita o ex-ministro do governo Fernando Henrique e ex-presidente do PSDB, Pimenta da Veiga.

Leia os principais trechos da entrevista da secretária

DINHEIRO – Haveria pagamentos de propinas a gente do governo?

KARINA – Eu já vi sair muito dinheiro de lá.

DINHEIRO – Em que situações?

KARINA – Vi sair 100 mil reais em dinheiro para o irmão do Anderson Adauto, no fim de 2003, quando ele era ministro dos Transportes.

(...)

DINHEIRO – As reuniões do Marcos Valério com a cúpula do PT aconteciam em Belo Horizonte?

KARINA – Cada hora em um lugar. Uma hora em São Paulo, outra em Brasília, outra em Belo Horizonte.

DINHEIRO – A senhora agendava todos esses encontros do Valério?

KARINA – Eu tenho uma agenda, que eu fazia, com todos os pedidos dele.

(...)

DINHEIRO – A senhora pode relatar alguns pagamentos feitos pela SMP&B?

KARINA – Houve um pagamento de R$ 150 mil para o Pimenta da Veiga (ministro das Comunicações no governo FHC), dividido em duas contas. Foi uma ordem para o banco BMG mandar o depósito.

(...)

DINHEIRO – Como eram feitos os pagamentos que a senhora relata?

KARINA – Tinha duas pessoas da área financeira, a Simone Vasconcelos, e uma assistente, a Geysa, que cuidavam de tudo.

DINHEIRO – A senhora tem noção de quanto?

KARINA – Já vi o boy sair com motorista para tirar R$ 1 milhão do Banco Rural. Era para depois dividir dinheiro, entendeu?

DINHEIRO – É só o Rural que opera com eles?

KARINA – Tem o Rural, que faz essa parte, e tem o Banco do Brasil, que faz a parte mais lícita da história.

DINHEIRO – É um office-boy quem saca milhão no Rural?

KARINA – É. E teve uma vez que o office-boy foi roubado. E ele estava com R$ 500 mil. Tem uns boys lá que só fazem isso, e fazem com confiança total. Esse Marcos Valério é um sujeito muito doido.





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Revista Consultor Jurídico, 14 de junho de 2005, 20h57

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